Fernando Pessoa – Poeta

Fernando Antonio Nogueira Pessoa
* Lisboa, Portugal – 13 de Junho de 1888 d.C
+ Lisboa, Portugal – 30 de Novembro de 1935 d.C
Poeta, artista múltiplo, expressou em sua obra as angústias e contradições do homem moderno

Se depois de eu morrer,
quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas
- a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.

Fernando Pessoa/Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos; Escrito entre 1913-15; Publicado em Atena nº 5, Fevereiro de 1925

É considerado um dos maiores poetas de língua portuguesa, e o seu valor é comparado ao de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou-o, ao lado de Pablo Neruda, o mais representativo poeta do século XX. Por ter vivido a maior parte de sua juventude na África do Sul, a língua inglesa também possui destaque em sua vida, com Pessoa traduzindo, escrevendo, trabalhando e estudando no idioma.

Teve uma vida discreta, em que atuou no jornalismo, na publicidade, no comércio e, principalmente, na literatura, onde se desdobrou em várias outras personalidades conhecidas como heterônimos. A figura enigmática em que se tornou movimenta grande parte dos estudos sobre sua vida e obra, além do fato de ser o maior autor da heteronímia.

A figura enigmática em que se tornou movimenta grande parte dos estudos sobre sua vida e obra, além do fato de ser o maior autor da heteronímia.
Largo de São Carlos. Às três horas e vinte minutos da tarde de 13 de Junho de 1888 nascia em Lisboa, capital portuguesa, Fernando Pessoa. O parto ocorreu no quarto andar esquerdo do nº 4 do Largo de São Carlos, em frente da ópera de Lisboa (Teatro de São Carlos). O seu pai era funcionário público do Ministério da Justiça e crítico musical do “Diário de Notícias”, Joaquim de Seabra Pessoa (38), natural de Lisboa; e a sua mãe D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa (26), natural da Ilha Terceira (Açores).

Viviam com eles a avô Dionísia, doente mental e duas criadas velhas, Joana e Emília.
É batizado em 21 de Julho na Igreja dos Mártires, no Chiado. Os padrinhos são a sua Tia Anica (D. Ana Luísa Pinheiro Nogueira, sua tia materna) e o General Chaby. A razão por detrás do nome Fernando Antônio encontra-se relacionada com Santo Antônio: a sua família reclamava uma ligação genealógica com Fernando de Bulhões, nome de batismo de Santo Antônio, cujo dia tradicionalmente consagrado em Lisboa é 13 de Junho, dia em que Fernando Pessoa nasceu.


Ainda bebê com mãe Maria Magdalena

A Mãe Maria Magdalena
Maria Magdalena Pinheiro Nogueira (1962-1925) era filha do conselheiro Luís Antônio Nogueira, açoriano, conhecido jurisconsulto, que foi diretor-geral do Ministério do Reino e conviveu com várias figuras célebres da época, como Manuel de Arriaga ou o poeta Tomás Ribeiro e de Madalena Xavier Pinheiro, também açoriana.
Maria Magdalena teve uma educação esmeradíssima, falando francês, inglês e alemão, gostava muito de ler e até de fazer versos. Aprendeu o inglês com o preceptor dos infantes D. Carlos e D. Afonso, o que é significativo do nível social da família.

Antônio Botto – Poeta


* Abrantes, Portugal – 17 de Agosto de 1897 d.C
+ Rio de Janeiro, 16 de Março de 1959 d.C

Antônio Botto nasceu em Concavada, freguesia do conselho de Abrantes, Portugal, filho de Maria Pires Agudo e de Francisco Thomaz Botto. O seu pai trabalhava como “marítimo” no rio Tejo. Em 1908 a sua família mudou-se para o bairro de Alfama em Lisboa, onde cresceu no ambiente popular e típico desse bairro, que muito influenciou a sua obra. Recebeu pouca educação formal e trabalhou em livrarias, onde travou conhecimento com muitas das personalidades literárias da época, e foi funcionário público. Em 1924-25 trabalhou em Santo António do Zaire e Luanda, na então colônia de Angola.

A sua obra mais conhecida, e também a mais polêmica, é o livro de poesia Canções que, pelo seu caráter abertamente homossexual, causou grande agitação nos meios religiosamente conservadores da época. Foi amigo pessoal de Fernando Pessoa que traduziu em 1930 as suas Canções para inglês, e com quem colaborou numa Antologia de Poemas Portugueses Modernos. Homossexual assumido (apesar de ser casado com Carminda Silva), a sua obra reflete muito da sua orientação sexual e no seu conjunto será, provavelmente, o mais distinto conjunto de poesia homoerótica de língua portuguesa. Morreu atropelado em 1959 no Brasil, para onde se tinha exilado para fugir às perseguições homófobas de que foi vítima, na mais dolorosa miséria. Os seus restos mortais foram trasladados para o cemitério do Alto de São João, em Lisboa, em 1966.
Antônio Botto tinha uma forte personalidade. Descrevem-no como magro, de estatura média, um dandy, de rosto oval, a boca muito pequena de lábios finos, os olhos amendoados, estranhos, inquisitivos e irônicos (de onde por vezes irrompia uma expressão perturbadoramente maliciosa) freqüentemente ocultados sob um chapéu de abas largas.

Tinha um sentido de humor sardônico, incisivo, uma mente e língua perversos e irreverentes, e era um conversador brilhante e inteligente. Era amigo do seu amigo, mas ferozmente ruim se sentia que alguém antipatizava com ele ou não o tratava com a admiração incondicional que ele julgava merecer. Este seu feitio criou-lhe um grande número de inimigos. Alguns dos seus contemporâneos consideravam-no frívolo, mercurial, mundano, inculto, vingativo, mitômano, maldizente e, sobretudo, terrivelmente narcisista a ponto de ser megalômano.

Era visitante regular dos bairros boêmios de Lisboa e das docas marítimas onde desfrutava a companhia dos marinheiros, tantas vezes tema da sua poesia. Apesar de ser sobretudo homossexual, Antônio Botto foi casado até ao final da sua vida com Carminda Silva Rodrigues (”O casamento convém a todo homem belo e decadente”, como escreveu).

Anotações à margem de páginas do Livro As Canções de Antônio Botto

Despedido

Em 9 de Novembro de 1942 Antônio Botto foi demitido do seu emprego na função pública (escriturário de primeira-classe do Arquivo Geral de Identificação) por:

“(a) ter desacatado uma ordem verbal de transferência dada pelo primeiro oficial investido ao tempo em funções de diretor, por impedimento do efetivo;

b) não manter na repartição a devida compostura e aprumo, dirigindo galanteios e frases de sentido equívoco a um seu colega, denunciando tendências condenadas pela moral social;

c) “fazer versos e recitá-los durante as horas regulamentares do funcionamento da repartição, prejudicando assim não só o rendimento dos serviços, mas a sua própria disciplina interna.”

Ao ler o anúncio publicado no Diário do