Federico Garcia Lorca – Poeta – Dramaturgo

Foto de Federico Garcia Lorca, poeta e dramaturgo espanhol
Federico García Lorca
* Fuente Vaqueros, Espanha – 05 de Junho de 1898 d.C
+ Granada, Espanha – 19 de Agosto de 1936 d.C
Poeta e dramaturgo espanhol.
Fuzilado e uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola

“Na bandeira da liberdade bordei o maior amor de minha vida.”

Nascido numa pequena localidade da Andaluzia, García Lorca ingressou na faculdade de Direito de Granada em 1914, e cinco anos depois transfere-se para Madri, onde ficou amigo de artistas como Luis Buñuel e Salvador Dali e publicou seus primeiros poemas.

Foto de Granada, Espanha

Cidade de Granada – Espanha

Grande parte dos seus primeiros trabalhos se baseiam em temas relativos à Andaluzia (Impressões e Paisagens, 1918), à música e ao folclore regionais (Poemas do Canto Fundo, 1921-1922) e aos ciganos (Romancero Gitano, 1928)

Concluído o curso, foi para os Estados Unidos da América e para Cuba, período de seus poemas surrealistas, manifestando seu desprezo pelo modus vivendi estadunidense. Expressou seu horror com a brutalidade da civilização mecanizada nas chocantes imagens de Poeta em Nova Iorque, publicado em 1940.

O poeta pede a seu amor que lhe escreva

Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.
O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.

Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de mordiscos e açucenas.
Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.

Voltando à Espanha, criou um grupo de teatro chamado La Barraca. Não ocultava suas idéias socialistas e, com fortes tendências homossexuais, foi certamente um dos alvos mais visados pelo conservadorismo espanhol que, sob forte influência católica, ensaiava a tomada do poder, dando início a uma das mais sangrentas guerras fratricidas do século XX.

Intimidado, Lorca retornou para Granada, na Andaluzia, na esperança de encontrar um refúgio. Ali, porém, teve sua prisão determinada por um deputado católico, sob o argumento (que tornou-se célebre) de que ele seria “mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver”.

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Café Bar García Lorca. Rua de García Lorca, 27. Santiago de Compostela.

Café bar Garcia Lorca na rua de Garcia Lorca,27, em Santiago de Compostela, Espanha

Assim, num dia de agosto de 1936, sem julgamento, o grande poeta foi executado com um tiro na nuca pelos nacionalistas, e seu corpo foi jogado num ponto da Serra Nevada. A caneta se calava, mas a Poesia nascia para a eternidade – e o crime teve repercussão em todo o mundo, despertando por todas as partes um sentimento de que o que ocorria na Espanha dizia respeito a todo o planeta… foi um prenúncio da Segunda Guerra Mundial.

Exílio na morte

Assim como muitos artistas – e a obra Guernica¹, de Pablo Picasso -, durante o longo regime ditatorial do Generalíssimo Franco, suas obras foram consideradas clandestinas na Espanha.

Guernica - Pintura de Pablo Picasso
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Guernica¹ – Pablo Picasso
Técnica:
Óleo sobre tela – Dimensões: 3,5 x 7,8 m.
Para exprimir o horror, a angustias e a devastação, Picasso usou somente o preto, tons de cinza e o branco.

Veja ao fim do post a história por trás da obra e a obra em detalhes

Com o fim do regime, e a volta do país à democracia, finalmente sua terra natal veio a render-lhe homenagens, sendo hoje considerado o maior autor espanhol desde Miguel de Cervantes.

Lorca tornou-se o mais notável numa constelação de poetas surgidos durante a guerra, conhecida como “geração de 27″, alinhando-se entre os maiores poetas do século XX. Foi ainda um excelente pintor, compositor precoce e pianista. Sua música se reflete no ritmo e sonoridade de sua obra poética. Como dramaturgo, Lorca fez incursões no drama histórico e na farsa antes de obter sucesso com a tragédia. As três tragédias rurais passadas na Andaluzia, Bodas de Sangue (1933), Yerma (1934) e A Casa de Bernarda Alba (1936) asseguraram sua posição como grande dramaturgo.

Cartaz do filme Bodas de Sangue, de Carlos Saura baseado na obra de Garcia Lorca

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Bodas de Sangre – Direção: Carlos Saura
Elenco: Antonio Gades e Cristina Hoyos – Espanha , 1981
Sinopse: Grupo de dançarinos de flamenco dança balé, inspirado em obra de Garcia Lorca.
A história ensaiada se repete na vida dos atores. Primeiro filme da trilogia do diretor espanhol sobre a rica tradição musical espanhola.

Bodas de Sangue

Quero dormir o sono das maçãs
Afastar-me do tumulto dos cemitérios.
Quero dormir o sono daquele menino
que queria cortar o coração em alto-mar.

Não quero que me repitam
que os mortos não perdem o sangue;
que a boca podre continua
pedindo água.

Foto da peça de teatro A casa de Bernarda Alba de Garcia Lorca
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Cena da peça A Casa de Bernarda Alba, de Garcia Lorca

Bibliografia

Poesia

Livro de Poemas – 1921
Ode a Salvador Dalí – 1926.
Canciones (1921-24) – 1927.
Romancero gitano (1924-27) – 1928.
Poema del cante jondo (1921-22) – 1931.
Ode a Walt Whitman – 1933.
Canto a Ignacio Sánchez Mejías – 1935.
Seis poemas galegos – 1935.
Primeiras canções (1922) – 1936.
Poeta em Nueva York (1929-30) – 1940.
Divã do Tamarit – 1940.

Prosa

Impressões e Paisagens – 1918
Desenhos (publicados em Madri) – 1949
Cartas aos Amigos – 1950

Teatro

Assim que passarem cinco anos – Lenda do tempo – 1931.
Retábulo de Don Cristóvão e D.Rosita – 1931.
Amores de Dom Perlimplim e Belisa em seu jardim” – 1926.
Mariana Piñeda – 1925.
Dona Rosinha, a solteira – 1927.
Bodas de Sangue (Trilogia) – 1933.
Yerma (Trilogia) – 1934.
A Casa de Bernarda Alba (Trilogia) – 1936.
Quimera – 1930.

¹O quadro Guernica de Picasso
Guernica é um painel pintado por Pablo Picasso em 1937 por ocasião da Exposição Internacional de Paris. Foi exposto no pavilhão da República Espanhola. Medindo 350 por 782 cm, esta tela pintada a óleo representa o bombardeio sofrido pela cidade espanhola de Guernica em 26 de abril de 1937 por aviões alemães. Atualmente está no Centro Nacional de Arte Rainha Sofia, em Madrid.

Composição
A pintura foi feita sem uso de cores, em preto e branco – algo que demonstrava o sentimento de repúdio do artista ao bombardeio da pequena cidadezinha espanhola. Claramente em estilo cubista, Picasso retrata pessoas, animais e edifícios destruídos pelo intenso bombardeio da Luftwaffe, a força aérea nazista.

Morando em Paris, o artista soube dos fatos desumanos e brutais através dos jornais – e daí supõe-se tenha saído a inspiração para a retratação monocromática do fato.

Sua composição retrata as figuras ao estilo dos frisos dos templos gregos, através de um enquadramento triangular das mesmas. O posicionamento diagonal da cabeça feminina, olhando para a esquerda, remete o observador a dirigir também seu olhar da direita para a esquerda, até o lampião trazido ainda aceso sobre um braço decepado e, finalmente, à representação de uma bomba explodindo.

Pintura Guernica de Pablo Picasso 01

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Guernica – Pablo Picasso

Citação
No, la pintura no está hecha para decorar las habitaciones. Es un instrumento de guerra ofensivo y defensivo contra el enemigo.
Pablo Picasso, sobre Guernica.

Curiosidades e folclore
Conta-se que, em 1940, com Paris ocupada pelos nazistas, um oficial alemão, diante de uma fotografia reproduzindo o painel, perguntou a Picasso se havia sido ele quem tinha feito aquilo. O pintor, então, teria respondido: “Não, foram vocês!”.

Na parte central (inferior direito) do quadro, a pelagem do cavalo mutilado é retratada com pequenos traços verticais. Picasso teria começado a fazê-las, mas quem as terminou teria sido sua esposa, pois o artista teria dito que davam muito trabalho.

O quadro, transferido para Nova York durante a II Guerra Mundial, recebeu do pintor a ordem de que apenas quando a Espanha natal fosse um país democrático poderia para lá ser transladada. Ficou sob a guarda do Museu de Arte Moderna de Nova York – MOMA.

Isso ocorreu apenas a 9 de Setembro de 1981, sendo Guernica retirada do MOMA rumo a Madrid. Tinha chegado ao final a peregrinação da obra a que chamavam os espanhóis de “el último exiliado”.

Em 4 de maio de 1939 a Prefeitura de Guernica, dirigindo-se ao povo espanhol, divulgou o seguinte comunicado:

“Em pé, diante desde microfone, quero contar o que os meus olhos viram no lugar do que já foi Guernica, e tomo Deus como testemunha:
Envergonhados pelo monstruoso crime que cometeram, os rebeldes apelam para a falsidade para camuflar, para negar a mais vil das proezas da História, a total e absoluta destruição da cidade de Guernica.

Aquele dia fatal, 26 de abril, era dia de mercado e a cidade estava cheia de gente. Em Guernica havia milhares de camponeses de toda a vizinhança, numa atmosfera de camaradagem basca, e ninguém suspeitava de que uma tragédia se aproximava.
Pouco depois das quatro da tarde, aviões jogaram nove bombas no centro da cidade. Procurávamos os feridos, quando mais aviões surgiram, jogando todo tipo de bombas, incendiárias e explosivas.

As feras que pilotavam tais aviões, logo que avistavam nas ruas ou fora da cidade uma figura humana, focalizavam nela suas metralhadoras, semeando terror e morte, entre mulheres, crianças e velhos. Tal foi a tragédia de Guernica, cuja verdade, eu, prefeito da cidade, afirmo diante do mundo inteiro.
A Milícia estacionada em Guernica, naquele dia, era exatamente a mesma que havia confraternizado todos esses meses com o povo de Guernica, ganhando sua afeição. Foi a primeira a prestar auxílio naqueles momentos terríveis. Não foi nossa milícia que ateou fogo a Guernica, e se o juramento de um alcaide cristão e basco tem algum valor, juro diante de Deus e da História que aviões alemães bombardearam cruelmente nossa cidade até riscá-la do mapa.”

Guernica foi ferida, mas não morrerá. Da árvore brotarão novas folhas verdes em toda primavera; seus filhos a ela retornarão; suas casas serão reconstruídas, suas igrejas escutarão novamente seus hinos e preces…
Guernica, o símbolo de nossas liberdades nacionais, e o símbolo da ferocidade do fascismo internacional, não pode morrer.”

A história e a interpretação do quadro

A obra Guernica de Pablo Picasso tem como tema o bombardeio à cidade basca de Guernica, no dia 26 de abril de 1937, que culminou com a morte de 1654 pessoas e 889 feridos. Pode-se dizer que a tragédia de Guernica começou em julho de 1936, quando o exército, liderado pelo General Franco, se revoltou contra o governo da II República Espanhola, dando origem à guerra civil espanhola, que terminou em 1º de abril de 1939 com a vitória dos revoltosos. Ainda em julho, mais precisamente na noite do dia 25, Hitler decidiu apoiar o General Franco.

O apoio de Hitler a Franco ocorreu por dois motivos básicos:

primeiro porque os nazistas não precisariam investir muito neste apoio. O que Franco queria era apenas alguns aviões e armas;
o segundo motivo, e o mais significativo para Hitler, é que, se Franco conseguisse conter o comunismo na Espanha, desestimularia também as tentativas de se implantar o bolchevismo ou sovietismo na França.

Cerca de um mês depois, chegou à Espanha a Legião Condor, composta por oito esquadrões, sendo quadro de bombardeiros e quatro de combate. O acordo firmado com Hitler dava grandes poderes aos nazistas, que eram subordinados apenas a Franco.

Foto de Hitler com Francisco Franco ditador espanhol
Hitler e Franco

Desde o início, o conflito baseou-se na ocupação de Madri, que, de imediato, foi ocupada pelas tropas de Franco. Os revoltosos dominaram ainda a região da Andaluzia, ocupando Mérida e Badajoz. Os republicanos, por sua vez, ocuparam a fronteira com a França. Em março de 1937, ao término da batalha de Guadalajara, os Republicanos ocuparam a região de Madri.

Em contrapartida os revoltosos, com apoio da aviação Alemã, Legião Condor, tomaram Bilbao, Santander e Gijón. Em julho de 1938, os Revoltosos venceram a batalha do Ebro, o que possibilitou a sua chegada à Catalunha.

Entre fevereiro e março de 39 os Revoltosos lançaram sua ofensiva final e, a 28 de março, as tropas de Franco entraram em Madri, encerrando-se assim a guerra civil espanhola.

Como pode ser visto, os primeiros ataques dos nazistas foram alvos importantes situados em Bilbao. Com a perda de Madri, os revoltosos necessitavam abalar, de alguma forma, os Republicanos. Para isso, adotaram a estratégia de bombardear, ininterruptamente, um alvo qualquer com bombas de fragmentação e incendiárias. O alvo escolhido, muito provavelmente por Franco, foi à cidade de Guernica.

Essa escolha deve-se aos seguintes motivos:

Guernica não tinha população numerosa e nem proteção antiaérea, ou seja, a cidade era um alvo fácil;

A cidade abrigava um velho carvalho (Guernikako arbola). Sob o qual, desde os tempos medievais os monarcas espanhóis juravam respeitar as leis e costumes dos bascos. Destruir a cidade seria uma espécie de castigo a todos os que imaginavam uma Espanha federalista ou descentralizada. Destruir Guernica significava também abalar, moralmente, os adversários.

Em 4 de maio de 1939 a Prefeitura de Guernica, dirigindo-se ao povo espanhol, divulgou o seguinte comunicado:

“Em pé, diante desde microfone, quero contar o que os meus olhos viram no lugar do que já foi Guernica, e tomo Deus como testemunha:

Envergonhados pelo monstruoso crime que cometeram, os rebeldes apelam para a falsidade para camuflar, para negar a mais vil das proezas da História, a total e absoluta destruição da cidade de Guernica.

Aquele dia fatal, 26 de abril, era dia de mercado e a cidade estava cheia de gente.

Em Guernica havia milhares de camponeses de toda a vizinhança, numa atmosfera de camaradagem basca, e ninguém suspeitava de que uma tragédia se aproximava.

Pouco depois das quatro da tarde, aviões jogaram nove bombas no centro da cidade. Procurávamos os feridos, quando mais aviões surgiram, jogando todo tipo de bombas, incendiárias e explosivas.

Os pilotos alemães, desprovidos de qualquer traço de piedade, logo que avistavam nas ruas ou fora da cidade uma figura humana, focalizavam nela suas metralhadoras, semeando terror e morte, entre mulheres, crianças e velhos. Tal foi a tragédia de Guernica, cuja verdade, eu, prefeito da cidade, afirmo diante do mundo inteiro.

A Milícia estacionada em Guernica, naquele dia, era exatamente a mesma que havia confraternizado todos esses meses com o povo de Guernica, ganhando sua afeição. Foi a primeira a prestar auxílio naqueles momentos terríveis. Não foi nossa milícia que ateou fogo a Guernica, e se o juramento de um alcaide cristão e basco tem algum valor, juro diante de Deus e da História que aviões alemães bombardearam cruelmente nossa cidade até riscá-la do mapa.”

Guernica foi ferida, mas não morrerá. Da árvore brotarão novas folhas verdes em toda primavera; seus filhos a ela retornarão; suas casas serão reconstruídas, suas igrejas escutarão novamente seus hinos e preces…

Guernica, o símbolo de nossas liberdades nacionais, e o símbolo da ferocidade do fascismo internacional, não pode morrer.”

A obra de arte

A tela Guernica de Picasso foi exibida pela primeira vez em 1937, durante a Exposição Internacional de Paris no pavilhão da República Espanhola. Picasso, que estava engajado com a causa republicana e antifascista da Guerra Civil Espanhola, pretendia que sua obra fosse uma espécie de instrumento de denúncia contra as atrocidades da Guerra Civil espanhola e contra a eterna desumanidade do homem.

O quadro gerou muita polêmica, tanto nos meios políticos como nos artísticos. Alguns críticos disseram que a obra era abstrata demais para servir de instrumento de denúncia social, outros, como sempre, criticaram o artista, dizendo que arte e política não devem ser “misturadas” etc. Toda essa polêmica fez com que a obra ganhasse o “status” de “uma das produções artísticas mais significativas do séc. XX” e fez com que seu autor se consagrasse como o mais importante artista de vanguarda da época.

Atualmente a obra Guernica encontra-se no Centro de Arte Rainha Sofia, em Madri. No entanto, ela ficou durante um longo período no museu de Moderna de Nova York.

Detalhes da Obra
Dimensões: 3,5 x 7,8 m.
Técnica: Óleo sobre tela

Pablo Picasso - Guernica - Pintura
Picasso usou somente o preto, branco e tonalidades de cinza, para externar o horror da destruição e a angustia da população da cidade de Guernica.

Guernica de Picasso - Detalhe 02

Na lateral direita superior tem destaque a figura de um homem com os braços levantados, boca aberta e pescoço muito comprido.
Para estudiosos há um simbolismo de pavor, em função dos traços destorcidos, como se tentasse evitar as bombas lançadas dos aviões.

Guernica de Picasso - Detalhe 03

Uma mulher sai da escuridão para um cone de luz, como se buscasse um alento.
Certa semelhança pode ser detectada nessa imagem, com as clássicas pinturas com a cena de Cristo levando a cruz.
O rosto da mulher expressa um esgotamento mental e físico, este, como se a mulher carregasse um grande peso.

Guernica de Picasso - Detalhe 04

Uma figura, cujo sexo não é possível definir, surge no canto superior direito, vindo como do infinito.
O rosto contempla, horrorizado, o cavalo ferido no centro da tela. É nítida a expressão de alguém que duvida do que está vendo.

Guernica de Picasso - Detalhe 05

Um braço diáfano que lembra uma nuvem, próximo à cabeça do cavalo no centro superior da tela, segura uma lamparina a óleo.
Esse tipo de lâmpada, na cena segura por uma mão distorcida, era muito usada pelos moradores da região, e talvez o artista queira, a exemplo de muitas pinturas sacras, com essa luz representar a consciência universal.

Guernica de Picasso - Detalhe 05

Alguns interpretam a presença também de uma lâmpada elétrica como o olho de Deus, principalmente por ter semelhança com a representação mais comum do sol.

Guernica de Picasso - Detalhe 06

A agonia revelada na figura do cavalo na parte central da obra, caído de joelhos e expressando dor física intensa em função da lança cravada no dorso. Uma ferida aberta, também, reforça a idéia de que o animal está urrando de dor, enquanto vira a cabeça para o touro, mas enquanto exprime uma ira tremenda.
Para alguns críticos de arte o cavalo representa o coletivo do povo espanhol.
Outros, entretanto, identificam uma alusão patética ao ditador Francisco Franco.

Guernica de Picasso - Detalhe 07

O touro, alvo do olhar irado do cavalo, encontra-se do lado esquerdo da tela encontra-se o touro. A brutalidade do olhar feroz do touro seria a representação da brutalidade do ditador. Examinada com atenção a figura do touro parece simbolizar um atacante feroz, que após uma investida de sucesso, se prepara para um novo ataque.
Observe que o touro está parado, abanando a cauda, como se, “após um ataque bem-sucedido”, recuasse para ver os “estragos feitos no adversário” e se preparasse para o próximo ataque. Convém salientar que Picasso era um aficcionado de touradas.
Quando perguntado pela ambigüidade da cena existente entre as figuras do touro e do cavalo Picasso comentou:
“Este touro é um touro, este cavalo um cavalo (…). É preciso que o público, os espectadores, vejam no cavalo, no touro, símbolos que eles devem interpretar como os compreendem”. (extraído da obra Mundo; Homem; Arte em Crise de Mário Pedrosa)

Guernica de Picasso - Detalhe 08

A mãe com a criança nos braços é a figura mais expressiva de toda a obra. É a dor lacerante da mãe que perde um filho.
Comove e pode ser estendida a todas as mães de Guernica, quiçá todas as mães do mundo. A língua em ponta que sai da boca da mãe, “grita” como um punhal varando as carnes.

O simbolismo do touro e do cavalo se torna mais presente nessa parte do quadro, uma vez que os dois animais parecem ser o destino do grito desesperado da mãe.
Para os que vêem no touro a figura do ditador, a impressão é que a mãe tenta fugir da tragédia que brutaliza a população. Aí, o touro (o ditador) procura impedir a fuga.
Picasso utiliza em toda a obra esse tipo de metáfora.

Guernica de Picasso - Detalhe 09

Uma figura esquartejada ocupa a parte inferior esquerda do quadro, talvez um guerreiro tombado que teve os membros amputados.
Mesmo com a cabeça decepada, o guerreiro resiste mantendo o punho cerrado no cabo da espada.
Ainda assim no meio da tragédia o artista faz brotar uma flor como símbolo de esperança em novos tempos que virão.

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