Gilka Machado – Poeta

Gilka Machado

Gilka Machado Blog Biografias Vida e Arte 01

Gilka da Costa de Melo Machado *Rio de Janeiro, RJ – 1893 d.C + Rio de Janeiro, RJ – 1980 d.C

Gilka Machado sempre esteve muito à frente de seu tempo. Ousou em uma época na qual as mulheres estavam confinadas à uma vida domésticas e recatada, escrever poesias usando uma linguagem abertamente erótica na literatura feminina. Além de poeta Gilka Machado foi uma ativista engajada na defesa dos direitos das mulheres, em um Brasil rigidamente machista. Liderou destemidamente movimentos pelo direito dos voto às mulheres, quando o adjetivo feminista não era sequer sussurrado nos salões da sociedade carioca. Gilka Machado casou com um artista: o poeta, jornalista e crítico de arte Rodolfo Machado, em 1910, que morreria dali a 13 anos, deixando a esposa com dois filhos, Eros Volúsia e Hélios. Desde criança Gilka Machado fazia versos, e com 13 anos ganhou um concurso pelo jornal A Imprensa, arrebatando os 3 primeiros prêmios, com poemas assinados com seu próprio nome e com pseudônimos. Seu primeiro livro de poesia, “Cristais Partidos”, foi publicado em 1915 quando Gilka tinha somente 15 anos de idade. Em 1916 foi publicada sua conferência “A Revelação dos Perfumes”, no Rio de Janeiro.  Ao longo da década de 1920, publicou  “Estados d’Alma” (1917), “Mulher Nua”(1922), “Meu Glorioso Pecado” (1928), “Amores Que Mentiram, Que Passaram”(1928), e “Carne e Alma”, em 1931.Gilka Machado Blog Biografias Vida e Arte Livro Estados da Alma Em 1932, foi publicada em Cochabamba, Bolívia, a antologia “Sonetos y Poemas de Gilka Machado”, com prefácio Antonio Capdeville. No ano seguinte, a escritora foi eleita “a maior poetisa do Brasil”, por concurso da revista “O Malho”, do Rio de Janeiro. “Sublimação” foi publicada em 1938, “Meu Rosto” em 1947, “Velha Poesia” em 1968 e suas “Poesias Completas” editadas em 1978.Gilka Machado Blog Biografias Vida e Arte  03 Em 1979, foi agraciada com o prêmio Machado de Assis pela Academia Brasileira de Letras. Nesse mesmo ano a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro prestou homenagem à mulher brasileira na pessoa da poeta. Gilka Machado tinha sangue de artista nas veias: a mãe, Thereza Christina Moniz da Costa, era atriz de teatro e de rádio-teatro, e a filha, Eros Volúsia, foi bailarina consagrada e pesquisadora das danças nativas brasileiras. Além disso, sua família incluía poetas e músicos famosos. No início da década de 1930 sua popularidade aumentou ao ter poemas traduzidos para o espanhol, tanto em antologia quanto em volume com poemas só seus. E no ano seguinte sua popularidade foi testada: ganhou, com grande margem de votos, um concurso promovido pela revista O Malho, quando então foi aclamada como a maior poetisa brasileira, selecionada entre 200 intelectuais. Em seguida viajou para a Argentina, onde foi recebida com carinho pelo público leitor. Fez outras viagens ao longo da década de 1940, para os Estados Unidos e para a Europa, além das que fez pelo interior do Brasil. Seus poemas foram também republicados em outros volumes: os dois primeiros livros, em “Poesias”, de 1918; e alguns, escolhidos, em “Carne e Alma”, de 1931, em “Meu Rosto”, de 1947, e em “Velha Poesia”, de 1965, antes que as “Poesias Completas”ganhassem duas edições: em 1978 e em 1991. Poderia ter sido a primeira mulher a fazer parte da Academia Brasileira de Letras quando, após mudança do estatuto que proibia o ingresso de mulheres, lhe teria sido possível candidatar-se, atendendo a convite que lhe foi dirigido por Jorge Amado e apoiado por outros acadêmicos. Mas recusou o convite. Gilka Machado Blog Biografias Vida e Arte Livro Poesias CompletasRecebeu, contudo, da Academia Brasileira de Letras, em 1979, o Prêmio Machado de Assis, pela publicação do volume de suas “Poesias Completas”. Encerrou sua carreira com o poema “Meu Menino”, escrito por ocasião da morte do filho Hélios, ocorrida em 1976. Como se pode perceber a partir dos títulos de seus livros, sua poesia se detém nas experiências de uma intimidade sensível, que manifesta, explicitamente, suas sensações, emoções e desejos eróticos. Aliás, lembre-se que em 1916 fez conferência sobre “A Revelação dos Perfumes”… Para expressar tais sensações, usou nos poemas um vocabulário inusitado: empregou, por exemplo, a palavra”cio”. E mostrou a mulher esvaída em sensualidade, numa poesia que se constrói tanto segundo a rigidez formal de tradição parnasiana quanto dando vazão às ondas de languidez que atravessam o seu verso à moda simbolista. Daí uma reação dupla por parte do público, pois causa tanto a admiração, por parte de uns, em que se incluem as mulheres que encontram aí uma porta-voz na representação de experiências da intimidade, até então proibida, quanto a rejeição severa por parte de uma crítica moralista conservadora. Para os que a defenderam, como Henrique Pongetti, Humberto de Campos, Agrippino Grieco, foi preciso separar a Gilka Machado dos domínios da arte (a poeta) da Gilka Machado dos domínios da vida (mãe virtuosa), com o intuito de inocentá-la de uma sensualidade pecadora. Mas foi justamente por essa força reivindicadora patente na mistura bem dosada de rigor formal e sensualidade ousada, que sua poesia ganhou força e até hoje permanece, enquanto marco na história de resistência à situação de alienação da mulher. Firmou-se, assim, como precursora na luta pelos direitos de acesso à representação do prazer erótico na poesia feminina brasileira. Publicou vários livros de poesia, como “Mulher Nua” e”Sublimação”. Em 1979, recebeu o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras.


Livros

• Cristais Partidos (1915) • A Revelação dos Perfumes (1916) • Estados de Alma (1917) • Poesias, 1915/1917 (1918) • Mulher Nua (1922) • O Grande Amor (1928) • Meu Glorioso Pecado (1928) • Carne e Alma (1931) • Sonetos y Poemas de Gilka Machado (1932 – na Bolívia) • Sublimação (1938) • Meu Rosto (1947) • Velha Poesia (1968) • Poesias Completas (1978) • A maior poetisa do Brasil (1933- Revista O Malho – Rio de Janeiro) • Prêmio Machado de Assis (1979 – Academia Brasileira de Letras)


Poesias

Symbolos Eu e tu, ante a noute e o amplo desdobramento do mar fero, a, estourar de encontro á rocha nua. Um symbolo descubro aqui, neste momento; esta rocha e este mar… a minha vide e a tua… O mar vem… o mar vae…. nelle ha o gesto violento de quem maltrata e, após, se arrepende e recúa… Como eu comprehendo bem da rocha o sentimento! são bem eguaes, por certo, a minha magua, e a sua! Symbolisa este quadro a nossa propria vida: tu és esse mar bravio, inconstante e inclemente, com carinhos de amante e furias de demente; eu sou a dôr parada, a dôr empedernida, eu sou aquella rocha encravada na areia, alheia ao mar que a punge, ao mar que a afaga alheia… In Estados da alma: poesias. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunaes, 1917. (conservando a ortografia original…) Poema Chuva de cinzas A uma lavadeira Ao vento Símbolos O retrato fiel Frustração Esboço Teus lábios inquietos pelo meu corpo acendiam astros… e no corpo da mata os pirilampos de quando em quando, insinuavam fosforecentes carícias… e o corpo do silêncio estremecia, chocalhava, com os guizos do cri-cri osculante dos grilos que imitavam a música de tua boca… e no corpo da noite as estrelas cantavam com a voz trêmula e rútila de teus beijos… (in Sublimação, 1928) Reflexão Há certas almas como as borboletas, cuja fragilidade de asas não resiste ao mais leve contato, que deixam ficar pedaços pelos dedos que as tocam. Em seu vôo de ideal, deslumbram olhos, atraem as vistas: perseguem-nas, alcançam-nas, detem-nas, mas, quase sempre, por saciedade ou piedade, libertam-nas outra vez. Ela, porém, não voam como dantes, ficam vazias de si mesmas, cheias de desalento… Almas e borboletas, não fosse a tentação das cousas rasas; – o amor de néctar, – o néctar do amor, e pairaríamos nos cimos seduzindo do alto, admirando de longe!… (in Sublimação, 1928) O retrato fiel Não creias nos meus retratos, nenhum deles me revela, ai, não me julgues assim! Minha cara verdadeira fugiu às penas do corpo, ficou isenta da vida. Toda minha faceirice e minha vaidade toda estão na sonora face; naquela que não foi vista e que paira, levitando, em meio a um mundo de cegos. Os meus retratos são vários e neles não terás nunca o meu rosto de poesia. Não olhes os meus retratos, nem me suponhas em mim. Chuva de cinzas na estática mudez da Terra triste e viúva; e, da tarde ao cair, sinto, minha alma, agora, embuça-se na cisma e no torpor se enluva. Hora crepuscular, hora de névoas, hora em que de bem ignoto o humano ser enviúva; e, enquanto em cinza todo o espaço se colora, o tédio, em nós, é como uma cinérea chuva. Hora crepuscular – concepção e agonia, hora em que tudo sente uma incerteza imensa, sem saber se desponta ou se fenece o dia; hora em que a alma, a pensar na inconstância da sorte, fica dentro de nós oscilando, suspensa entre o ser e o não ser, entre a existência e a morte. (Velha Poesia, Ed.Baptista de Souza, Rio, 18965, pag.15) Aos heróis do futebol brasileiro Eu vos saúdo heróis do dia que vos fizestes compreender numa linguagem muda, escrevendo com os pés magnéticos e alados uma epopéia internacional! As almas dos brasileiros distantes vencem os espaços, misturam-se com as vossas, caminham nos vossos passos para o arremesso da pelota para o chute decisivo da glória da Pátria. Que obra de arte ou de ciência, de sentimento ou de imaginação teve a penetração dos gols de Leônidas que, transpondo balizas e antipatias, souberam se insinuar no coração do Mundo! Que obra de arte ou de ciência conteve a idéia e a emotividade de vossos improvisos em vôos e saltos, ó bailarinos espontâneos ó poetas repentistas que sorrindo oferecestes vosso sangue à sede de glória de um povo novo? Ha milhões de pensamentos impulsionando vossos movimentos. Na esportiva expressão que qualquer raça entende longe de nossa decantada natureza os Leônidas e os Domingos fixaram na retina do estrangeiro a milagrosa realidade que é o homem do Brasil. Eia atletas franzinos gigantes débeis que com astúcia e audácia, tenacidade e energia transfigurai-vos, traçando aos olhos surpresos da Europa um debuxo maravilhoso do nosso desconhecido país. Publicado no livro Sublimação (1938). In: MACHADO, Gilka. Poesias completas. Apres. Eros Volúsia Machado. Rio de Janeiro: L. Christiano: FUNARJ, 1991 Emotividade da cor A Dolores Marques Caplonch e a Miguel Caplonch Sete cores — sete notas erradias, sete notas da música do olhar, sete notas de etéreas melodias, de sons encantadores que se compõem entre si, formando outras tantas cores, do cinzento que cisma ao jade que sorri. Há momentos em que a cor nos modifica os sentimentos, ora fazendo bem, ora fazendo mal; em tons calmos ou violentos, a cor é sempre comunicativa, amortece, reaviva, tal a sua expressão emocional. Lançai olhares investigadores para a mancha dos poentes: há cores que são ecos de outras cores, cores sem vibrações, cores esfalecentes, melodias que o olhar somente escuta, na quietude absoluta, ao Sol se pôr… Quem há que inda não tenha percebido o subjetivo ruído da harmonia da cor? (…) — A Cor é o aroma em corpo e embriaga pelo olhar. Cor é soluço, cor é gargalhada, cor é lamento, é suspiro, e grito de alma desesperada! Muitas vezes a cor ao som prefiro porque a minha emoção é igual à sua: — parada, estatelada dizendo tudo, sem que diga nada, no prazer ou na dor. Olhar a cor é ouvi-la, numa expressão tranquila, falar de todas as sensações caladas, dos corações; no entanto, a cor tem brados, mas brados estrangulados, mágoas contidas, mudo querer, ânsia, fervor, emotividade de desconhecidas vidas, que se ficaram na vontade, que não conseguiram ser… Cores são vagas, sugestivas toadas… Cores são emoções paralisadas… (…) Publicado no livro Estados de alma (1917). In: MACHADO, Gilka. Poesias completas. Apres. Eros Volúsia Machado. Rio de Janeiro: L. Christiano: FUNARJ, 1991, p. 141- Encantamento A Francisco Alves Canta, que tua voz ardente e moça faz com que eu sinta a meiguice das palavras que a vida não me disse. Para te ouvir melhor abro as janelas e fico a sós com tua voz sonhando que a noite está cantando pelos lábios de fogo das estrelas. Canta, boca febril que não conheço, que nunca me falaste e que me dizes tudo!… Ave estranha de garras de veludo, entoa para mim uma canção sem fim! Canta, que ao teu canto vejo em tudo quietude atroz de insatisfeito desejo Canta, — em cada ouvido há um beijo para tua linda voz. (…) Publicado no livro Sublimação (1938). In: MACHADO, Gilka. Poesias completas. Apres. Eros Volúsia Machado. Rio de Janeiro: L. Christiano: FUNARJ, 1991, p. 335.

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Henry David Thoreau – Filósofo, poeta, escritor e naturalista

Thoreau
Personalidades - Filósofos - Usa - THOREAU Retrato 01

Henry David Thoreau
* Concord, USA – 12 de Julho de 1817 d.C
+ Concord, USA – 6 de Maio de 1862 d.C
Ensaísta, Poeta, Naturalista E Filósofo Norte americano

Autor estadunidense, poeta, naturalista, ativista anti-impostos, crítico da ideia de desenvolvimento, pesquisador, historiador, filósofo e transcendentalista. Ele é mais conhecido por seu livro Walden, uma reflexão sobre a vida simples cercada pela natureza, e por seu ensaio Desobediência Civil uma defesa da desobediência civil individual como forma de oposição legítima frente a um estado injusto.

Os livros, ensaios, artigos, jornais e poesias de Thoreau chegam a mais de 20 volumes. Entre suas contribuições mais influentes encontravam-se seus escritos sobre história natural e filosofia, onde ele antecipou os métodos e preocupações da ecologia e do ambientalismo. Seu estilo de escrita literária intercala observações naturais, experiência pessoal, retórica pontuada, sentidos simbolistas, e dados históricos; ao mesmo tempo em que evidencia grande sensibilidade poética, austeridade filosófica, e uma paixão “yankee” pelo detalhe prático.

Ele também era profundamente interessado na ideia de sobrevivência face a contextos hostis, mudança histórica, e decadência natural; ao mesmo tempo em que buscava abandonar o desperdício e a ilusão de forma a descobrir as verdadeiras necessidades essenciais da vida.2

Foi também um longevo abolicionista, realizando leituras públicas nas quais atacava as leis contra as fugas de escravos evocando os escritos de Wendell Phillips e defendendo o abolicionista John Brown. A filosofia de Thoreau da desobediência civil influenciou o pensamento político e ações de personalidades notáveis que vieram depois dele, filósofos e ativistas como Liev Tolstói, Mohandas Karamchand Gandhi, e Martin Luther King, Jr.

[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]Thoreau é por vezes citado como um anarquista individualista.3 Ainda que por vezes sua desobediência civil ambicione por melhorias no governo, mais do que sua abolição – “Não peço, imediatamente por nenhum governo, mas imediatamente desejo um governo melhor” – a direção desta melhoria é que ambiciona o anarquismo: “‘O melhor governo é o que não governa. Quando os homens estiverem devidamente preparados, terão esse governo”

Estudou em Harvard, e depois de sua formatura passou dois anos isolado da civilização, num barraco, às margens do lago Walden, absorto na contemplação da natureza. Retornando à civilização, tornou-se professor no liceu de Concord, onde exerceria até sua morte. Fez muitas viagens, descobrindo a beleza de florestas e paisagens naturais.

Entre suas obras destaca-se Walden, or life in the woods, 1854, que é a descrição de sua experiência de dois anos solitário, sobrevivendo apenas do trabalho natural, um livro de descrições exatas e mesmo assim poéticas. Tornou-se um clássico da literatura estado-unidense como sendo um livro de proporções místicas. Um de seus trechos foi repetido em todo mundo na produção cinematográfica Sociedade dos Poetas Mortos: “eu fui à Floresta porque queria viver livre. Eu queria viver profundamente, e sugar a própria essência da vida… expurgar tudo o que não fosse vida; e não, ao morrer, descobrir que não havia vivido”.

Thoreau era abolicionista, amava intensamente a natureza, detestava notícias (poluíam a nossa mente, templo de reflexões, com banalidades), era contra o trabalho desvinculado do prazer (degradava o homem), panteísta, místico, solteirão convicto e contra as “boas maneiras”.

Thoreau foi preso quando deu uma passada pela cidade, para pegar suas botas que estavam no conserto, e apareceram uns guardas – ele não pagara determinados impostos que financiavam a guerra do México havia seis anos. Passou apenas uma noite na cadeia porque um anônimo (possivelmente sua tia, Marie Thoreau) pagou sua dívida – fato por ele reprovado. Na cadeia – curiosa, para ele – , refletiu sobre a mediocridade do Estado, que se comportava como “uma criança aborrecida que chuta o cão de seu desafeto”. Prender seu corpo não era nada; sua mente estava inalterada.

Outra obra importante é o ensaio On the Duty, of Civil Disobedience de 1849, que foi escrito após o autor ter sido preso por se negar a pagar impostos (alegando que estes financiavam a exploração contra o México, que na época teve grande parte de seu território dominado pelos EUA).

Henry-David sofreu grande influência de Rousseau e exerceu forte influência sobre os conceitos de resistência pacífica, desenvolvido por Gandhi e o movimento hippie. As suas obras influenciaram ainda Martin Luther King Junior e Leo Tolstoi. Ele descobriu a paisagem da Nova Inglaterra; influenciado por Emerson, defendeu a tese segundo a qual só no contato com a natureza, longe da civilização, o sonho da liberdade norte-americana se realizaria. Thoreau faleceu em sua cidade natal, em 6 de maio de 1862.
Uma de suas frases foi: “Justiça e liberdade são alicerces da paz”.

A vida nos bosques
Thoreau mantinha-se eternamente insatisfeito com a vida na sociedade e com o modo como as pessoas viviam. Há relatos de que visitou aldeias indígenas só com a roupa do corpo, ao contrário de seus contemporâneos, que o faziam com armas em punho.

Em 1845, com 27 anos, Thoreau foi morar no meio da floresta, em um terreno que pertencia a Ralph Waldo Emerson. Às margens do lago Walden construiu sua casinha e um porão para armazenar comida. Apesar de inexperiente como agricultor, tentou a auto-suficiência e, a longo prazo, teve algum sucesso, plantando batatas e produzindo o próprio pão.

Segundo suas próprias palavras, ele foi morar na floresta porque queria “viver deliberadamente”. Queria se “defrontar apenas com os fatos essenciais da existência, em vez de descobrir, à hora da morte, que não tinha vivido”. Em seu período na floresta, ele queria “expulsar o que não fosse vida”.

Baseado no relato e em todo o pensamento filosófico empreendido nos dois anos em que morou na floresta, Thoreau escreveu “Walden ou A vida nos bosques”, uma obra que se tornaria um referencial para a Ecologia e um de seus livros mais famosos. Além de descrever sua estadia na floresta, “Walden” analisa e condena a sociedade capitalista da época. E, convida a uma reflexão sobre um modo de vida simples, propondo novos olhares sobre o conceito de liberdade.

“Fui para a mata porque queria viver deliberadamente, enfrentar apenas os fatos essenciais da vida e ver se não poderia aprender o que ela tinha a ensinar, em vez de, vindo a morrer, descobrir que não tinha vivido.”

A Desobediência Civil
Insubmisso, Thoreau decide não pagar impostos porque acreditava ser errado dar dinheiro aos EUA, um país esclavagista e em guerra contra o México. Não querendo financiar nem a escravidão nem a guerra, Thoreau foi preso enquanto se dirigia ao sapateiro local, foi abordado e preso e após solto retornou a sua vida a partir do ponto em que a interrompeu, lá regressando para ir buscar os sapatos que mandara arranjar.

A tia de Thoreau pagou a fiança e ele foi solto na manhã do dia seguinte. Inspirado pela noite na prisão, Thoreau escreveu o famoso A Desobediência Civil. Leon Tolstói, um dos mais famosos escritores do mundo venerava este ensaio e o recomendou, por carta, a um jovem indiano preso na África do Sul. Este jovem indiano era Mahatma Gandhi.

Fim da vida
Thoreau, que havia saído das florestas a pedido do proprietário do lugar, passou o resto de sua vida empreendendo grandes passeios às florestas e aos campos e também escrevendo muito. Ele acabaria morrendo em 1862 de tuberculose. Encontra-se sepultado no Sleepy Hollow Cemetery, Concord, Massachusetts nos Estados Unidos.5

A casa que construiu no lago Walden, hoje é um museu que possui uma estátua sua na entrada. A floresta em volta do lago virou área de preservação ambiental. É considerado um dos grandes escritores norte-americanos.

Ideais

Thoreau ecologista
Thoreau era um amante da natureza. É considerado, junto com os povos indígenas, um dos avós do movimento ecológico que ganharia forma nos anos 1960. Seus textos e discursos falam sempre sobre as vantagens da vida natural e livre. Ele sempre associava natureza e liberdade e, neste aspecto, sofreu forte influência de Jean-Jacques Rousseau e de textos orientais.

Seu ambientalismo se expressa na frase: “Quero dizer uma palavra em defesa do ambiente natural e da liberdade absoluta. Uma declaração extrema pois já há muitos defensores da civilização”.

Amava os animais, gostando de observá-los. “Tornei-me vizinho dos pássaros, não por ter aprisionado um, mas por ter me engaiolado perto deles”, disse em “Walden”. Até o final de sua vida, fez longos passeios pela natureza e dava preferência aos recantos mais selvagens e, em sua concepção, mais livres. Dizia preferir o pântano mais lamacento ao mais belo jardim.

Thoreau era também cético com relação ao progresso tecnológico, especialmente por ser contrário ao embrião de sociedade de consumo que já era a sociedade americana da época.

Thoreau libertário
Influenciou fortemente o anarquismo e admiradores desta filosofia. Seu ensaio “A Desobediência Civil” é a base de ação para coletivos de libertários e alguns anarcossindicalistas, além de ter sido posto em prática com sucesso por Mahatma Gandhi.

Seu pensamento libertário pode ser resumido em três de suas famosas frases:

A crítica ao capitalismo e à sociedade de consumo: “Desfruta a terra, mas sem possuí-la. Por falta de iniciativa, os homens estão onde estão, comprando e vendendo, desperdiçando a vida como escravos”.

A crítica ao Estado: “O melhor governo é o que nada governa”.

A crítica à propriedade privada: “Bem que gostaria de contar tudo que sei a propósito e nunca me ver obrigado a pintar em meu portão: Entrada Proibida”.

Apesar de suas críticas à sociedade de consumo, à escravidão, à guerra, à devastação ambiental e a tantas outras facetas da sociedade de sua época, Thoreau preferia não se definir sob nenhuma classificação política.

Pacifismo e Abolicionismo
A prisão de Thoreau se deveu justamente ao fato de ele ter deixado de pagar impostos ao governo americano. Além de suas tendências anárquicas, Thoreau explica que não queria financiar um Estado escravocrata e tampouco uma guerra. Naquela época os EUA mantinham negros como escravos e estavam em uma guerra imperialista contra o México, com o objetivo de anexar territórios.

A posição de Thoreau como abolicionista e defensor da causa negra está registrada em seus textos. Mas não somente isso: ele teve atuação na Underground Railway (ferrovia subterrânea), uma rota de fuga que levava escravos negros para uma vida livre no Canadá.

A cabana de madeira que Thoreau construiu nas imediações do lago Walden não existe mais. Hoje, em local aproximado onde se situava há uma replica, ponto de visitação de turistas.

Frases de Thoreau

  • Nunca é tarde para abrirmos mão dos nossos preconceitos.
  • Sob um governo que prende injustamente, o lugar de um homem justo também é na cadeia.
  • Não basta uma informação de como ganhar a vida simplesmente com honestidade e honra, mas que tal ato seja atraente e glorioso, pois se ganhar a vida não for atraente e glorioso não é a vida que se ganha.
  • Fui para os Bosques viver de livre vontade. Para sugar todo o Tutano da Vida. Para aniquilar tudo o que não era vida e para quando morrer, não Descobrir que não vivi.
  • Aquilo que um homem pensa de si mesmo – é isso que determina, ou antes indica, o seu destino.
  • Um grão de ouro é capaz de dourar uma grande superfície, mas não tão grande como um grão de sabedoria.
  • Vá confiantemente na direção de seus sonhos. Viva a vida que você imaginou.
  • A maioria dos homens vivem vidas de silencioso desespero.
  • “Quem avança confiante na direção de seus sonhos e se empenha em viver a vida que imaginou para si encontra um sucesso inesperado em seu dia-a-dia.
  • Se você já construiu castelos no ar, não tenha vergonha deles. Estão onde devem estar. Agora, dê-lhes alicerces.
  • Fazer todos os dias um bom dia, essa é a mais elevada das artes.
  • Não é o que olhamos que importa, é o que vemos.
  • A maioria dos homens vivem vidas de silencioso desespero
  • Se um homem marcha com um passo diferente do dos seus companheiros, é porque ouve outro tambor.
  • As coisas não mudam; nós é que mudamos
  • Muitas vezes perco a esperança de conseguir neste mundo algo de simples e honesto com ajuda dos homens. Não esqueçamos, no entanto, que grãos de trigo egípcio chegaram até nós por intermédio de uma múmia.
  • Dá teu voto inteiro, não uma simples tira de papel, mas toda tua influência.
  • Se queres um escudo impenetrável, permanece dentro de ti mesmo.
  • A riqueza supérflua só pode comprar coisas supérfluas.
  • Desfruta de verdadeiro lazer quem tem tempo para melhorar o estado de sua alma.
  • O dinheiro não é necessário para comprar uma única necessidade da alma.
  • Aquilo que um homem pensa de si mesmo – é isso que determina, ou antes indica, o seu destino.
  • Fui para os Bosques viver de livre vontade. Para sugar todo o Tutano da Vida. Para aniquilar tudo o que não era vida e para quando morrer, não Descobrir que não vivi.
  • Uma vida de cada vez
  • Desfruta a terra, mas sem possuí-la. Por falta de iniciativa, os homens estão onde estão, comprando e vendendo, desperdiçando a vida como escravos
  • Nossa vida mais real acontece quando vivemos nossos sonhos acordados.
  • Um homem é rico na proporção do número de coisas de que ele é capaz de abrir a mão.
  • Não nasci para ser forçado a nada. Respirarei a meu próprio modo
  • A melhor coisa que posso fazer pelo meu amigo é simplesmente ser seu amigo.
  • Nunca é tarde para abrirmos mão dos nossos preconceitos.
  • Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade.
  • Desfruta a terra, mas sem possuí-la. Por falta de iniciativa, os homens estão onde estão, comprando e vendendo, desperdiçando a vida como escravos

Bibliografia

A Week on the Concord and Merrimac Rivers (1839)
A desobediência civil (Civil disobedience, 1849)
Slavery in Massachusetts (1854)
Walden (1854)
A Plea for Captain John Brown (1860)
Excursions (1863)
The Maine Woods (1864)
Cape Cod (1865)
Early Spring in Massachusetts (1881)
Summer (1884)
Winter (1888)
Autumn (1892)
Miscellanies (1894)

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