Oswaldo Aranha – Político

Osvaldo Euclides de Sousa Aranha
* Alegrete, RS – 15 de Fevereiro de 1894 d.C
+ Rio de Janeiro, RJ – 27 de Janeiro de 1960 d.C

“O Senado é um deserto de homens e idéias” – Oswaldo Aranha

Filho do coronel Euclides de Sousa Aranha e de Luísa de Freitas Vale Aranha, proprietários da estância Alto Uruguai no município gaúcho de Itaqui. Segundo entre os 11 filhos do casal, descendia diretamente, pelo lado paterno, de Maria Luzia de Sousa Aranha, baronesa de Campinas (da região paulista que hoje corresponde à cidade do mesmo nome), cujo marido foi um dos responsáveis pelo início do plantio de café na província de São Paulo. Seu pai, paulista de nascimento, exercia a chefia do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) em Itaqui. Na família de sua mãe, dedicada tradicionalmente à política em Alegrete, destacou-se Luís de Freitas Vale, barão de lbirocaí.

Casa dos avós, onde nasceu

Cursou, no Rio de Janeiro, o Colégio Militar e a Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais. Também estudou em Paris antes de advogar em seu estado natal e de ingressar na política.

Em 1923, quando explodiu a luta fratricida entre “chimangos” (aliados de Borges de Medeiros – presidente da província) e “maragatos” (opositores à sua quinta reeleição), chegou a pegar em armas e lutou a favor do sistema republicano de Borges de Medeiros.

Pouco depois de haver fixado residência em Uruguaiana, casou-se, em meados de junho, com Delminda Benvinda Gudolle, de quem teve quatro filhos: Euclides, Osvaldo, Delminda e Luísa.

Em 1925, foi intendente de Alegrete. Então, introduziu muitas modernizações, como, por exemplo, a excelente rede de esgotos da cidade. Com sua peculiar diplomacia, conseguiu a paz entre as famílias separadas pelos conflitos políticos de 1923.

Dois anos mais tarde era eleito deputado federal. Em 1928, tornou-se secretário do Interior, onde dedicou grande esforço para obras educacionais.

Foi amigo e aliado de Getúlio Vargas e, foi o grande articulador da campanha da Aliança Liberal nas eleições e agiu nos bastidores para organizar o levante armado que depôs Washington Luís e tornou realidade a Revolução de 1930. Em vista da vitória do movimento, Osvaldo Aranha negocia com a Junta Militar, no Rio de Janeiro, a entrega do governo a Vargas.

Telegrama de Getúlio Vargas a Oswaldo Aranha
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Foi um dos principais articuladores da Revolução de 30, que começou em Porto Alegre precisamente às 17:30h do dia 3 de outubro, chefiando junto a Flores da Cunha o ataque aos quartéis da rua da Praia, sedes dos comandos do Exército e da Região Militar.

Em 11 de outubro de 1930, Getúlio Vargas passou o poder do estado para Osvaldo Aranha, antes de rumar para Ponta Grossa (PR), onde estabeleceria seu quartel-general e assumiria o comando das forças revolucionárias em marcha para a capital da República.

A primeira e a última página da carta de Getúlio Vargas a Oswaldo Aranha, então embaixador do Brasil nos Estados Unidos,
sobre os levantes de Recife, Natal e Rio de Janeiro em 14/12/1935

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Posteriormente, foi nomeado ministro da Justiça e, em 1931, ministro da Fazenda. Neste cargo, promoveu o levantamento de empréstimos que os Estados e municípios haviam contraído no estrangeiro, no período anterior a 1930, tendo em vista a consolidação global da dívida externa brasileira.
Criou o “Esquema Aranha” destinado a evitar o aumento da dívida externa e que possibilitou uma redução real da dívida. Durante os quatro anos do esquema, o país pagou 33,6 milhões de libras, quando deveria ter pago 90,7 milhões de libras, o que proporcionou um ganho real, considerada a redução real dos pagamentos de juros e o adiamento dos pagamentos dos fundos de amortização, de 57,1 milhões de libras.

Cédula de 5 Mil Reis – Verso com a efígie de Oswaldo Aranha – 1931
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Alijado do processo político para a escolha do interventor em Minas Gerais, Osvaldo Aranha pediu demissão do cargo em 1934. No mesmo ano, aceitou o cargo de embaixador em Washington. Nesse período como embaixador, se impressionou com a democracia estadunidense. Atuou sempre em defesa das relações brasileiras com os Estados Unidos e se tornou amigo pessoal do presidente Roosevelt. Tornou-se muito prestigiado no cargo e foi convidado para palestras em todo o país.

Demitiu-se do cargo de embaixador por não aceitar os caminhos que o Brasil traçara com a declaração do Estado Novo em 1937. Em março de 1938, é convencido por seu amigo Vargas a assumir o ministério das Relações Exteriores e, no cargo, lutou contra elementos germanófilos dentro do Estado Novo em busca de maior aproximação com os Estados Unidos no conturbado período que antecedeu à Segunda Guerra Mundial. Sob sua direção, o Itamaraty sofreu grandes reformas administrativas.

Superticioso, ao voltar de Portugal, prestou atenção num vaso de violetas que servia de enfeite no navio. Pouco depois, o barco quase foi a pique ao chocar-se com outro. Oswaldo Aranha passou a considerar as violetas um “mau presságio”. Quando avistava um ramalhete, preparava-se para o pior.

Projeção internacional
No processo de envolvimento brasileiro à Segunda Guerra Mundial, Aranha teve papel fundamental, representando no governo a ala pan-americanista, defendendo uma aliança com os Estados Unidos sempre em oposicão aos chefes militares, capitaneados, principalmente pelo ministro da Guerra Eurico Gaspar Dutra, que eram partidários de uma aproximação com a Alemanha.

Na Conferência do Rio, em janeiro do 1942, presidida por Osvaldo Aranha, o Brasil, e todas os países americanos decidem por romper as relações com os países do Eixo menos Argentina e Chile, que o fariam posteriormente. A decisão foi uma vitórias das conviccçoes panamericanas de Aranha.

Em 1944, Aranha se demite do cargo de chanceler, após ser enfraquecido dentro do governo e pelo fechamento da Sociedade dos Amigos da América, do qual era vice-presidente. Para muitos observadores da época, Aranha era o candidato natural nas eleições de 1945, mas a parca base política e a fidelidade a Vargas o impediram de disputar as eleições.

Voltou a cena política em 1947, como chefe da delegação brasileira na recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU). Presidiu a II Assembléia Geral da ONU que votou pela partilha da Palestina, fato que rendeu a Aranha eternas gratidões dos judeus e sionistas por sua atuação.

Em 1953, no segundo governo Vargas, voltou a ocupar a pasta da Fazenda e introduziu reformas com o objetivo de estabilizar a situação caótica econômica que o país enfrentava. Com a morte do amigo Vargas, Osvaldo Aranha se retira do governo e passa a dar atenção aos seus negócios pessoais e à advocacia. No governo Juscelino Kubitschek, retorna à ONU, à frente da delegação brasileira, para fechar com êxito sua carreira política.

Em 1958 seu nome foi cogitado para concorrer ao Senado, tanto pelo Distrito Federal quanto pelo Rio Grande do Sul. Dois anos mais tarde concorreria à vice-presidência da República na chapa encabeçada pelo general Henrique Teixeira Lott.

Na noite do dia 27 de janeiro de 1960, Osvaldo Aranha faleceu em sua residência. Sua morte causou grande impressão tanto no Brasil como no mundo. Seu enterro, acompanhado por milhares de pessoas, reuniu os maiores nomes da política brasileira, entre eles o presidente Juscelino Kubitschek (que, inclusive, foi um dos que carregaram o caixão de Aranha), Tancredo Neves e Horácio Lafer.

Túmulo de Oswaldo Aranha, no Rio de Janeiro
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Membro de uma família tradicional do Brasil do século XIX, Oswaldo Aranha herdou dos pais o gosto pelos livros.

Leitor compulsivo, adorava escrever cartas e teve discursos e conferências publicados. Entre seus autores prediletos estavam Victor Hugo, Eça de Queiroz, Joaquim Nabuco, Machado de Assis e, embora não fosse positivista ele gostava de ler as obras do filósofo Augusto Comte.

Instituto de Educação Oswaldo Aranha – Alegrete, Rio Grande do Sul
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Um conselho Oswaldo Aranha guardava aos mais jovens, indecisos quanto ao rumo que deveriam tomar: “Meu filho, segue a tua inspiração.” Figura romântica da primeira metade do século, ele não fez outra coisa na vida senão correr atrás de suas intuições.

Um trabalho minucioso de análise de seu acervo de livros é realizado pelos professores da Universidade da Campanha de Alegrete, no Rio Grande do Sul. Ao todo são 11.485 volumes constantes de sua biblioteca pessoal.

Os professores pretendem delinear um novo perfil da personalidade histórica de Oswaldo Aranha: “Com esse vasto acervo é possível contar e recontar a história desse político e diplomata”, afirma um dos responsáveis pelo projeto de preservação da biblioteca particular de Oswaldo Aranha, localizada no prédio do Instituto Estadual de Educação Oswaldo Aranha, na cidade de Alegrete (RS), professor Schervenski Pereira.

As obras do jurista, estadista e ministro da Fazenda da República, Rui Barbosa aparecem com destaque no acervo de Oswaldo Aranha. Inicialmente com 4.585 livros, o acervo foi doado pelo próprio Aranha em 1942, para mais tarde, 1962, mais de 7 mil exemplares de obras variadas virem a ser doados pela família do ex-ministro.
Além disso, também compõe o acervo mais de mil recortes de jornais feitos a pedido do diplomata, sobre o que saia na imprensa a seu respeito: esses recortes integram o acervo do Museu Oswaldo Aranha, também em Alegrete.

Entre as preciosidades do acervo está a coleção do jornal A Federação (1884-1937), órgão oficial do partido Republicano Rio-grandense, autografada pelo líder federalista Joaquim Francisco de Assis Brasil, inimigo de Borges Medeiros, de quem Aranha era defensor.

Frases

“Viver é a melhor e mais bela forma de morrer.”
“Os homens desse país têm o traço de suas geografias”.
” A vida diplomática ou é uma devoção, ou uma vulgaridade.”
” O desarmamento espiritual é a base do futuro das nações”.
“O medo da verdade é o mais covarde dos medos”.
“Não é pela violência que se fazem as conquistas”.
“O berço que marcou minha vida foi aquecido no fogão das revoluções”.
“Quem quiser escrever a história do Brasil tem que molhar a pena no sangue do Rio Grande”.
“Queremos que os governos tenham o programa do povo, e não que o povo tenha o programa dos governos…”
“Os homens, como os povos, são o que foram suas ações e o que são suas idéias”.
“Trago comigo o orgulho e a predestinação de minha terra e sinto, com o máximo orgulho, que, ao contar-vos coisas de mim mesmo, vos revelo apenas que a imagem desses recantos tem sido a estrela tutelar de minha cruzada.”

Árvore Genealógica

FAMÍLIA FREITAS VALLE (Família materna de Oswaldo Aranha):
01 – Luiz Ignácio Jacques (pai de Luiza Fermina Jacques, que casou com Manoel de Freitas Valle). Trabalhou como vereador durante quatro gestões. Foi eleito vereador em fevereiro de 1834 a 1840, reeleito de 1840 a 1845. Foi Presidente da Câmara de Vereadores duas vezes de 1845-1849 e 1860-1864.

02 – Manoel de Freitas Valle (pai), criador, comerciante da Firma Jacques & Freitas e político. Foi vereador no período de 1864-1867 a 1868-1872, em dois períodos legislativos.

03 – Dr. Simplício Ignácio Jacques, Presidente da Câmara, na gestão (1876-1880), comerciante, homem de muita visão. Como presidente da Câmara de Vereadores, fazia o papel de Poder Executivo.

04 – Luiz Jacques de Freitas Valle, Barão do Ibirocay, Presidente da Câmara de Vereadores de 1884 a 1888; foi Presidente do Partido Conservador; foi criador e financiador da campanha abolicionista, através do Clube Emancipador; foi Presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro; foi fundador e primeiro Presidente da Federação das Associações Comerciais do Brasil; foi diretor da Companhia Estradas de Ferro São Luiz e Caxias, no Estado do Maranhão. Era filho de Manoel de Freitas Valle.

05 – José Jacques de Freitas Valle, irmão do Barão do Ibirocay, foi Senador da República, por São Paulo; teve uma casa de cultura em São Paulo, chamada Villa Kyrial, freqüentada pela mocidade intelectual da época, como Manoel Bandeira, Tarcila do Amaral, entre outros. Foi poeta, usando o pseudônimo de Jaques Davrey.

06 – Coronel Manoel de Freitas Valle Filho, Intendente em três administrações: (1901-1904); de janeiro a setembro de 1905, quando renunciou para ser Vice-Governador do Estado do Rio Grande do Sul; e de 1913 a 1916, quando faleceu.

07 – D. Luiza Jacques de Freitas Valle Aranha, mãe do Dr. Oswaldo Aranha, teve um desempenho social de alta valia, sendo precursora, em Alegrete, da assistência social.

08 – Dr. Oswaldo Euclides de (Freitas Valle) Souza Aranha foi advogado, revolucionário, Prefeito de Alegrete, Deputado Estadual, Deputado Federal, Secretário do Interior do Rio Grande do Sul, Governador do Rio Grande do Sul, Ministro da Justiça, Ministro da Fazenda, duas vezes, Ministro da Agricultura, Embaixador nos Estados Unidos, Ministro das Relações Exteriores, Presidente da ONU em duas Sessões.

09 – Dr. Antônio Freitas Valle, Vice-intendente na gestão do Dr. Francisco Carlos de Sá Dornelles 1921-1922; assumiu como Intendente no período de 1922 a 1924; foi Intendente de 1929 a 1930; foi Interventor Estadual de 1930 a 1933, sendo então o primeiro cidadão a usar o título de Prefeito Municipal; foi Chefe de Polícia da região; foi Cônsul do Rio Grande do Sul, na cidade de Salto, no Uruguai, durante 20 anos.

Fontes:
° CEPAL – Centro de Pesquisa e Documentação de Alegrete (criador e diretor: Prof. Danilo Assumpção Santos).
° Emir Garaialde Peres – ” As Ruas do Alegrete – I”- Ed. Machris, Santa Maria-RS, 1989.
° Homepage O Nosso Guia (http://www.onossoguia.com.br)
° Profª Andréa Motta de Oliveira, diretora do Museu Oswaldo Aranha.
° Jornal Expresso Minuano – Retrospectiva 2007 – edição nº 377/378 de 30-12-2007.

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração, Tecnologia da Informação e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, USA. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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