William Shakespeare – Dramaturgo

Retrato de Shakespeare, dramaturgo e poeta da Inglaterra

William Shakespeare
*
Stratford-Avon, Inglaterra – 23 de Abril de 1564 d.C
+
Londres, Inglaterra – 23 de Abril de 1616 d.C

Shakespeare nasceu e foi criado em Stratford-upon-Avon. Aos 18 anos casou-se com Anne Hathaway, com quem teve três filhos: Susanna e os gêmeos Hamnet e Judith. Entre 1585 e 1592 William começou uma carreira bem-sucedida em Londres como ator, escritor e um dos proprietários da companhia de teatro chamada Lord Chamberlain’s Men, mais tarde conhecida como King’s Men. Acredita-se que ele tenha retornado a Stratford em torno de 1613, morrendo três anos depois. Restaram poucos registros da vida privada de Shakespeare, e existem muitas especulações sobre assuntos como a sua aparência física, sexualidade, crenças religiosas, e se algumas das obras que lhe são atribuídas teriam sido escritas por outros autores.[5]

Shakespeare produziu a maior parte de sua obra entre 1590 e 1613. Suas primeiras peças eram principalmente comédias e obras baseadas em eventos e personagens históricos, gêneros que ele levou ao ápice da sofisticação e do talento artístico ao fim do século XVI. A partir de então escreveu apenas tragédias até por volta de 1608, incluindo HamletRei Lear e Macbeth, consideradas algumas das obras mais importantes na língua inglesa. Na sua última fase, escreveu um conjuntos de peças classificadas como tragicomédias ou romances, e colaborou com outros dramaturgos. Diversas de suas peças foram publicadas, em edições com variados graus de qualidade e precisão, durante sua vida. Em 1623, John Heminges and Henry Condell, dois atores e antigos amigos de Shakespeare, publicaram o chamado First Folio, uma coletânea de suas obras dramáticas que incluía todas as peças (com a exceção de duas) reconhecidas atualmente como sendo de sua autoria.

Shakespeare foi um poeta e dramaturgo respeitado em sua própria época, mas sua reputação só viria a atingir o nível em que se encontra hoje no século XIX. Os românticos, especialmente, aclamaram a genialidade de Shakespeare, e os vitorianos idolatraram-no como um herói, com uma reverência que George Bernard Shaw chamava de “bardolatria”.[6] No século XX sua obra foi adotada e redescoberta repetidamente por novos movimentos, tanto na academia e quanto na performance. Suas peças permanecem extremamente populares hoje em dia e são estudadas, encenadas e reinterpretadas constantemente, em diversos contextos culturais e políticos, por todo o mundo.

Gozou de uma vida rica até os 12 anos. A partir de então, com a falência do pai, foi obrigado a trocar os estudos pelo trabalho árduo, passando a contribuir para o sustento da família. Guardava, entretanto, os conhecimentos adquiridos na escola elementar, na qual havia iniciado seus estudos de inglês, grego e latim. Além disso, continuou a ler autores clássicos, poemas, novelas e crônicas históricas.

Aos 18 anos casou-se com a rica Anna Hathaway, oito anos mais velha, com quem teve três filhos. Não se sabe ao certo o motivo por que seguiu sozinho para Londres quando tinha 23 anos. Nessa cidade teve vários empregos, o mais significativo foi guardador de cavalos em um teatro. Algum tempo depois Shakespeare passou a copiar peças e representou alguns papéis. Mais tarde, virou sócio do teatro, depois de algum tempo tornou-se dono do lugar.

Atribui-se a William Shakespeare a autoria de 37 ou 38 peças, das quais destacam-se:

  • Antonio e Cleópatra
  • Rei Lear
  • Hamlet
  • Otelo
  • A Tempestade
  • A comédia dos erros
  • A Megera domada
  • Macbeth
  • Otelo
  • Romeu e Julieta
  • Muito barulho por nada

Shakespeare é autor também dos seguintes poemas:

  • Vênus e Adônis, 1593
  • O rapto de Lucrécia, 1594
  • 154 sonetos

É impossível estabelecer as datas exatas das obras de Shakespeare, mas pode-se classificá-las em quatro grandes grupos, que representam os períodos de sua vida, da juventude a velhice:

1. As obras do primeiro período são marcadas por sonhos juvenis e pelo espírito exuberante;

2. O segundo período foi o das grandes crônicas e comédias românticas;

3. O terceiro período foi marcado por depressão e tristeza.
O motivo de ou a desilusão que levou o dramaturgo a sentir-se deprimido durante essa fase da vida, não se sabe ao certo.

4. No quarto período a tempestade abrigada no espírito de Shakespeare parece ter desvanecido.

Assim, o gênio William Shakespeare completa seu ciclo vida sem diminuir seu poder poético e com um retorno quase divino ao seu apogeu na literatura universal.


Quadro Cronológico das Obras

Quadro Cronológico das Obras de Shakespeare

Data

Comédias
(Peças Finais)

Dramas Históricos

Tragédias

1590-1592

Trabalhos de
amor perdidos

Henrique VI
(1.,2. e 3 partes)

1592-1594

A comédias dos Erros
Os Dois Fidalgos
de Verona

1593-1594

Ricardo III

Tito Andrônico

1594-1596

O Sonho de uma
noite de verão
O mercador
de Veneza

Vida e morte
do rei João
Ricardo II

1594-1597

A megera domada

Romeu e Julieta

1597-1598

Henrique IV
(1. e 2. partes)

1598-1599

Henrique V

Julio César

1597-1600

As alegres comadres
de Windsor

1598-1600

Muito barulho por
coisa nenhuma

1599-1600

Como gostais

1599-1601

Noite de Reis

1600-1601

Hamlet, príncipe
da Dinamarca

1600-1604

Tudo está bem
quando bem
termina

1601-1603

Tróilo e Cressida

1603-1604

Medida por Medida

1604-1605

Otelo, o mouro
de Veneza

1605-1606

Rei Lear
Macbeth

1607-1608

Péricles, príncipe
de Tiro

Antônio e Cleópatra
Tímon de Atenas

1608-1610

Coriolano

1609-1610

Cimbelino

1610-1611

Conto do Inverno

1611-1612

A Tempestade

1612-1613

Henrique VIII

Ser ou Não Ser – Hamlet – Ato III – Cena I

“Ser ou não ser – eis a questão.
Será mais nobre sofrer na alma
Pedradas e flechadas do destino feroz
Ou pegar em armas contra o mar de angústias –
E combatendo-o, dar-lhe fim? Morrer; dormir;
Só isso. E com o sono – dizem – extinguir
Dores do coração e as mil mazelas naturais
A que a carne é sujeita; eis uma consumação
Ardentemente desejável. Morrer – dormir –
Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo!
Os sonhos que hão de vir no sono da morte
Quando tivermos escapado ao tumulto vital
Nos obrigam a hesitar: e é essa reflexão
Que dá à desventura uma vida tão longa.
Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo,
A afronta do opressor, o desdém do orgulhoso,
As pontadas do amor humilhado, as delongas da lei,
A prepotência do mando, e o achincalhe
Que o mérito paciente recebe dos inúteis,
Podendo, ele próprio, encontrar seu repouso
Com um simples punhal? Quem agüentaria os fardos,
Gemendo e suando numa vida servil,
Senão, porque o terror de alguma coisa após a morte –
O país não descoberto, de cujos confins
Jamais voltou nenhum viajante – nos confunde a vontade,
Nos faz preferir e suportar os males que já temos,
A fugirmos pra outros que desconhecemos?…”

Comentários

Se em Édipo, Rei, é vã a luta do homem contra os deuses inelutáveis, em Hamlet evidencia-se o embate entre os homens. E aí tudo pode acontecer. Firma-se a diferença entre o homem trágico e o dramático. Distingue-se, conseqüentemente, a tragédia do drama. O homem grego é trágico porque aos deuses atribui as vicissitudes da vida. Tudo está pré-determinado.

O homem não foge ao destino inexorável.

Embora como tragédia conhecida, a peça Hamlet é, efetivamente, um drama, pois nela não há ingerências transcendentais.

Não há deuses nem oráculos. É o homem rivalizando-se. Por que essa peça é considerada uma obra-prima da dramaturgia universal? Certamente, não o é pela trama, que nada tem de original.

O antigo rei (pai de Hamlet) é assassinado pelo próprio irmão – Cláudio, herdeiro do cetro e da esposa da própria vítima – com a cumplicidade de Gertrudes, a rainha e mãe de Hamlet. O príncipe – por intermédio do fantasma do rei morto, que , inclusive, por vingança clama – toma conhecimento do regicídio.

Principia, então, o calvário de Hamlet.

Desnorteado com a vileza perpetrada pela mãe e pelo tio, ele é todo vingança. E o morticínio e desgraças no Castelo de Elsinor avultam. Hamlet mata Apolônio, o pai de Ofélia e camareiro do rei.Ofélia, a bem-amada de Hamlet enlouquece e morre afogada.

Consuma-se a desdita com a morte do rei, da rainha, do irmão de Ofélia e do próprio Hamlet. Dilúvio sanguinolento, enfim, o castelo inunda. Poderia ser tão reverenciada uma obra que enfoca apenas traições, vilanias, assassínios?

Respondendo a essa indagação, fica claro que a crueldade, a vileza, a concupiscência é imanente ao homem real. O bem, o altruísmo, a generosidade serve de ornamento ao homem idealizado. É imensurável, pois, a distância entre o homem real e o idealizado. Shakeaspeare nesse texto imprime harmonia no caos, beleza na devastação. Possivelmente, esteja em Hamlet o embrião do existencialismo.

RICARDO III – Ato I – Cena I

RICARDO – Duque de Gloucester

O inverno do nosso descontentamento foi convertido agora em glorioso verão por este sol de York, e todas as nuvens que ameaçavam a nossa casa estão enterradas no mais interno fundo do oceano.

Agora as nossas frontes estão coroadas de palmas gloriosas.

As nossas armas rompidas suspensas como troféus, os nossos feros alarmes mudaram-se em encontros aprazíveis, as nossas hórridas marchas em compassos deleitosos, a guerra de rosto sombrio amaciou a sua fronte enrugada.

E agora, em vez de montar cavalos armados para amedrontar as almas dos temíveis adversários, pula como um potro nos aposentos de uma dama ao som lascivo e ameno do alaúde.

Mas eu, que não fui moldado para jogos nem brincos amorosos, nem feito para cortejar um espelho enamorado.

Eu, que rudemente sou marcado, e que não tenho a majestade do amor para me pavonear diante de uma musa furtiva e viciosa, eu, que privado sou da harmoniosa proporção, erro de formação, obra da natureza enganadora, disforme, inacabado, lançado antes de tempo para este mundo que respira, quando muito meio feito e de tal modo imperfeito e tão fora de estação que os cães me ladram quando passo, coxeando, perto deles.

Pois eu, neste ocioso e mole tempo de paz, não tenho outro deleite para passar o tempo afora o espiar a minha sombra ao sol e cantar a minha própria deformidade.

E assim, já que não posso ser amante que goze estes dias de práticas suaves, estou decidido a ser ruim vilão e odiar os prazeres vazios destes dias.

Armei conjuras, tramas perigosas, por entre sonhos, acusações e ébrias profecias, para lançar o meu irmão Clarence e o Rei um contra o outro, num ódio mortífero, e se o Rei Eduardo for tão verdadeiro e justo quanto eu sou sutil, falso e traiçoeiro, será Clarence hoje mesmo encarcerado devido a uma profecia que diz será um “gê” o assassino dos herdeiros de Eduardo. Mergulhai, pensamentos, fundo, fundo na minha alma.

Discurso de Marco Antonio no funeral de César

“Amigos, romanos, cidadãos dêem-me seus ouvidos. Vim para enterrar César, não para louvá-lo. O bem que se faz é enterrado com os nossos ossos, que seja assim com César. O nobre Brutus disse a vocês que Cesar era ambicioso. E se é verdade que era, a falta era muito grave, e César pagou por ela com a vida, aqui, pelas mãos de Brutus e dos outros. Pois Brutus é um homem honrado, e assim são todos eles, todos homens honrados. Venho para falar no funeral de César. Ele era meu amigo, fiel e justo comigo. Mas Brutus diz que ele era ambicioso.

E Brutus é um homem honrado.

Ele trouxe muitos prisioneiros para Roma que, para serem libertados, encheram os cofres de Roma. Isto parecia uma atitude ambiciosa de César? Quando os pobres sofriam César chorava. Ora a ambição torna as pessoas duras e sem compaixão. Entretanto, Brutus diz que César era ambicioso.

E Brutus é um homem honrado. Vocês todos viram que na festa do Lupercal, eu, por três vezes, ofereci-lhe uma coroa real, a qual ele por três vezes recusou. Isto era ambição? Mas Brutus diz que ele era ambicioso, e Brutus, todos sabemos, é um homem honrado. Eu não falo aqui para discordar do que Brutus falou. Mas eu tenho que falar daquilo que eu sei. Vocês todos já o amaram e tinham razões para amá-lo. Qual a razão que os impede agora de homenageá-lo na morte?”

Neste momento Marco Antônio faz uma pausa no discurso, e as pessoas do povo começam a refletir sobre o que ele disse, e a questionar se César tinha afinal merecido a morte que teve. Passado este interlúdio retorna Marco Antônio a falar.

“Ontem, a palavra de César seria capaz de enfrentar o mundo, agora, jaz aqui morta. Ah! Se eu estivesse disposto a levar os seus corações e mentes para o motim e a violência, eu falaria mal de Brutus e de Cassius, os quais, como sabem, são homens honrados. Não vou falar mal deles. Prefiro falar mal do morto. Prefiro falar mal de mim e de vocês do que destes homens honrados.

Mas, eis aqui, um pergaminho com o selo de César. Eu o achei no seu armário.

É o seu testamento. Quando os pobres lerem o seu testamento (porque, perdoem-me, eu não pretendo lê-lo), e eles se arrojarão para beijar os ferimentos de César, e molhar seus lenços no seu sagrado sangue.”

O povo reclama de Marco Antônio e exige que ele o leia.

“Tenham paciência amigos, mas eu não devo lê-lo. Vocês não são de madeira ou de ferro, e sim humanos. E, sendo humanos, ao ouvir o testamento de César vão se inflamar, ficarão furiosos. É melhor que vocês não saibam que são os herdeiros de César! Pois se souberem… o que vai acontecer? Então vocês vão me obrigar a ler o testamento de César? Então façam um círculo em volta do corpo e deixem-me mostrar-lhes César morto, aquele que escreveu este testamento.

Cidadãos. Se vocês têm lágrimas, preparem-se para soltá-las. Vocês todos conhecem este manto. Vejam, foi neste lugar que a faca de Cassius penetrou. Através deste outro rasgão, Brutus, tão querido de César, enfiou a sua faca, e, quando ele arrancou a sua maldita arma do ferimento, vejam como o sangue de César escorreu.

E Brutus, como vocês sabem, era o anjo de César. Oh! Deuses, como César o amava. O golpe de Brutus foi, de todos o mais brutal e o mais perverso. Pois, quando o nobre César viu que Brutus o apunhalava, a ingratidão, mais que a força do braço traidor, parou seu coração. Oh! Que queda brutal meus concidadãos. Então eu e vocês e todos nós também tombamos, enquanto esta sanguinária traição florescia sobre nós.

Sim, agora vocês choram. Percebo que sentem um pouco de piedade por ele.

Boas almas. Choram ao ver o manto do nosso César despedaçado. Bons amigos, queridos amigos, não quero estimular a revolta de vocês. Aqueles que praticaram este ato são honrados. Quais queixas e interesses particulares os levaram a fazer o que fizeram, não sei. Mas são sábios e honrados e tenho certeza que apresentarão a vocês as suas razões. Eu não vim para roubar seus corações. Eu não sou um bom orador como Brutus. Sou um homem simples e direto, que amo os meus amigos.”

Seguem-se novamente comentários das pessoas, já agora lamentando o assassinato e condenando os assassinos.

Volta Marco Antônio.

“Aqui está o testamento, com o selo de César. A cada cidadão ele deixou 75 dracmas. Mais, para vocês ele deixou seus bens. Seus sítios neste lado do Tibre, com suas árvores, seu pomar, para vocês e para os herdeiros de vocês e para sempre. Este era César. Quando aparecerá outro como ele?”

Revoltada a massa sai rumo às casas dos conspiradores para vingar César.

Identidade

Esta está envolta em grande polémica, muito continua ainda por saber sobre William Shakespeare – quem foi, por onde andou ou com quem se dava. Não faltam teorias[7] — uns dizem que era Francis Bacon, a Rainha Isabel I disfarçada e até um francês chamado Jacques Pierre. Mas, se não o virmos como tendo uma vida própria, a mais credível é que seria um pseudónimo de Christopher Marlowe. Pois, este último, que era igualmente um poeta e dramaturgo seu contemporâneo, que emprega nos seus versos um estilo ou estrutura muito similar, parece ter sido provado que terá trabalhado na composição de algumas peças de teatro atribuídas a Shakespeare.[8]

Vida

Primeiros anos

 Casa de John Shakespeare em Stratford-upon-Avon.

William Shakespeare era filho de John Shakespeare, um bem-sucedido luveiro e sub-prefeito de Stratford (depois comerciante de lãs), vindo de Snitterfild, e Mary Arden, filha afluente de um rico proprietário de terras. Embora a sua data de nascimento seja desconhecida, admite-se a de 23 de Abril de 1564 com base no registro de seu batizado, a 26 do mesmo mês, devido ao costume, à época, de se batizarem as crianças três dias após o nascimento. Shakespeare foi o terceiro filho de uma prole de oito e o mais velho a sobreviver.[carece de fontes]

Muitos concordam que William foi educado em uma excelente grammar schools da época, um tipo de preparação para a Universidade. No entanto, Park Honan conta, em Shakespeare, uma vida, que John foi obrigado a tirá-lo desta escola, quando William deveria ter quinze ou dezesseis anos (algumas fontes citam doze anos). Na década de 1570 John passou a ter um declínio econômico que o impossibilitou junto aos credores e da sociedade. Acredita-se que, por causa disso, o jovem Shakespeare possuiu uma formação colegial incompleta. Segundo certos biógrafos, Shakespeare precisou trabalhar cedo para ajudar a família, aprendendo, inclusive, a tarefa de esquartejar bois e até abater carneiros.[carece de fontes]

Em 1582, aos 18 anos de idade, casou-se com Anne Hathaway, uma mulher de 26 anos, que estava grávida. Há fontes que dizem que Shakespeare queria ter uma vida mais favorável ao lado de uma esposa rica. O casal teve uma filha, Susanna, e dois anos depois, os gêmeos Hamnet e Judith.[carece de fontes]

Após o nascimento dos gêmeos, há pouquíssimos vestígios históricos a respeito de Shakespeare, até que ele é mencionado como parte da cena teatral de Londres em 1592. Devido a isso, estudiosos referem-se aos anos de 1586 a 1592 como os Anos perdidos de Shakespeare.[9]

As tentativas de explicar por onde andou William Shakespeare durante esses seis anos foram o motivo pelo qual surgiram dezenas de anedotas envolvendo o dramaturgo. Nicholagas Rowe, o primeiro biógrafo de Shakespeare, conta que ele fugiu de Stratford para Londres devido a uma acusação envolvendo o assassinato de um veado numa caça furtiva, em propriedade alheia (provavelmente de Thomas Lucy). Outra história do século XVIII é a de que Shakespeare começou uma carreira teatral com os Lord Chamberlains.

Londres e carreira teatral

 O Globe Theatre, com a restauração moderna de 1996

Foi em Londres onde se atribui a Shakespeare seus momentos de maiores oportunidades para destaque. Não se sabe de exato quando Shakespeare começara a escrever, mas alusões contemporâneas e registros de performances mostram que várias de suas peças foram representadas em Londres em 1592. Neste período, o contexto histórico favorecia o desenvolvimento cultural e artístico, pois a Inglaterra vivia os tempos de ouro sob o reinado da rainha Elizabeth I. O teatro deste período, conhecido como teatro elisabetano, foi de grande importância e primor para os ingleses da alta sociedade. Na época, o teatro também era lido, e não apenas assistido e encenado. Havia companhias que compravam obras de autores em voga e depois passavam a vender o repertório às tipografias. As tipografias imprimiam os textos e vendiam a um público leitor que crescia cada vez mais. Isso fazia com que as obras ficassem em domínio público.[carece de fontes]

Biógrafos sugerem que sua carreira deve ter começado em qualquer momento a partir de meados dos anos 1580. Ao lado do The Globe, haveria um matadouro, onde aprendizes do açougue deveriam trabalhar. Ao chegar em Londres, há uma tradição que diz que Shakespeare não tinha amigos, dinheiro e estava pobre, completamente arruinado. Segundo um biógrafo do século XVIII, ele foi recebido pela companhia, começando num serviço pequeno, e logo fora subindo de cargo, chegando provavelmente à carreira de ator. Há referências que apresentam Shakespeare como um cavalariço. Ele dividiria seu emprego entre tomar conta dos cavalos dos espectadores do teatro, atuar no palco e auxiliar nos bastidores. Segundo Rowe, Shakespeare entrou no teatro como ponto, encarregado de avisar os atores o momento de entrarem em cena. O então cavalariço provavelmente tinha vontade mesmo era de atuar e de escrever.[carece de fontes]

Seu talento limitante como ator teria o inspirado a conhecer como funcionava o teatro e seu poeta interior foi floreando, floreando, foi lembrando-se dos textos dos mestres dramáticos da escola, e começou a experimentar como seria escrever para o teatro. Desde 1594, as peças de Shakespeare foram realizadas apenas pelo Lord Chamberlain’s Men. Com a morte de Elizabeth I, em 1603, a companhia passou a atribuir uma patente real ao novo rei, James I da Inglaterra, mudando seu nome para King’s Men (Homens do Rei).[carece de fontes]

Todas as fontes marcam o ano de 1599 como o ano da fundação oficial do Globe Theatre. Fundado por James Burbage, ostentava uma insígnia de Hércules sustentando o globo terrestre. Registros de propriedades, compras, investimentos de Shakespeare o tornou um homem rico. William era sócio do Globe, um edifício que tinha forma octogonal, com abertura no centro. Não existia cortina e, por causa disso, os personagens mortos deveriam ser retirados por soldados, como mostra-se em Hamlet. Inclusive, todos os papéis eram representados pelos homens, sendo os mais jovens os encarregados de fazerem papéis femininos. Em 1597, fontes dizem que ele comprou a segunda maior casa em Stratford, a New Place. De 1601 a 1608, especula-se que ele esteve motivado para escrever HamletOtelo e Macbeth. Em 1613, O Globe Theatre foi destruído pelo fogo. Alguns biógrafos dizem que foi durante a representação da peça Henry VIII.[carece de fontes]

Shakespeare teria estado bem cansado e por esse motivo resolveu desligar-se do Globe e voltar para Stratford, onde a família o esperava.[carece de fontes]

Últimos anos e morte

Após 1606-7, Shakespeare escreveu peças menores, que jamais são atribuídas como suas após 1613. Suas últimas três obras foram colaborações, talvez com John Fletcher, que sucedeu-lhe com o cargo de dramaturgo no King’s Men. Escreveu a sua última peça, A Tempestade terminada somente em 1613.[10]

Então, Rowe foi o primeiro biógrafo a dizer que Shakespeare teria voltado para Stratford algum tempo antes de sua morte; mas a aposentadoria de todo o trabalho era rara naquela época; e Shakespeare continuou a visitar Londres. Em 1612, foi chamado como testemunha em um processo judicial relativo ao casamento de sua filha Susanna. Em março de 1613, comprou uma gatehouse no priorado de Blackfriars; a partir de novembro de 1614, ficou várias semanas em Londres ao lado de seu genro John Hall.[carece de fontes]

William Shakespeare morreu em 23 de Abril de 1616, mesmo dia de seu aniversário. Susanna havia se casado com um médico, John Hall, em 1607, e Judith tinha se casado com Thomas Quiney, um vinificador, dois meses antes da morte do pai. A morte de Shakespeare envolve mistério ainda hoje. No entanto, é óbvio que existam diversas anedotas. A que mais se propagou é a de que Shakespeare estaria com uma forte febre, causada pela embriaguez. Recebendo a visita de Ben Jonson e de Michael Drayton, Shakespeare bebeu demais e, segundo diversos biógrafos, seu estado se agravou.[carece de fontes]


Em Stratford, a tumba de Shakespeare
Epitáfio na tumba de Shakespeare
Bom amigo, por Jesus, abstém-te
de profanar o corpo aqui enterrado.
Bendito seja o homem que respeite estas pedras,
e maldito o que remover meus ossos.

Admite-se que Shakespeare deixou como herança sua segunda melhor cama para a esposa. Sabe-se, entretanto, que a “second best bed”, no testamento, é simplesmente a cama de casal, sendo a melhor cama, conforme os costumes da época, a do quarto de hóspedes. Ao que parece, o testamento não teria sido redigido pelo dramaturgo, que só o assinou; certas expressões religiosas fizeram recentemente descobrir-se que se trata de uma fórmula legal, então em uso e até prescrita.[11] Em sua vontade, ele deixou a maior parte de sua propriedade à sua filha mais velha, Susanna. Essa herança intriga biógrafos e estudiosos porque, afinal, como Anne Hathaway aguentaria viver mais ou menos vinte anos cuidando de seus filhos, enquanto Shakespeare fazia fortuna em Londres? O escritor inglês Anthony Burgess tem uma explicação ficcional sobre esse assunto. Em Nada como o Sol, um livro de sua autoria, ele cita Shakespeare espantado em um quarto diante de seu irmão Richard e de sua esposa Anne; estavam nus e abraçados.[carece de fontes]

Os restos mortais de Shakespeare foram sepultados na igreja da Santíssima Trindade (Holy Trinity Church) em Stratford-upon-Avon.[12] Seu túmulo mostra uma estátua vibrante, em pose de literário, mais vivo do que nunca. A cada ano, na comemoração de seu nascimento, é colocada uma nova pena de ave na mão direita de sua estátua. Acredita-se que Shakespeare temia o costume de sua época, em que provavelmente havia a necessidade de esvaziar as mais antigas sepulturas para abrir espaços à novas e, por isso, há um epitáfio na sua lápide, que anuncia a maldição de quem mover seus ossos.[carece de fontes]

Após a morte de Shakespeare, a Inglaterra passou por alguns importantes momentos políticos e religiosos. Jaime I morreu em 27 de março de 1625, em Theobalds House, e tão logo sua morte foi anunciada, Carlos I, seu filho com Ana da Dinamarca, assumiu o reinado. É válido lembrar que, com a morte de Elizabeth I, Shakespeare e os demais dramaturgos da época não foram prejudicados. Jaime I, o sucessor da rainha, contribuiu para o florescimento artístico e cultural inglês; era um apaixonado por teatro.[carece de fontes]

Em 1649, a Câmara dos Comuns cria uma corte para o julgamento de Carlos I. Era a primeira vez que um monarca seria julgado na história da Inglaterra. No dia 29 de janeiro do mesmo ano, Carlos I foi condenado a morte por decapitação. Ele foi decapitado no dia seguinte. Foi enterrado no dia 7 de fevereiro na Capela de St.George do Castelo de Windsor em uma cerimônia privada.[carece de fontes]

Nota: É bem conhecida a coincidência das datas de morte de dois dos grandes escritores da humanidade, Miguel de Cervantes e William Shakespeare, ambos com data de falecimento em 23 de Abril de 1616). Porém, é importante notar que o Calendário gregoriano já era utilizado na Espanha desde o século XVI, enquanto que na Inglaterra sua adoção somente ocorreu em 1751.[carece de fontes]

Genealogia

Richard
Shakespeare
?
John
Shakespeare
Mary
Arden
Joan
Shakespeare
1558
Margaret
Shakespeare
1562-1563
Gilbert
Shakespeare
1566-1612
Anne
Shakespeare
1571-1579
Richard
Shakespeare
1574-1613
Edmund
Shakespeare
1580-1607
William
Shakespeare

1564-1616
Anne
Hathaway
1556-1623
Joan Shakespeare
1569-1646
William
Hart
John
Hall
1575-1635
Susanna
Shakespeare
1582-1648
Hamnet
Shakespeare
1585-1596
Judith
Shakespeare
1585-1662
Thomas Quiney
Elizabeth Hall Barnard

 

Peças

Os estudiosos costumam anotar quatro períodos na carreira de dramaturgia de Shakespeare. Até meados de 1590, escreveu principalmente comédias, influenciado por modelos das peças romanas e italianas. O segundo período iniciou-se aproximadamente em 1595, com a tragédia Romeu e Julieta e terminou com A Tragédia de Júlio César, em 1599. Durante esse tempo, escreveu o que são consideradas suas grandes comédias e histórias. De 1600 a 1608, o que chamam de “período sombrio”, Shakespeare escreveu suas mais prestigiadas tragédias: HamletRei Lear e Macbeth. E de aproximadamente 1608 a 1613, escrevera principalmente tragicomédias e romances.[carece de fontes]

Os primeiros trabalhos gravados de Shakespeare são Ricardo III’ e as três partes de Henry V, escritas em 1590, adiantados durante uma moda para o drama histórico. É difícil datar as primeiras peças de Shakespeare, mas estudiosos de seus textos sugerem que A Megera DomadaA Comédia dos Erros e Titus Andronicus pertencem também ao seu primeiro período. Suas primeiras histórias, parecem dramatizar os resultados destrutivos e fracos ou corruptos do Estado e têm sido interpretadas como uma justificação para as origens da dinastia Tudor. Suas composições foram influenciadas por obras de outros dramaturgos isabelinos, especialmente Thomas Kyd e Christopher Marlowe, pelas tradições do teatro medieval e pelas peças de Sêneca. A Comédia dos Erros também foi baseada em modelos clássicos.[carece de fontes]

As clássicas comédias de Shakespeare, contendo plots (centro da ação, o núcleo da história) duplos e sequências cênicas de comédia, cederam, em meados de 1590, para uma atmosfera romântica em que se encontram suas maiores comédias. Sonho de uma Noite de Verão é uma mistura de romance espirituoso, fantasia, e envolve também a baixa sociedade. A sagacidade das anotações de Muito Barulho por Nada’, a excelente definição da área rural de Como Gostais, e as alegres sequências cênicas de Noite de Reis completam essa sequência de ótimas comédias. Após a peça lírica Ricardo II, escrito quase inteiramente em versículos, Shakespeare introduziu em prosa as histórias depois de 1590, incluindo Henry VI, parte I e II, e Henry V.[carece de fontes]

Seus personagens tornam-se cada vez mais complexos e alternam entre o cômico e o dramático ou o grave, ou o trágico, expandindo, dessa forma, suas próprias identidades. Esse período entre essas tais alternações começa e termina com duas tragédias: Romeu e Julieta, sem dúvida alguma sua peça mais famosa e a história sobre a adolescência, o amor e a morte; e Júlio César. O período chamado “período trágico” durou de 1600 a 1608, embora durante esse período ele tenha escrito também a “peça cômica” Medida por medida. Muitos críticos acreditam que as maiores tragédias de Shakespeare representam o pico de sua arte. Seu primeiro herói, Hamlet, provavelmente é o personagem shakespeariano mais discutido do que qualquer outro, em especial pela sua frase “Ser ou não ser, eis a questão”. Ao contrário do reflexivo e pensativo Hamlet, os heróis das tragédias que se seguiram, em especial Otelo e Rei Lear, são precipitados demais e mais agem do que pensam. Essas precipitações sempre acabam por destruir o herói e frequentemente aqueles que ele ama. Em Otelo, o vilão Iago acaba assassinando sua mulher inocente, por quem era apaixonado. Em Rei Lear, o velho rei comete o erro de abdicar de seus poderes, provocando cenas que levam ao assassinato de sua filha e à tortura e a cegueira do Conde de Glócester. Segundo o crítico Frank Kermode, “a peça não oferece nenhum personagem divino ou bom, e não supre da audiência qualquer tipo de alívio de sua crueldade”. Em Macbeth, a mais curta e compactada tragédia shakespeariana, a incontrolável ambição de Macbeth e sua esposa, Lady Macbeth, de assassinar o rei legítimo e usurpar seu trono, até à própria culpa de ambos diante deste ato, faz com que os dois se destruam. Portanto, Hamlet seria seu personagem talvez mais admirado. Hamlet reflete antes da ação em si, é inteligente, perceptivo, observador, profundamente proprietário de uma grande sabedoria diante dos fatos. Suas últimas e grandes tragédias, Antônio e Cleópatra e Coriolano contêm algumas das melhores poesias de Shakespeare e foram consideradas as tragédias de maior êxito pelo poeta e crítico T.S. Eliot.[carece de fontes]

No seu último período, Shakespeare centrou-se na tragicomédia e no romance, completando suas três mais importantes peças dessa fase: CimbelinoConto de Inverno e A Tempestade, e também Péricles, príncipe de Tiro. Menos sombrias do que as tragédias, essas quatro peças revelam um tom mais grave da comédia que costumavam produzir na década de 1590, mas suas personagens terminavam com reconciliação e o perdão de seus erros. Certos comentadores vêem essa mudança de estilo como uma forma de visão da vida mais serena por parte de Shakespeare. Shakespeare colaborou com mais dois trabalhos, Henry VIII e Dois parentes nobres, provavelmente com John Fletcher.[carece de fontes]

Performances

Ainda não está claro para as companhias as datas exatas de quando Shakespeare escreveu suas primeiras peças. O título da página da edição de 1594 de Titus Andronicus revela que a peça havia sido encenada por três diferentes companhias. Após a peste negra de 1592-3, as peças shakespearianas foram realizadas por sua própria empresa no The Theatre e no The Curtain, em Shoreditch. As multidões londrinas foram ver a primeira parte de Henrique IV. Depois de uma disputa com o caseiro, o teatro foi desmantelado e a madeira usada para a construção do Globe Theatre, a primeira casa de teatro construída por atores para atores. A maioria das peças shakespearianas pós-1599 foram escritas para o Globe, incluindo HamletOtelo e Rei Lear.[carece de fontes]

Quando a Lord Chamberlain’s Men mudou seu nome para King’s Men, em 1603, eles entraram com uma relação especial com o novo rei, James I. Embora as performances realizadas são díspares, o King’s Men realizou sete peças shakespearianas perante à corte, entre 1 de novembro de 1604 e 31 de outubro de 1605, incluindo duas performances de O mercador de Veneza. Depois de 1608, eles a realizaram no teatro Blackfriars Theatre. A mudança interior, combinada com a moda jacobina de aprimorar a montagem dos palcos e cenários, permitiu com que Shakespeare pudesse introduzir uma fase com dispositivos e recursos mais elaborados. Em Cibelino, por exemplo, “Júpiter desce em trovão e relâmpagos, sentado em uma águia e lança um raio”.[carece de fontes]

Os atores da empresa de Shakespeare incluem o famoso Richard Burbage, William Kempe, Henry Condell e John Heminges. Burbage desempenhou um papel de liderança em muitas performances das peças de Shakespeare, incluindo Richard IIIHamletOtelo e Rei Lear. O popular ator cômico Will Kempe encenou o agente Peter em Romeu e Julieta e também encenou em Muito barulho por nada. Kempe fora substituído na virada do século XVI por Robert Armin, que desempenhou papéis como a de Touchstone em Como Gostais e os palhaços no Rei Lear. Sabe-se que em 1613, Sir Henry Wotton encenou Henry VIII e foi nessa encenação que o Globe foi devorado por um incêndio causado por um canhão. Imagina-se que Shakespeare, já retirado em Stratford-on-Avon, retornou para auxiliar na recuperação do prédio.[carece de fontes]

Imortalidade

Em 1623, John Heminges e Henry Condell, dois amigos de Shakespeare no King’s Men, publicaram uma compilação póstuma das obras teatrais de Shakespeare, conhecida como First Folio. Contém 36 textos, sendo que 18 impressos pela primeira vez. Não há evidências de que Shakespeare tenha aprovado essa edição, que o First Folio define como “stol’n and surreptitious copies”. No entanto, é nele em que se encontram um material extenso e rico do trabalho de Shakespeare.[carece de fontes]

As peças shakespearianas são peculiares, complexas, misteriosas e com um fundo psicológico espantoso. Uma das qualidades do trabalho de Shakespeare foi justamente sua capacidade de individualizar todos seus personagens, fazendo com que cada um se tornasse facilmente identificado. Shakespeare também era excêntrico e se adaptava a gêneros diferentes. Trabalhando com o sombrio e com o divertido ou cômico, Shakespeare conseguiu chegar perto da unanimidade.[carece de fontes]

Estima-se que as obras de Shakespeare influenciaram pelo menos 20.000 peças musicais que vão de óperas, canções e outros ritmos. Shakespeare é também o dramaturgo mais consistentemente adaptado nos palcos, em todo o século XX houve mais de 50.000 produções e adaptações em todo o globo. Em termos de tradução, vendas e estudos Shakespeare só perde para a Bíblia, e fica a frente de tópicos como Comunismo, Islamismo e Judaísmo. Um artigo publicado diz que as três figuras mais estudadas na história são Jesus, Napoleão e Hamlet.[13]

Diversos filósofos e psicanalistas estudaram as obras de Shakespeare e a maioria encontrou uma riqueza psicológica e existencial. Entre eles, Arthur Schopenhauer, Freud e Goethe são os que mais se destacam. No Brasil, Machado de Assis foi muito influenciado pelo dramaturgo. Diversas fontes alegam que Bentinho, de Dom Casmurro, seja a versão tropical de Otelo. A revolta dos canjicas, em O Alienista, é provavelmente uma outra versão da revolta fracassada do Jack Cade, descrita em Henrique IV. Na introdução de A Cartomante, Assis utiliza a frase “há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe vossa vã filosofia”, frase que pode ser encontrada em Hamlet.[carece de fontes]

Poemas

Em 1593 e 1594, quando os teatros foram fechados por causa da peste, Shakespeare publicou dois poemas eróticos, hoje conhecidos como Vênus e Adônis e O Estupro de Lucrécia. Ele os dedica a Henry Wriothesley, o que fez com que houvesse várias especulações a respeito dessa dedicatória, fato esse que veremos mais tarde. Em Vênus e Adônis, um inocente Adônis rejeita os avanços sexuais de Vênus (mitologia); enquanto que o segundo poema descreve a virtuosa esposa Lucrécia que é violada sexualmente. Ambos os poemas, influenciados pela obra Metamorfoses, do poeta latino Ovídio, demonstram a culpa e a confusão moral que resultam numa determinada volúpia descontrolada. Ambos tornaram-se populares e foram diversas vezes republicados durante a vida de Shakespeare. Uma terceira narrativa poética, A Lover’s Complaint, em que uma jovem lamenta sua sedução por um persuasivo homem que a cortejou, fora impresso na primeira edição do Sonetos em 1609. A maioria dos estudiosos hoje em dia aceitam que fora Shakespeare quem realmente escreveu o soneto A Lover’s Complaint. Os críticos consideram que suas qualidades são finas e dirigidas por efeitos.[carece de fontes]

Sonetos

Publicado em 1609, a obra Sonetos foi o último trabalho publicado de Shakespeare sem fins dramáticos. Os estudiosos não estão certos de quando cada um dos 154 sonetos da obra foram compostos, mas evidências sugerem que Shakespeare as escreveu durante toda sua carreira para leitores particulares.[carece de fontes]

Ainda fica incerto se estes números todos representam pessoas reais, ou se abordam a vida particular de Shakespeare, embora Wordsworth acredite que os sonetos abriram suas emoções. A edição de 1609 foi dedicada a “Mr. WH”, creditado como o único procriados dos poemas. Não se sabe se isso foi escrito por Shakespeare ou pelo seu editor Thomas Thorpe, cuja sigla aparece no pé da página da dedicação; nem se sabe quem foi Mr. WH, apesar de inúmeras teorias terem surgido a respeito.[carece de fontes]

Os críticos elogiam os sonetos e comentam que são uma profunda meditação sobre a natureza do amor, a paixão sexual, a procriação, a morte e o tempo.[carece de fontes]

Especulações quanto à sua identidade

Alguns estudiosos e pesquisadores acreditam na hipótese de que Shakespeare não seja realmente o autor das próprias obras, discutindo a questão da identidade de Shakespeare. [carece de fontes]

Principais obras

Comédias

  • Sonho de uma Noite de Verão
  • O Mercador de Veneza
  • A Comédia dos Erros
  • Os Dois Cavalheiros de Verona
  • Muito Barulho por Nada
  • Noite de Reis
  • Medida por Medida
  • Conto do Inverno
  • Cimbelino
  • A Megera Domada
  • A Tempestade
  • Como Gostais
  • Tudo Bem quando Termina Bem
  • As Alegres Comadres de Windsor
  • Trabalhos de Amores Perdidos
  • Péricles, Príncipe de Tiro

Tragédias

  • Tito Andrônico
  • Romeu e Julieta
  • Júlio César
  • Macbeth
  • Antônio e Cleópatra
  • Coriolano
  • Timão de Atenas
  • Rei Lear
  • Otelo, o Mouro de Veneza
  • Hamlet (eBook)
  • Tróilo e Créssida
  • A Tempestade

Dramas históricos

  • Rei João
  • Ricardo II
  • Ricardo III
  • Henrique IV, Parte 1
  • Henrique IV, Parte 2
  • Henrique V
  • Henrique VI, Parte 1
  • Henrique VI, Parte 2
  • Henrique VI, Parte 3
  • Henrique VIII
  • Eduardo III

Notas e referências

  1. Ir para cima As datas seguem o calendário juliano, usado na Inglaterra durante a vida de Shakespeare. No calendário gregoriano, adotado nos países católicos em 1582, Shakespeare morreu no dia 3 de maio (Schoenbaum 1987, xv).
  2. Ir para cima Greenblatt 2005, 11; Bevington 2002, 1–3; Wells 1997, 399.
  3. Ir para cima O número exato ainda é desconhecido; ver colaborações de Shakespeare e obras apócrifas de Shakespeare para maiores detalhes.
  4. Ir para cima Craig 2003, 3.
  5. Ir para cima Shapiro 2005, xvii–xviii; Schoenbaum 1991, 41, 66, 397–98, 402, 409; Taylor 1990, 145, 210–23, 261–5.
  6. Ir para cima Bertolini 1993, 119.
  7. Ir para cima Cipriano, Rita. «Qual destes foi o verdadeiro William Shakespeare?». Observador
  8. Ir para cima Cipriano, Rita. «Afinal, Christopher Marlowe também foi Shakespeare». Observador
  9. Ir para cima Pinto, Corrêa, Carlos (1 de agosto de 2004). «Por que Shakespeare?: O encontro de Freud com Shakespeare». Estudos de Psicanálise (27) |website= e |periódico= redundantes (ajuda)
  10. Ir para cima Barton, Anne, ed. 1968. The Tempest (New Penguin Shakespeare Series) Nova York: Penguin.
  11. Ir para cima Carpeaux, Otto Maria. Ensaios Reunidos. 1ª. ed. Rio de Janeiro: Topbooks, 2005. 507 p.
  12. Ir para cima William Shakespeare (em inglês) no Find a Grave
  13. Ir para cima «Main Characters >> Hamlet» (em inglês). Jiffynotes.com. Consultado em 5 de julho de 2016

Bibliografia

  • Bertolini, John Anthony (1993). Shaw and Other Playwrights. Pennsylvania: Pennsylvania State University Press. ISBN 027100908X.
  • Bevington, David (2002). Shakespeare. Oxford: Blackwell. ISBN 0631227199.
  • Laroque, François (2003). Shakespeare: o teatro do mundo. Col: «Descobrir», série Literatura. Lisboa: Quimera Editores. ISBN 9789725891063.
  • Craig, Leon Harold (2003). Of Philosophers and Kings: Political Philosophy in Shakespeare’s “Macbeth” and “King Lear”. Toronto: University of Toronto Press. ISBN 0802086055.
  • Greenblatt, Stephen (2005). Will in the World: How Shakespeare Became Shakespeare. Londres: Pimlico. ISBN 0712600981.
  • Schoenbaum, Samuel (1987). William Shakespeare: A Compact Documentary Life Revised ed. Oxford: Oxford University Press. ISBN 0195051610.
  • Schoenbaum, Samuel (1991). Shakespeare’s Lives. Oxford: Oxford University Press. ISBN 0198186185.
  • Shapiro, James (2005). 1599: A Year in the Life of William Shakespeare. Londres: Faber and Faber. ISBN 0571214800.
  • Taylor, Gary (1990). Reinventing Shakespeare: A Cultural History from the Restoration to the Present. Londres: Hogarth Press. ISBN 0701208880.
  • Wells, Stanley (1997). Shakespeare: A Life in Drama. Nova Iorque: W. W. Norton. ISBN 0393315622.

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração, Tecnologia da Informação e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, USA. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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