Henry David Thoreau – Filósofo, poeta, escritor e naturalista

Thoreau
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Henry David Thoreau
* Concord, USA – 12 de Julho de 1817 d.C
+ Concord, USA – 6 de Maio de 1862 d.C
Ensaísta, Poeta, Naturalista E Filósofo Norte americano

Autor estadunidense, poeta, naturalista, ativista anti-impostos, crítico da ideia de desenvolvimento, pesquisador, historiador, filósofo e transcendentalista. Ele é mais conhecido por seu livro Walden, uma reflexão sobre a vida simples cercada pela natureza, e por seu ensaio Desobediência Civil uma defesa da desobediência civil individual como forma de oposição legítima frente a um estado injusto.

Os livros, ensaios, artigos, jornais e poesias de Thoreau chegam a mais de 20 volumes. Entre suas contribuições mais influentes encontravam-se seus escritos sobre história natural e filosofia, onde ele antecipou os métodos e preocupações da ecologia e do ambientalismo. Seu estilo de escrita literária intercala observações naturais, experiência pessoal, retórica pontuada, sentidos simbolistas, e dados históricos; ao mesmo tempo em que evidencia grande sensibilidade poética, austeridade filosófica, e uma paixão “yankee” pelo detalhe prático.

Ele também era profundamente interessado na ideia de sobrevivência face a contextos hostis, mudança histórica, e decadência natural; ao mesmo tempo em que buscava abandonar o desperdício e a ilusão de forma a descobrir as verdadeiras necessidades essenciais da vida.2

Foi também um longevo abolicionista, realizando leituras públicas nas quais atacava as leis contra as fugas de escravos evocando os escritos de Wendell Phillips e defendendo o abolicionista John Brown. A filosofia de Thoreau da desobediência civil influenciou o pensamento político e ações de personalidades notáveis que vieram depois dele, filósofos e ativistas como Liev Tolstói, Mohandas Karamchand Gandhi, e Martin Luther King, Jr.

[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]Thoreau é por vezes citado como um anarquista individualista.3 Ainda que por vezes sua desobediência civil ambicione por melhorias no governo, mais do que sua abolição – “Não peço, imediatamente por nenhum governo, mas imediatamente desejo um governo melhor” – a direção desta melhoria é que ambiciona o anarquismo: “‘O melhor governo é o que não governa. Quando os homens estiverem devidamente preparados, terão esse governo”

Estudou em Harvard, e depois de sua formatura passou dois anos isolado da civilização, num barraco, às margens do lago Walden, absorto na contemplação da natureza. Retornando à civilização, tornou-se professor no liceu de Concord, onde exerceria até sua morte. Fez muitas viagens, descobrindo a beleza de florestas e paisagens naturais.

Entre suas obras destaca-se Walden, or life in the woods, 1854, que é a descrição de sua experiência de dois anos solitário, sobrevivendo apenas do trabalho natural, um livro de descrições exatas e mesmo assim poéticas. Tornou-se um clássico da literatura estado-unidense como sendo um livro de proporções místicas. Um de seus trechos foi repetido em todo mundo na produção cinematográfica Sociedade dos Poetas Mortos: “eu fui à Floresta porque queria viver livre. Eu queria viver profundamente, e sugar a própria essência da vida… expurgar tudo o que não fosse vida; e não, ao morrer, descobrir que não havia vivido”.

Thoreau era abolicionista, amava intensamente a natureza, detestava notícias (poluíam a nossa mente, templo de reflexões, com banalidades), era contra o trabalho desvinculado do prazer (degradava o homem), panteísta, místico, solteirão convicto e contra as “boas maneiras”.

Thoreau foi preso quando deu uma passada pela cidade, para pegar suas botas que estavam no conserto, e apareceram uns guardas – ele não pagara determinados impostos que financiavam a guerra do México havia seis anos. Passou apenas uma noite na cadeia porque um anônimo (possivelmente sua tia, Marie Thoreau) pagou sua dívida – fato por ele reprovado. Na cadeia – curiosa, para ele – , refletiu sobre a mediocridade do Estado, que se comportava como “uma criança aborrecida que chuta o cão de seu desafeto”. Prender seu corpo não era nada; sua mente estava inalterada.

Outra obra importante é o ensaio On the Duty, of Civil Disobedience de 1849, que foi escrito após o autor ter sido preso por se negar a pagar impostos (alegando que estes financiavam a exploração contra o México, que na época teve grande parte de seu território dominado pelos EUA).

Henry-David sofreu grande influência de Rousseau e exerceu forte influência sobre os conceitos de resistência pacífica, desenvolvido por Gandhi e o movimento hippie. As suas obras influenciaram ainda Martin Luther King Junior e Leo Tolstoi. Ele descobriu a paisagem da Nova Inglaterra; influenciado por Emerson, defendeu a tese segundo a qual só no contato com a natureza, longe da civilização, o sonho da liberdade norte-americana se realizaria. Thoreau faleceu em sua cidade natal, em 6 de maio de 1862.
Uma de suas frases foi: “Justiça e liberdade são alicerces da paz”.

A vida nos bosques
Thoreau mantinha-se eternamente insatisfeito com a vida na sociedade e com o modo como as pessoas viviam. Há relatos de que visitou aldeias indígenas só com a roupa do corpo, ao contrário de seus contemporâneos, que o faziam com armas em punho.

Em 1845, com 27 anos, Thoreau foi morar no meio da floresta, em um terreno que pertencia a Ralph Waldo Emerson. Às margens do lago Walden construiu sua casinha e um porão para armazenar comida. Apesar de inexperiente como agricultor, tentou a auto-suficiência e, a longo prazo, teve algum sucesso, plantando batatas e produzindo o próprio pão.

Segundo suas próprias palavras, ele foi morar na floresta porque queria “viver deliberadamente”. Queria se “defrontar apenas com os fatos essenciais da existência, em vez de descobrir, à hora da morte, que não tinha vivido”. Em seu período na floresta, ele queria “expulsar o que não fosse vida”.

Baseado no relato e em todo o pensamento filosófico empreendido nos dois anos em que morou na floresta, Thoreau escreveu “Walden ou A vida nos bosques”, uma obra que se tornaria um referencial para a Ecologia e um de seus livros mais famosos. Além de descrever sua estadia na floresta, “Walden” analisa e condena a sociedade capitalista da época. E, convida a uma reflexão sobre um modo de vida simples, propondo novos olhares sobre o conceito de liberdade.

“Fui para a mata porque queria viver deliberadamente, enfrentar apenas os fatos essenciais da vida e ver se não poderia aprender o que ela tinha a ensinar, em vez de, vindo a morrer, descobrir que não tinha vivido.”

A Desobediência Civil
Insubmisso, Thoreau decide não pagar impostos porque acreditava ser errado dar dinheiro aos EUA, um país esclavagista e em guerra contra o México. Não querendo financiar nem a escravidão nem a guerra, Thoreau foi preso enquanto se dirigia ao sapateiro local, foi abordado e preso e após solto retornou a sua vida a partir do ponto em que a interrompeu, lá regressando para ir buscar os sapatos que mandara arranjar.

A tia de Thoreau pagou a fiança e ele foi solto na manhã do dia seguinte. Inspirado pela noite na prisão, Thoreau escreveu o famoso A Desobediência Civil. Leon Tolstói, um dos mais famosos escritores do mundo venerava este ensaio e o recomendou, por carta, a um jovem indiano preso na África do Sul. Este jovem indiano era Mahatma Gandhi.

Fim da vida
Thoreau, que havia saído das florestas a pedido do proprietário do lugar, passou o resto de sua vida empreendendo grandes passeios às florestas e aos campos e também escrevendo muito. Ele acabaria morrendo em 1862 de tuberculose. Encontra-se sepultado no Sleepy Hollow Cemetery, Concord, Massachusetts nos Estados Unidos.5

A casa que construiu no lago Walden, hoje é um museu que possui uma estátua sua na entrada. A floresta em volta do lago virou área de preservação ambiental. É considerado um dos grandes escritores norte-americanos.

Ideais

Thoreau ecologista
Thoreau era um amante da natureza. É considerado, junto com os povos indígenas, um dos avós do movimento ecológico que ganharia forma nos anos 1960. Seus textos e discursos falam sempre sobre as vantagens da vida natural e livre. Ele sempre associava natureza e liberdade e, neste aspecto, sofreu forte influência de Jean-Jacques Rousseau e de textos orientais.

Seu ambientalismo se expressa na frase: “Quero dizer uma palavra em defesa do ambiente natural e da liberdade absoluta. Uma declaração extrema pois já há muitos defensores da civilização”.

Amava os animais, gostando de observá-los. “Tornei-me vizinho dos pássaros, não por ter aprisionado um, mas por ter me engaiolado perto deles”, disse em “Walden”. Até o final de sua vida, fez longos passeios pela natureza e dava preferência aos recantos mais selvagens e, em sua concepção, mais livres. Dizia preferir o pântano mais lamacento ao mais belo jardim.

Thoreau era também cético com relação ao progresso tecnológico, especialmente por ser contrário ao embrião de sociedade de consumo que já era a sociedade americana da época.

Thoreau libertário
Influenciou fortemente o anarquismo e admiradores desta filosofia. Seu ensaio “A Desobediência Civil” é a base de ação para coletivos de libertários e alguns anarcossindicalistas, além de ter sido posto em prática com sucesso por Mahatma Gandhi.

Seu pensamento libertário pode ser resumido em três de suas famosas frases:

A crítica ao capitalismo e à sociedade de consumo: “Desfruta a terra, mas sem possuí-la. Por falta de iniciativa, os homens estão onde estão, comprando e vendendo, desperdiçando a vida como escravos”.

A crítica ao Estado: “O melhor governo é o que nada governa”.

A crítica à propriedade privada: “Bem que gostaria de contar tudo que sei a propósito e nunca me ver obrigado a pintar em meu portão: Entrada Proibida”.

Apesar de suas críticas à sociedade de consumo, à escravidão, à guerra, à devastação ambiental e a tantas outras facetas da sociedade de sua época, Thoreau preferia não se definir sob nenhuma classificação política.

Pacifismo e Abolicionismo
A prisão de Thoreau se deveu justamente ao fato de ele ter deixado de pagar impostos ao governo americano. Além de suas tendências anárquicas, Thoreau explica que não queria financiar um Estado escravocrata e tampouco uma guerra. Naquela época os EUA mantinham negros como escravos e estavam em uma guerra imperialista contra o México, com o objetivo de anexar territórios.

A posição de Thoreau como abolicionista e defensor da causa negra está registrada em seus textos. Mas não somente isso: ele teve atuação na Underground Railway (ferrovia subterrânea), uma rota de fuga que levava escravos negros para uma vida livre no Canadá.

A cabana de madeira que Thoreau construiu nas imediações do lago Walden não existe mais. Hoje, em local aproximado onde se situava há uma replica, ponto de visitação de turistas.

Frases de Thoreau

  • Nunca é tarde para abrirmos mão dos nossos preconceitos.
  • Sob um governo que prende injustamente, o lugar de um homem justo também é na cadeia.
  • Não basta uma informação de como ganhar a vida simplesmente com honestidade e honra, mas que tal ato seja atraente e glorioso, pois se ganhar a vida não for atraente e glorioso não é a vida que se ganha.
  • Fui para os Bosques viver de livre vontade. Para sugar todo o Tutano da Vida. Para aniquilar tudo o que não era vida e para quando morrer, não Descobrir que não vivi.
  • Aquilo que um homem pensa de si mesmo – é isso que determina, ou antes indica, o seu destino.
  • Um grão de ouro é capaz de dourar uma grande superfície, mas não tão grande como um grão de sabedoria.
  • Vá confiantemente na direção de seus sonhos. Viva a vida que você imaginou.
  • A maioria dos homens vivem vidas de silencioso desespero.
  • “Quem avança confiante na direção de seus sonhos e se empenha em viver a vida que imaginou para si encontra um sucesso inesperado em seu dia-a-dia.
  • Se você já construiu castelos no ar, não tenha vergonha deles. Estão onde devem estar. Agora, dê-lhes alicerces.
  • Fazer todos os dias um bom dia, essa é a mais elevada das artes.
  • Não é o que olhamos que importa, é o que vemos.
  • A maioria dos homens vivem vidas de silencioso desespero
  • Se um homem marcha com um passo diferente do dos seus companheiros, é porque ouve outro tambor.
  • As coisas não mudam; nós é que mudamos
  • Muitas vezes perco a esperança de conseguir neste mundo algo de simples e honesto com ajuda dos homens. Não esqueçamos, no entanto, que grãos de trigo egípcio chegaram até nós por intermédio de uma múmia.
  • Dá teu voto inteiro, não uma simples tira de papel, mas toda tua influência.
  • Se queres um escudo impenetrável, permanece dentro de ti mesmo.
  • A riqueza supérflua só pode comprar coisas supérfluas.
  • Desfruta de verdadeiro lazer quem tem tempo para melhorar o estado de sua alma.
  • O dinheiro não é necessário para comprar uma única necessidade da alma.
  • Aquilo que um homem pensa de si mesmo – é isso que determina, ou antes indica, o seu destino.
  • Fui para os Bosques viver de livre vontade. Para sugar todo o Tutano da Vida. Para aniquilar tudo o que não era vida e para quando morrer, não Descobrir que não vivi.
  • Uma vida de cada vez
  • Desfruta a terra, mas sem possuí-la. Por falta de iniciativa, os homens estão onde estão, comprando e vendendo, desperdiçando a vida como escravos
  • Nossa vida mais real acontece quando vivemos nossos sonhos acordados.
  • Um homem é rico na proporção do número de coisas de que ele é capaz de abrir a mão.
  • Não nasci para ser forçado a nada. Respirarei a meu próprio modo
  • A melhor coisa que posso fazer pelo meu amigo é simplesmente ser seu amigo.
  • Nunca é tarde para abrirmos mão dos nossos preconceitos.
  • Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade.
  • Desfruta a terra, mas sem possuí-la. Por falta de iniciativa, os homens estão onde estão, comprando e vendendo, desperdiçando a vida como escravos

Bibliografia

A Week on the Concord and Merrimac Rivers (1839)
A desobediência civil (Civil disobedience, 1849)
Slavery in Massachusetts (1854)
Walden (1854)
A Plea for Captain John Brown (1860)
Excursions (1863)
The Maine Woods (1864)
Cape Cod (1865)
Early Spring in Massachusetts (1881)
Summer (1884)
Winter (1888)
Autumn (1892)
Miscellanies (1894)

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração, Tecnologia da Informação e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, USA. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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