Harold Pinter – Dramaturgo

Harol Pinter - Dramaturgo Ingles 01HAROLD PINTER
* Londres, Inglaterra – 10 de Outubro de 1930 d.C
+ Londres, Inglaterra – 25 de Dezembro de 2008 d.C

Foi um ator, diretor, poeta, roteirista, e certamente um dos grandes dramaturgos do século XX, além de destacado e incômodo ativista político britânico. Foi um dos grandes representantes do teatro do absurdo junto com Samuel Beckett e Eugène Ionesco. Em 2005 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura e o prêmio Companion of Honour da Rainha da Inglaterra pelos serviços prestados à literatura.

Nascido no seio de uma família judaica, com ascendência sefardita portuguesa por parte de pai. Seu sobrenome Pinter, como ele próprio lembra, é uma adaptação ao inglês do sobrenome “Pinto”.

Nasceu num subúrbio pobre de Londres, ao norte do Rio Tâmisa, parte leste da cidade, em Hackney, onde fez seus primeiros estudos. Começou em meados da década de 1950 sua carreira teatral.

A sua primeira obra importante foi Festa de Aniversário (The Birthday Party, 1957), um fracasso na estréia, mas um êxito na remontagem, depois de ter sido apresentada na televisão. É um dos mais importantes renovadores do teatro moderno e as suas peças tem um estilo característico a que se deu o nome de pinteresco.

Harold Pinter - cartaz da peça Birthday PartyCartaz da peça The Birthday Party

Começou por ser ator (com o nome David Baron) e em 1957 escreveu a sua primeira peça, The Room. Escreveu também para rádio, televisão e cinema, tendo recebido diversos prêmios e distinções, entre os quais o Prêmio Nobel da Literatura em 2005. Publicou os seus primeiros poemas em 1950, antes de ter sido aceite na Central School of Speech and Drama. Das suas coletâneas de poesia, destacam-se Poems and Prose 1949 – 1977, The Disappeared and Other Poems e War.

Nelas são criadas situações em que personagens normais, em suas vidas cotidianas, são colocadas repentinamente frente ao inesperado. Traição, por exemplo, é uma peça que discorre de forma convencional sobre a vida de um casal e a sua separação depois da aventura da esposa com seu amante. Entretanto ela é apresentada ao reverso, em cenas que acontecem de trás para diante; uma das cenas iniciais é um encontro num bar do amante com o marido traído, depois da separação.

Pinter escreveu 29 peças, entre as mais reconhecidas estão Festa de Aniversário (The Birthday Party, 1957), O Porteiro (The Caretaker, 1959), Traição (Betrayal, 1978), Volta ao Lar (Homecoming, 1965), todas adaptadas ao cinema. Entre seus roteiros para cinema mais reconhecidos está A Mulher do Tenente Francês (The French Lieutenant’s Woman, 1981).

Em outubro de 2006 foi aclamado por sua participação como ator na produção de A Última Gravação (Krapp’s Last Tape) como parte da comemoração dos 100 anos do nascimento de seu autor Samuel Beckett e dos 50 anos do Royal Court Theatre.

Morte
Onde foi o corpo encontrado?
Quem encontrou o corpo morto?
Estava morto o corpo morto quando foi encontrado?
Como foi o corpo morto encontrado?

Quem era o corpo morto?

Quem era o pai ou filha ou irmão
Ou tio ou irmã ou mãe ou filho
Do corpo morto e abandonado?

Estava morto o corpo quando foi abandonado?
O corpo foi abandonado?
Por quem foi ele abandonado?

Estava o corpo morto nu ou vestido para viagem?

O que te fez declarar morto o corpo morto?
Declaraste morto o corpo morto?
Conhecias bem o corpo morto?
Como soubeste que o corpo morto estava morto?

Será que lavaste o corpo morto
Será que lhe fechaste ambos os olhos
Será que enterraste o corpo
Será que o deixaste abandonado
Será que beijaste o corpo morto
Tradução de Pedro Marques e Francisco Frazão.

Harold Pinter na sala de trabalhoHarold Pinter em sua sala de trabalho

Participação política
Bastante controverso politicamente, foi um forte opositor às políticas belicistas do final do século XX, opõe-se radicalmente à invasão do Iraque em 2003, contestando assim as políticas de George Bush e Tony Blair.

Entre outras polêmicas Pinter profere uma palestra na Conferência pela Paz nos Bálcãs, em 10 de junho de 2000, contra o bombardeamento de civis pela OTAN na Sérvia.
Em 2001 Pinter incorpora-se ao Comitê Internacional na Defesa de Slobodan Milošević (ICDSM), o qual solicitava um julgamento justo e a sua libertação; Ele também assina um manifesto de artistas por Milošević em 2004. Pinter considera Slobodan Milošević como uma figura digna e um “herói nacional” da Sérvia. Pinter também era um grande apreciador de críquete.

Harold Pinter abraçou causas e foi contra invasão do Iraque
Por Pedro Alonso – da EFE, Londres – Publicado na Folha On line

“O célebre dramaturgo britânico e eterno rebelde Harold Pinter, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 2005, morreu em Londres aos 78 anos após uma longa batalha contra o câncer.

A voz de Pinter, um dos escritores do Reino Unido mais influentes da segunda metade do século 20, se apagou para sempre nesta quarta-feira, segundo informou hoje sua segunda mulher, a também escritora Antonia Fraser.

“Ele foi grande”, disse ela em uma breve declaração, na qual ressaltou que foi “um privilégio viver com ele durante 33 anos” e que Pinter “nunca será esquecido”.

A doença já impediu o dramaturgo este mês de ir a sua posse como doutor honoris causa na Central School of Speech and Drama de Londres. O escritor ganhou vários prêmios, como a Legião de Honra da França, mas destacou-se acima de tudo pela conquista do Prêmio Nobel de Literatura em 2005.

Iraque
“Estou muito comovido. É algo que não esperava”, comentou um Pinter já com a saúde frágil na porta de sua casa em Londres, após saber de sua conquista do Nobel.
Por recomendação médica, Pinter não pôde assistir à cerimônia de entrega do prestigioso prêmio em Estocolmo, mas gravou seu discurso de aceitação, no qual, como vinha fazendo nos últimos anos, dedicou suas críticas políticas mais ácidas à Guerra do Iraque, na qual o Reino Unido foi fiel seguidor dos Estados Unidos.

“A invasão do Iraque foi um ato de bandidos, um ato de flagrante terrorismo de Estado que demonstrou um desprezo absoluto do conceito de normativa internacional”, afirmou Pinter, visivelmente débil e utilizando uma cadeira de rodas.

Sem papas na língua e mais rebelde do que nunca, o dramaturgo aproveitou o Nobel para pedir o processo do presidente dos EUA, George W. Bush, e do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair por crimes de guerra. Durante sua vida, o autor, que se sentia obrigado a assumir uma posição política como “cidadão do mundo”, abraçou outras causas como o desarmamento nuclear, a defesa de Cuba frente ao embargo americano e a rejeição ao bombardeio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Sérvia em 1999.

Vida de prazer
Filho de um alfaiate judeu imigrante da Europa Oriental, Pinter nasceu em 10 de outubro de 1930 em Hackney, bairro popular do leste de Londres.
O gênio teatral teve um filho, Daniel, fruto de seu casamento com a atriz Vivien Merchant, de quem se divorciou em 1980 para casar-se com Antonia Fraser.
Pouco amigo dos eruditos tendentes ao excesso interpretativo de suas obras, Pinter dizia que sua vida literária era “uma vida de prazer, desafio e entusiasmo”.

Figura única
Após o anúncio da morte do artista, que descrevia a si próprio como “dramaturgo, diretor, ator, poeta e ativista político”, o mundo da cultura britânica chorou sua perda e exaltou seus talentos e méritos profissionais.

“Foi uma figura única no teatro britânico. Dominou a cena teatral desde os anos 50”, afirmou Alan Yentob, diretor da “BBC”.
Na opinião de Tim Walker, crítico do jornal “Sunday Telegraph”, Pinter “forneceu realismo” às artes cênicas mediante obras “com prolongados silêncios, nos quais os personagens nem sempre iam a algum lugar, como na própria vida real”.

Por sua vez, o amigo e autor de uma biografia sobre Pinter, Michael Billington, declarou-se “devastado” pela morte do dramaturgo, a quem descreveu como um “lutador” no terreno artístico e político.
Após publicar em 1957 sua primeira obra, “O Quarto”, Pinter iniciou uma carreira na qual escreveu 29 peças teatrais, mais de 20 roteiros para cinema (entre eles para o diretor americano Joseph Losey), uma infinidade de trabalhos radiofônicos e televisivos, poesia, ensaios, um romance e curtos relatos de ficção.

Entre títulos inesquecíveis de Pinter, pertencente à geração dos Jovens Irados britânicos, destacam-se peças teatrais como “The Birthday Party”, “The Caretaker” e “Old Times”.

Seu estilo peculiar, cheio de silêncios em dramas marcados por uma linguagem ambígua e, às vezes, cômica, mas que gera um ambiente de ameaça e alienação, se cunhou como “pinteresco”, adjetivo admitido pelo dicionário de inglês da Universidade de Oxford.”

Harold Pinter em 2008Harold Pinter na porta de sua casa
Foto: Max Nash/AP

Principais obras
Prosa
Kullus (1949)
The Dwarfs (1952-56)
Latest Reports from the Stock Exchange (1953)
The Black and White (1954-55)
The Examination (1955)
Tea Party (1963)
The Coast (1975)
Problem (1976)
Lola (1977)
Short Story (1995)
Girls (1995)
Sorry About This (1999)
God’s District (1997)
Tess (2000)
Voices in the Tunnel (2001)
Poesia
War (2003)

Harold Pinter - Capa do Livro War - Edição inglesaCapa do Livro War – Edição inglesa

Teatro
The room (1957)
The birthday party (1957)
The dumb waiter (1957)
The caretaker (1960)
A slight ache (1961)
The homecoming (1965)
Md Times (1971)
No Maris land (1975)

Em 13 de Outubro de 2005 a Academia Sueca atribuiu-lhe o Prêmio Nobel da Literatura.

Encenações no Brasil
Em 1982 Paulo Autran recebe o Prêmio Molière de melhor ator por sua participação em Traições. Esta mesma peça foi encenada no Teatro Cultura Inglesa em São Paulo em 2002, com Laerte Mello.

Controvérsia
A premiação de Pinter ao Prêmio Nobel recebeu grande oposição pelas posições veementes do dramaturgo contra a participação britânica na Guerra do Iraque. No pensamento destes sua premiação se deveria mais a suas posições políticas pacifistas que ao valor literário de sua obra, o que certamente seria contestado por grande parte da crítica mundial que o considera um dos grandes autores do século.

Considerado o maior dramaturgo da atualidade na Grã-Bretanha, Pinter foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura, em 2005.

Nascido em um bairro do leste de Londres e filho de um alfaiate, ele escreveu mais de 30 peças de teatro, entre elas “Festa de Aniversário”, “A Volta ao Lar” e “O Porteiro”.

Seu estilo marcante, com longas pausas entremeando os diálogos, mereceu até um vocábulo no dicionário Oxford da língua inglesa: o adjetivo “Pinteresque” (“Pinteresco”, em tradução livre).

Direitos humanos
Pinter também atuou como ator, diretor teatral e roteirista de cinema. Entre suas obras mais conhecidas está o filme “A Mulher do Tenente Francês”. Em 2007, ele participou do roteiro e do elenco de “Um Jogo de Vida ou Morte”, ao lado de Jude Law e Michael Caine.

Harold Pinter - Cartaz do filme Um Jogo de Vida e MorteClique na imagem para ampliar
Cartaz do filme Um Jogo de Vida e Morte

O dramaturgo também era conhecido por sua participação em campanhas pela defesa dos direitos humanos.

Era um crítico ferrenho das políticas públicas da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher e do ex-presidente dos EUA Ronald Reagan.

Em entrevista à BBC em fevereiro de 2005, antes de ganhar o Nobel, Pinter disse que havia desistido de escrever peças de teatro e que se concentraria em outras formas de literatura, principalmente poesia.

“Minhas energias estão indo em direções diferentes, certamente para a poesia”, disse. “Mas, também nos últimos anos eu fiz vários discursos políticos em vários lugares e cerimônias.”

“Estou usando muita energia, mais especificamente em situações políticas que, eu acho, são muito preocupantes do jeito que as coisas estão.”

Em 2003, Pinter publicou um livro de poesia antiguerra, intitulado “War” (“Guerra”, em tradução livre). A obra, que critica a guerra no Iraque, deu a ele o prêmio Wilfred Owen, que leva esse nome em homenagem ao poeta que morreu na Primeira Guerra Mundial.

Um ano antes, ele havia sido submetido a um tratamento de radioterapia para um câncer no esôfago, e chegou a anunciar que estava “em franca recuperação”.

da Folha Online

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração, Tecnologia da Informação e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, USA. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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