Nelson Rodrigues – Dramaturgo

Foto de Nelson Rodrigues, dramaturgo, escritor e jornalista

Nelson Rodrigues
* Recife, PE. – 23 de Agosto de d.C
+ Rio de Janeiro, RJ. – 21 de Dezembro de 1980 d.C

Nasceu em Recife, 5º filho dos 14 que tiveram o Jornalista Mário Rodrigues e Maria Esther Falcão. Além de nelson nasceram em Recife: Milton, Roberto, Mário Filho, Stella e Joffre. No Rio de Janeiro nasceram os outros oito irmãos: Maria Clara, Augustinho, Irene, Paulo, Helena, Dorinha, Elsinha e Dulcinha.

Seu pai, deputado e jornalista do Jornal do Recife, por problemas políticos resolve se mudar para o Rio de Janeiro, onde vem trabalhar como redator parlamentar do jornal Correio da Manhã.

Em julho de 1916, d. Maria Esther e filhos chegam ao Rio de Janeiro num vapor do Lloyd.

Haviam vendido tudo no Recife para cobrir as despesas de viagem, e tiveram que ficar hospedados na casa de Olegário Mariano por algum tempo. Em agosto de 1916 alugaram uma casa na Aldeia Campista, bairro da Zona Norte da cidade, na rua Alegre, 135, onde a família Rodrigues teve seu primeiro teto na cidade.

Aos 4 anos de idade um fato pitoresco: uma vizinha, d. Caridade, invade a sua casa e diz para sua mãe: “Todos os seus filhos podem freqüentar a minha casa, dona Esther. Menos o Nelson.” Como ninguém entendesse a razão de tal proibição, ela afirmou: vira Nelson aos beijos com sua filha Odélia, de três anos, com ele sobre ela, numa atitude assim, assim. Tarado!

Aos sete anos, em 1919, pediu a sua mãe para ir a escola. Foi matriculado na escola pública Prudente de Morais, a dois quarteirões de sua casa. Aprendeu a ler rapidamente e era por isso elogiado por sua professora, d. Amália Cristófaro.

Em 1920 ocorreu um fato que, depois, se transformou num dos favoritos do escritor: o do concurso de redação na classe. D. Amália passou a lição: cada aluno deveria escrever sobre um tema livre. A melhor redação seria lida em voz alta na classe. Finda a aula, as composições foram entregues. A professora quase foi ao chão com o trabalho de Nelson: era uma história de adultério.

O marido chega em casa, entra no quarto, vê a mulher nua na cama e o vulto de um homem pulando pela janela e sumindo na madrugada. O marido pega uma faca e liquida a mulher. Depois ajoelha-se e pede perdão.

A redação, apesar do espanto que causou em todo o corpo docente, não tinha como não ser premiada, muito embora não pudesse ser lida na classe. A professora inventou um empate e leu a outra composição.

Nesse período, Nelson presenciou grandes discussões entre seus pais, causadas por ciúmes que seu genitor tinha de sua mãe.

Influenciado por seus irmão mais velhos, passou a ter a leitura como passatempo, saindo rapidamente do Tico Tico para romances mais “pesados” como Rocambole, de Ponson du Terrail, Epopéia do Amor, Os Amantes de Veneza e Os Amores de Nanico, de Michel Zevaco, O Conde de Monte Cristo e as Memórias de um Médico, de Alexandre Dumas, os fascículos de Elzira, a Morta-Virgem, de Hugo de América, e outros mais.

Mudavam os autores, mas no fundo era uma coisa só: a morte punindo o sexo ou o sexo punindo a morte.

Foi em 1919 que o autor descobriu o Fluminense.

Foi o primeiro ano do tricampeonato do tricolor, muito embora nem ele nem seu irmão Mário Filho, posteriormente famoso como jornalista esportivo e que teve seu nome escolhido para ser o nome oficial do estádio do Maracanã, tivessem dinheiro para sair da rua Alegria e se deslocarem até Laranjeiras para ver o seu time jogar.

Consolidado seu prestígio junto a Edmundo Bittencourt, do Correio da Manhã, Mário Rodrigues, o pai, junta sua família e muda-se para a Tijuca, fato que, na época, era mostra de nítida melhora de padrão de vida.

Estávamos em 1922. No ano de 1926 foi expulso do Colégio Batista, na Tijuca, na segunda série do ginásio, por rebeldia.

Nelson vivia contestando seus professores, em especial dos de Português e História.

Foi, então, matriculado no Curso Normal de Preparatórios, na rua do Ouvidor, pois seu pai esperava que ele futuramente prestasse exames no famoso Colégio Pedro II. Para compensar a falta de contato com os filhos, Mário Rodrigues permitia sua ida ao Correio da Manhã para visitá-lo. Dizem que jamais sonhou em ter seus filhos jornalistas: as meninas seriam médicas, os meninos advogados.

Afinal, a vida que levava não era nada fácil: nomeado diretor do jornal, meteu-se numa batalha entre Epitácio Pessoa e Artur Bernardes, o que lhe custou um ano de cadeia, em 1924.

O motivo: denunciou que usineiros pernambucanos (eles já existiam!) haviam dado um colar no valor de 120 contos de réis a esposa do então presidente Epitácio Pessoa, d. Mary.

Negando-se a fugir do país, ficou preso no Quartel dos Barbonos, na rua Evaristo da Veiga, no Rio de Janeiro.

A partir da data de sua prisão o jornal que dirigia – Correio da Manhã – foi silenciado pelo governo por oito meses.

Antes de seu pai ser preso, Nelson e família haviam mudado para uma casa na rua Inhangá e eram vizinhos do hotel Copacabana Palace. Ali, aos doze anos, o autor aprendeu a nadar.

Mas, aos poucos, a medida em que entrava na adolescência, foi sendo possuído por uma indolência melancólica, ficando depressivo, suspirando pelos cantos e dizendo: “Eu sou um triste!“.

Nelson inicia sua carreira jornalística em 29 de dezembro de 1925, como repórter de polícia, ganhando trinta mil réis por mês.

Tinha treze anos e meio, era alto, magro e seus cabelos eram indomáveis.

Embora fosse filho do patrão, teve que comprar calças compridas para impor respeito aos colegas de redação.

Ali reuniam-se colaboradores ilustres: Antônio Torres, Monteiro Lobato, Medeiros e Albuquerque, Agripino Grieco, Ronald de Carvalho, Maurício de Lacerda e José do Patrocínio.

Além desses, havia a turma da casa: Danton Jobim, Orestes Barbosa, Renato Viana, Joracy Camargo, Odilon Azevedo e Henrique Pongetti.

Outra figura de A Manhã era Apparício Torelly – Apporely – que mais tarde se autodenominaria “Barão de Itararé” e fundaria seu próprio jornal, A Manha.

A irmã Dorinha morre em setembro de 1927, aos nove meses, de gastrenterite.

Em 1928 a família se transfere para uma nova e luxuosa casa na rua Joaquim Nabuco, 62, em Copacabana.

Viviam um momento de muito dinheiro e muita fartura.

Nessa época, o autor e seus irmãos mais velhos trabalhavam no jornal A Manhã: Milton era o secretário, Roberto ilustrava algumas reportagens, Mário Filho começou como gerente, indo depois para a página literária e depois a de esportes.

Nelson havia abandonado desde 1927 a terceira série do ginásio no Curso Normal de Preparatórios.

Nunca mais voltou a escola, apesar do esforço desenvolvido por seu pai.

Tendo garantido uma coluna assinada na página três do jornal – a página principal – o escritor publica seu primeiro artigo, em 07 de fevereiro de 1928.

Tinha o título de “A tragédia de pedra…“, com as solenes reticências.

Depois vieram “Gritos Bárbaros“, “O elogio do silêncio“, “A felicidade“, e “Palavras ao mar“, todos de grande sensibilidade poética.

Seu lado monstro só apareceu na crônica de 16 de março, “O rato…” (com as famosas reticências), em que ele conta como viu um rato morto, achatado por um carro, defronte a Biblioteca Nacional.

Para desespero de seu pai, começa a “bater” em Ruy Barbosa.

No segundo artigo em que esculhambava o “Águia de Haia”, antevendo o que aconteceria, Nelson achou que se safaria de seu pai se saísse bem cedo de casa, antes que o “velho” lesse o jornal.

Enganou-se. O castigo foi mais duro do que ele imaginava: foi rebaixado, saindo da página três e retornando a seção de polícia, onde trabalhou nos cinco meses seguintes.

Em 26 de dezembro de 1929 o jornal estampa matéria, na primeira página, sobre o desquite de Sylvia e José Thibau Jr.

Foi a fórmula encontrada para o diário não sair sem assunto, já que era o primeiro dia após o natal.

No dia 27, pela manhã, Sylvia entra na redação da Crítica procurando por Mário Rodrigues. Não o encontrando, pede para falar com seu filho Roberto e dá-lhe um tiro no estômago. Nelson viu e ouviu aquilo tudo. Com dezessete anos e quatro meses, era a primeira cena de violência brutal que presenciava.

Seu irmão faleceu no dia 29.

Apenas 67 dias após a morte do filho, Mário Rodrigues sofre, aos 44 anos, uma trombose cerebral.

Faleceu dias depois de encefalite aguda e hemorragia.

Em maio de 1931 e Roberto Marinho convida Mário Filho para assumir a página de esportes de O Globo.

Mário aceitou, desde que pudesse levar seus irmãos Nelson e Joffre.

Roberto Marinho deu seu “de acordo” com a condição de só pagar o ordenado a Mário Filho.

Nelson trabalhou alguns meses no jornal O Tempo.

O escritor era chamado de “filósofo” pelos colegas de O Globo, tinha um aspecto desleixado, um só terno e não vestia meias por não tê-las.

Com a ajuda de Mário Martins e o beneplácito de Roberto Marinho, Mário Filho lança seu jornal, Mundo Esportivo, justo no fim do campeonato de futebol. Sem ter assunto, inventaram algo que seria uma mina de dinheiro anos depois: o concurso das escolas de samba.

Em 1932 o autor teve sua carteira assinada em O Globo, um ano após começar a trabalhar naquele diário, com um ordenado de quinhentos mil réis por mês.

Entregava todo o dinheiro para sua mãe e recebia uns trocados de volta para comprar seus cigarros (média de quatro carteiras por dia). Em compensação, economizava pois voltava de carona com o “Dr. Roberto” para casa. Para arranjar mais algum dinheiro, trabalhou como redator da firma Ponce & Irmão, distribuidora no Rio dos filmes da RKO Radio Pictures.

Criava textos para os anúncios dos filmes nos jornais.

Nesse meio tempo, tinha suas paixões: por Loreto Carbonell, argentina de olhos azuis, bailarina do Municipal; por Eros Volúsia, filha da poetisa Gilka Machado, também bailarina, linda e jovem morena. Dividia com seu irmão Joffre a paixão por ela.

Depois vieram Clélia, uma estudante de Copacabana e Alice, professora de Ipanema.

Em 1934, por falta de um diagnóstico precoce, o autor já havia, com apenas 21 anos, arrancado todos os dentes e posto dentadura, numa tentativa de debelar uma febre que insistia em não ir embora, depois diagnosticado com tuberculose.

Vai, então, para Campos do Jordão – SP, local recomendado para tratamento, sozinho, sem saber se voltaria. Foi a primeira de uma série de seis internações. Roberto Marinho, sabendo das dificuldades da família, continuou pagando seu ordenado normalmente.Nelson passou 14 meses no Sanatórinho, de abril de 1934 a junho de 1935. Compensava a ausência de parentes e amigos com cartas, muitas delas para Alice, a professorinha.

Contam que, em 1935, um doente propôs encenarem um teatrinho. Nelson foi encarregado de escrever a comédia, um “sketch” cômico sobre eles mesmos. Logo nas primeiras cenas a platéia começou a gargalhar e, com isso, surgiram os ataques de tosse que quase fizeram vítimas. Foi a primeira experiência “dramática” de Nelson.

O autor pede ao secretário do jornal O Globo que o transfira da página de esportes para a de cultura. Queria escrever sobre ópera.

Com a ajuda de Roberto Marinho consegue a transferência e começa arrasando a “Esmeralda”, ópera brasileira do compositor Carlos de Mesquita. Foi sua única incursão nessa área. Em 1937 a redação do jornal só tinha homens.

Após muita conversa Roberto Marinho concordou em contratar Elza Bretanha, apadrinhada do diretor administrativo, como secretária de Henrique Tavares, gerente de O Globo Juvenil. Nelson se aproxima de Elza, expõe sua situação de penúria de saúde e financeira, e fala em casamento. Consultada sua família, não encontrou objeção.

Afinal, já tinha 25 anos.

A mãe de Elza, d. Concetta, siciliana das boas, quase teve um ataque, tendo a honra de ter sido acompanhada nisso por Roberto Marinho.

Ele disse a Elza: “Está sabendo que vai se casar com um rapaz muito inteligente e de grande talento, mas pobre, absolutamente preguiçoso e doente? Sua mãe está coberta de razão!

No dia 29 de abril de 1940, sem externar qualquer anormalidade, Elza saiu para trabalhar, foi para a casa de uma amiga onde trocou de roupa e casou-se no civil, diante do juiz. Depois, Elza e Nelson, foram comemorar tomando uma média com torrada na leiteria “Palmira”. Voltaram para O Globo Juvenil e trabalharam normalmente.

Haviam acertado, por vontade de ambos, que a noite de núpcias só aconteceria após o casamento religioso.

O casamento religioso se realiza, em 17 de maio, após o autor, com quase 28 anos, ter sido batizado, fazer a primeira comunhão e estudado o catecismo, como manda a santa madre Igreja.

No meio do ano de 1941 escreveu sua primeira peça, A mulher sem pecado. Nessa época as peças ficavam, no máximo, duas semanas em cartaz. Nelson oferece sua peça para dois grandes artistas de então: Dulcina e Jaime Costa, mas eles a recusam.

O autor, necessitando de dinheiro, começou a se mexer: submeteu a peça a Henrique Pongetti, Carlos Drummond de Andrade e ao crítico Álvaro Lins. Mas não conseguiu encená-la.

Nasce Joffre, seu primeiro filho. O autor, por ordens médicas, não podia ficar perto do filho. Descobre que foi premiado com uma úlcera do duodeno. O médico lhe prescreve regime alimentar e manda que ele pare de tomar café e de fumar, coisa que nunca fez.

Depois de muita luta, em 09 de dezembro de 1942, A mulher sem pecado foi levada a cena pela “Comédia Brasileira”, com direção de Rodolfo Mayer, no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro. Lá ficou por duas semanas e não teve repercussão nenhuma perante o público. Alguns críticos e amigos elogiaram, e isso bastava ao autor.

Em janeiro de 1943 Nelson escreve sua segunda peça teatral: Vestido de Noiva. Elza, sua mulher, fez mais de vinte cópias datilografadas para serem entregues a jornalistas, críticos e amigos. O primeiro a receber foi Manuel Bandeira.

Ele gostou. Como outros, escreveu sobre ela e elogiou. Os jornais e suplementos falavam sobre Vestido de Noiva mas o autor não conseguia encená-la. Todos diziam que era uma peça que exigia cenário complexo e teria custo muito alto. Só Thomaz Santa Rosa, um pernambucano ex-funcionário do Banco do Brasil, cantor lírico, desenhista, músico e poeta, achou que era possível.

Falou então com um polonês recém-chegado ao Brasil: Zbigniew Ziembinski. O grande ator e diretor leu a peça e disse: “Não conheço nada no teatro mundial que se pareça com isso”. O autor conhece o diretor e tem início a epopéia do grupo “Os Comediantes”: oito meses de ensaios, oito horas por dia.

As 20h30 do dia 28 de dezembro de 1943, os portões foram abertos e 2.205 espectadores viram a peça.

Duas horas depois a peça chegou ao fim. O silêncio foi total na platéia. Nos bastidores ninguém sabia o que fazer. Ziembinski, entre palavrões em polonês, manda subir o pano. Os artistas surgem e o aplauso é ensurdecedor.

O diretor aparece e o teatro delira.

Alguém grita na platéia: “O autor, o autor”. Nelson estava escondido em um camarote, lutando contra a dor de sua úlcera, e não foi visto por ninguém. Disse, depois, que sofreu naquele momento, sentindo-se “um marginal da própria glória“.

Quando o autor, após as comemorações com a família na leiteria “Palmira”, pegou o bonde de volta para casa já eram quase duas da manhã de 29 de dezembro de 1943.

Apesar da fama que a peça lhe deu – o ano de 1944 foi cheio de acontecimentos – ele continuava sendo mal pago pelo O Globo Juvenil. Nelson foi para seu novo emprego: diretor de redação das revistas Detetive e de O Guri.

Como a função lhe tomava pouco tempo, o autor ficava perambulando pela redação da revista O Cruzeiro, que era no mesmo andar. Sempre procurando fazer “bicos” que permitissem um ganho extra – continuava a ajudar sua mãe financeiramente – soube que Freddy Chateaubriand estava querendo comprar um folhetim francês ou americano para O Jornal, que estava com uma tiragem de apenas 3.000 exemplares por dia e sem anúncios.Nelson ofereceu-se para escrever o folhetim.

Daí nasceu Suzana Flag e Meu destino é pecar.

Cada episódio tomava uma página inteira de O Jornal e tinha uma ilustração de Enrico Bianco. Foram 38 capítulos que elevaram a tiragem do jornal para quase trinta mil exemplares.

Nelson escreveu para Walter Clark, na Tv Rio, a primeira novela brasileira de todos os tempos: “A morte sem espelho”.

Apesar do grande elenco – Fernanda Montenegro, Fernando Tôrres, Sérgio Brito (que também respondida pela direção), Ítalo Rossi, Paulo Gracindo (que estreava na TV), música de Vinícius de Moraes – não foi autorizada a sua apresentação as oito e meia da noite.

Foi empurrada para o horário das vinte e três e trinta. Walter Clark apelou, sem sucesso, até para D. Helder Câmara. Conseguiu, finalmente, autorização para o horário das dez horas, que não compensava financeiramente. Nelson foi convidado a encerrá-la rapidamente.

O autor escreveu sua grande e última peça – “A Serpente” – em meados de 1979, pouco antes de seu filho Nelsinho(membro de organização terrorista que combatia o regime militar) iniciar greve de fome com treze companheiros, os últimos presos políticos cariocas, com a finalidade de transformar a anistia ampla em anistia total e irrestrita.

Nelson Rodrigues faleceu na manhã do dia 21 de dezembro de 1980, um domingo.

No fim da tarde daquele dia ele faria treze pontos na loteria esportiva, num “bolo” com seu irmão Augusto e alguns amigos de “O Globo“.

Dois meses depois, Elza cumpriu o seu pedido – de, ainda em vida, gravar o seu nome ao lado do dele na lápide, sob a inscrição: “Unidos para além da vida e da morte. É só”.

Bibliografia

Livros Romances

– Meu destino é pecar,”O Jornal” – 1944 / “Edições O Cruzeiro” – 1944 (como “Suzana Flag”)

– Escravas do amor, “O Jornal” – 1944 / “Edições O Cruzeiro” – 1946 (como “Suzana Flag”)

– Minha vida, “O Jornal” – 1946 / “Edições O Cruzeiro” – 1946 (como “Suzana Flag”)

– Núpcias de fogo, “O Jornal” – 1948. Inédito em livro. (como “Suzana Flag”)

– A mulher que amou demais, “Diário da Noite” – 1949. Inédito em livro. (Como Myrna)

– O homem proibido, “Última Hora” – 1951.  “Editora Nova Fronteira”, Rio, 1981 (como Suzana Flag).

– A mentira, “Flan” – 1953. Inédito em livro. (Como Suzana Flag).

– Asfalto selvagem, “Ultima Hora” – 1959-60. J.Ozon Editor, Rio, 1960. Dois volumes. (Como Nelson Rodrigues)

– O casamento, Editora Guanabara, Rio, 1966 (como Nelson Rodrigues).

– Asfalto selvagem – Engraçadinha: seus amores e pecados, “Companhia das Letras”, São Paulo.

– Núpcias de fogo, “Companhia das Letras”, São Paulo. (como Suzana Flag).

Contos

– Cem contos escolhidos – A vida como ela é…, J. Ozon Editor, Rio, 1961. Dois volumes.

– Elas gostam de apanhar, “Bloch Editores”, Rio, 1974.

– A vida como ela é – O homem fiel e outros contos, “Companhia das Letras”, São Paulo, 1992. Seleção: Ruy Castro.

– A dama do lotação e outros contos e crônicas, “Companhia das Letras”, São Paulo.

– A coroa de orquídeas, “Companhia das Letras”, São Paulo.

Crônicas

– Memórias de Nelson Rodrigues, “Correio da Manhã” / “Edições Correio da Manhã”, Rio, 1967.

– O óbvio ululante, “O Globo” / “Editora Eldorado”, Rio, 1968.

– A cabra vadia, “O Globo” / “Editora Eldorado”, Rio, 1970.

– O reacionário, “Correio da Manhã” e “O Globo” / “Editora Record”, Rio, 1977.

– O óbvio ululante – Primeiras confissões, “Companhia das Letras”, São Paulo, 1993. Seleção: Ruy Castro.

– O remador de Ben-Hur – Confissões culturais, “Companhia das Letras”, São Paulo.

– A cabra vadia – Novas confissões, “Companhia das Letras”, São Paulo.

– O reacionário – Memórias e Confissões, “Companhia das Letras”, São Paulo.

– A pátria sem chuteiras – Novas crônicas de futebol, “Companhia das Letras”, São Paulo.

– A menina sem estrela – Memórias, “Companhia das Letras”, São Paulo.

– A sombra das chuteiras imortais – Crônicas de Futebol, “Companhia das Letras”, São Paulo.

– A mulher do próximo, “Companhia das Letras”, São Paulo.

Frases

– Flor de obsessão: as 1000 melhores frases de Nelson Rodrigues, “Companhia das Letras”, São Paulo, 1997, seleção e organização: Ruy Castro.

Teatro

– Teatro completo, “Editora Nova Fronteira”, Rio, 1981-89. Quatro volumes. Organização e prefácios de Sábato Magaldi.

Peças

– A mulher sem pecado, 1941 – Direção Rodolfo Mayer

– Vestido de noiva, 1943 – Direção: Ziembinski

– Álbum de família, 1946 – Direção: Kleber Santos

– Anjo negro, 1947 – Direção: Ziembinski

– Senhora dos afogados, 1947 – Direção: Bibi Ferreira

– Dorotéia, 1949 – Direção: Ziembinski

– Valsa nº.6, 1951 – Direção: Henriette Morineau

– A falecida, 1953 – Direção: José Maria Monteiro

– Perdoa-me por me traíres, 1957 – Direção: Léo Júsi.

– Viúva, porém honesta, 1957 – Direção: Willy Keller

– Os sete gatinhos, 1958 – Direção: Willy Keller

– Boca de Ouro, 1959 – Direção: José Renato.

– Beijo no asfalto, 1960 – Direção: Fernando Tôrres.

– Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas ordinária, 1962 – Direção Martim Gonçalves.

– Toda nudez será castigada, 1965 – Direção: Ziembinski

– Anti-Nelson Rodrigues, 1973 – Direção: Paulo César Pereio

– A serpente, 1978 – Direção: Marcos Flaksman

Obs.- as peças de Nelson Rodrigues vêm sendo encenadas por diversas companhias teatrais em todo o Brasil até esta data.

Novelas de TV

– A morta no espelho, TV Rio, 1963
– Sonho de amor, TV Rio, 1964
– O desconhecido, TV Rio, 1964

Filmes

– Somos dois, 1950
– Meu destino é pecar, 1952
– Mulheres e milhões, 1961
– Boca de Ouro, 1962
– Meu nome é Pelé, 1963
– Bonitinha, mas ordinária, 1963
– Asfalto selvagem, 1964
– A falecida, 1965
– O beijo, 1966
– Engraçadinha depois dos trinta, 1966
– Toda nudez será castigada, 1973
– O casamento, 1975
– A dama do lotação, 1978
– Os sete gatinhos, 1980
– O beijo no asfalto, 1980
– Bonitinha, mas ordinária, 1980
– Álbum de família, 1981
– Engraçadinha, 1981
– Perdoa-me por me traíres, 1983
– Boca de Ouro, 1990.

Sobre o Autor

– O teatro de Nelson Rodrigues: uma realidade em agonia, Ronaldo Lima Lins, Editora Francisco Alves/MEC, Rio, 1979.

– O teatro brasileiro moderno, Décio de Almeida Prado, Editora Perspectiva/USP, São Paulo, 1988.

– Nelson Rodrigues – Dramaturgia e Encenações, Sabato Magaldi, Editora Perspectiva/USP, São Paulo, 1987.

– Nelson Rodrigues – Expressionista, Eudinir Fraga, Ed. Atelier, S.Paulo.

– Nelson Rodrigues, meu irmão, Stella Rodrigues, José Olympio Editora, Rio, 1986.

– Nelson Rodrigues: Flor de Obsessão, Carlos Vogt e Berta Waldman, Editora Brasiliense, São Paulo, 1985.

Frases

O mundo será dominado pelos medíocres.
Não porque sejam melhores, mas porque
serão maioria.

Invejo a burrice porque é eterna.

Quando sei que alguém não gosta do que escrevo,
fico feliz pois sei que não estou totalmente errado.

O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: – o da imaturidade.

Tudo passa, menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhores que traem. O amor bem-sucedido não interessa a ninguém.

Nós, da imprensa, somos uns criminosos do adjetivo. Com a mais eufórica das irresponsabilidades, chamamos de “ilustre”, de “insigne”, de “formidável”, qualquer borra-botas.

A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem.

O brasileiro não está preparado para ser “o maior do mundo” em coisa nenhuma. Ser “o maior do mundo” em qualquer coisa, mesmo em cuspe a distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade.

Há na aeromoça a nostalgia de quem vai morrer cedo. Reparem como vê as coisas com a doçura de um último olhar.

Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível.

O homem não nasceu para ser grande. Um mínimo de grandeza já o desumaniza. Por exemplo: – um ministro. Não é nada, dirão. Mas o fato de ser ministro já o empalha. É como se ele tivesse algodão por dentro, e não entranhas vivas.

Assim como há uma rua Voluntários da Pátria, podia haver uma outra que se chamasse, inversamente, rua Traidores da Pátria.

Está se deteriorando a bondade brasileira. De quinze em quinze minutos, aumenta o desgaste da nossa delicadeza.

O boteco é ressoante como uma concha marinha. Todas as vozes brasileiras passam por ele.

A mais tola das virtudes é a idade. Que significa ter quinze, dezessete, dezoito ou vinte anos? Há pulhas, há imbecis, há santos, há gênios de todas as idades.

Outro dia ouvi um pai dizer, radiante: – “Eu vi pílulas anticoncepcionais na bolsa da minha filha de doze anos!”. Estava satisfeito, com o olho rútilo. Veja você que paspalhão!

Em nosso século, o “grande homem” pode ser, ao mesmo tempo, uma boa besta.

O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda.

Toda mulher bonita leva em si, como uma lesão da alma, o ressentimento. É uma ressentida contra si mesma.

Acho a velocidade um prazer de cretinos. Ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca.

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração, Tecnologia da Informação e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, USA. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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