Ésquilo – Dramaturgo

Ésquilo
* Elêusis, Grécia c. 525 a.C
+ Sicília, Itália – 426 a.C

Dramaturgo grego, autor de 90 obras – tragédia e dramas. Era provavelmente de família aristocrática e seu pai chamava-se Eufórion.
Lutou contra os persas em Maratona, 490 a.C., e em Salamina, 480 a.C.
Para os atenienses, o poeta era uma verdadeira instituição.

Embora somente tragédias inéditas fossem habitualmente admitidas nos festivais de Atenas, depois da morte de Ésquilo suas obras eram freqüentemente reapresentadas – as custas da cidade – e chegaram a ser premiadas várias vezes nos concursos.

Sua principal obra, a tragédia Prometeu Acorrentado, é baseada no herói mitológico Prometeu.

Foi a primeira tragédia a apresentar Prometeu como um rebelde contra a injustiça e a onipotência divina, imagem particularmente apreciada pelos poetas românticos, que viram nele a encarnação da liberdade humana, que leva o homem a enfrentar com orgulho seu destino.


PINTURA DA ENCENAÇÃO DE COÉFORAS UMA DAS 3 PEÇAS QUE COMPÕEM ORESTEIA

Escreveu a Trilogia Orestes, baseado na história de Agamenon. Escreveu a versão literária da Lenda Grega Medéia.

Ésquilo, é o mais antigo dos poetas trágicos cuja obra chegou até nossos dias. Aristóteles sustentava que foi ele o verdadeiro criador da tragédia ática.
Apresentou-se pela primeira vez nos concursos trágicos de Atenas em 500 e 499 a.C, com um drama cujo nome hoje desconhecemos; obteve a primeira vitória em 484 a.C e foi, posteriormente, vitorioso mais doze vezes. Já em vida seu prestígio era grande.

A tradição registra pelo menos duas e talvez três viagens a Sicília, sede de algumas das mais poderosas pólis da época, para apresentar suas peças: a primeira em 476/475 a.C, a segunda provavelmente entre 471 e 456 a.C. quando morreu.

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Teatro de Dionísio – Grécia

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Desenho esquemático do Teatro de Dionísio – Grécia

Seu túmulo tornou-se local de peregrinação e, em meados do século IV a.C, e uma estátua sua foi colocada no centro do teatro de Dioniso, em Atenas.

Obras sobreviventes
De toda sua obra somente sete tragédias sobreviveram, graças a uma antologia compilada na época do Imperador Romano Hadrianus.

Dessas sete tragédias, somente duas não podem ser datadas com precisão:
• As Suplicantes, 463 a.C.
• Prometeu Acorrentado, 462/459 a.C.
Os Persas data de 472 a.C e Sete Contra Tebas, de 468 a.C.
As tragédias Agamêmnon, Coéforas e Eumênides, de 458 a.C, formam uma trilogia conhecida por Orestia, e foram apresentadas no mesmo concurso trágico.
Alguns eruditos relutam em atribuir o Prometeu Acorrentado a Ésquilo, e outros acreditam que a peça foi composta na realidade vários anos depois de sua morte 450/425 a.C.

Com exceção de Os Persas, drama histórico que enaltece a vitória dos gregos nas guerras greco-pérsicas, o enredo de todas as outras peças se fundamenta em um ou mais dos grandes ciclos legendários da Mitologia Grega.

Características da obra
Ésquilo foi o primeiro que elevou de um a dois o número dos atores, diminuiu a importância do coro e fez do diálogo protagonista.
Ésquilo reduziu a primitiva importância do coro e acrescentou um segundo ator, tornando possível o diálogo entre os personagens e a ação dramática.
É provável que tenha também introduzido aperfeiçoamentos no vestuário e nos cenários, a julgar pela dificuldade técnica de algumas de suas encenações.

Os temas de suas peças freqüentemente se distribuíam em trilogias, a Trilogia Orestia, é a única que chegou até nós completa.
O enredo é simples e a ação estática, o estilo é elevado e grandioso, as vezes bombástico e um pouco pomposo.
As peças mostram também o profundo sentimento religioso do poeta.

Os personagens principais são sombrios e dominados por uma única meta, como a vingança, por exemplo, e suas características não variam ao longo do drama.  As ações humanas têm conseqüências inevitáveis, pois sempre são guiadas pela fatalidade, pelo destino, ou pela vontade dos deuses.
É visível a intenção moral dos dramas.

Orgulho e atitudes desmesuradas são punidas, e o castigo inevitável pode estender-se inclusive aos descendentes.

COÉFORAS
ÉSQUILO
NOTÍCIA SOBRE A TRAGÉDIA GREGA

A música e a dança constituem, desde a mais remota antigüidade, as formas estéticas de que o homem se serviu para exteriorizar os sentimentos que não podia calar em si. Ainda o homem vivia em tribos, errando de terra em terra para conciliar as suas necessidades com os recursos espontâneos da natureza, e já o bruxo, o feiticeiro, que era ao mesmo tempo sacerdote e médico, astrólogo e conselheiro, transfigurado em demônio ou coberto de amuletos, executava as suas danças epilépticas para fazer exorcismos e sacrifícios propiciatórios.

Até mesmo entre os povos selvagens a dança desempenha uma função importante, sendo inúmeras as suas aplicações: há danças religiosas, fúnebres, terapêuticas, guerreiras, etc., – ruidosas e movimentadas, sacudidas, frenéticas, delirantes, para excitar a compaixão dos deuses, afastar os espíritos maléficos que provocam as doenças, tornar os corpos ágeis, conforme o seu objetivo. Pode dizer-se que nenhuma cerimônia de certa monta se efetua sem a correspondente dança simbólica. Esta exige, por vezes, uma indumentária apropriada, com adornos bizarros, para que os dançarinos se tornem temidos ou admirados pela fealdade, a violência, a coragem, o vigor, a força, a agilidade, exibam os amuletos e efetuem os movimentos que o ritual impõe. Nestas grotescas representações há já, por vezes, alguma coisa de dramático, destacando-se um personagem para estabelecer diálogo com os restantes que formam uma espécie de coro.

Mais tarde, a dança modifica as suas formas, estiliza as atitudes, introduz modulações suaves na primitiva vertigem dos ritmos delirantes, no paroxismo dos compassos rápidos. Quando a graciosidade e a leveza triunfam, é à mulher que cabe o papel principal. O mágico tornou-se o sacerdote que ministrava apenas os sacramentos e proferia as fórmulas ritualescas, enquanto as sacerdotisas, as bailarinas sagradas, agitando os flébeis corpos ondulantes nas convulsões da dança, traçavam as curvas mágicas de encantamento que haviam de enredar os deuses nas suas malhas misteriosas. Era assim que as Vestais do paganismo desenvolviam temas ritualescos, com embriagos de sonho, numa alucinação divina. E os deuses deixavam-se fascinar por aquela mímica estranha, que tinha filtros sutis. A dança realizava uma objetivação do pensamento metafísico. Era o movimento que exprimia as idéias; era o gesto que delineava formas, esculpindo posições.

Na Grécia, a forma dramática nasceu do culto de Dionisos, cujas festas se realizavam quatro vezes no ano, com grande solenidade(1).

Enquanto se procedia à cerimônia do sacrifício de um bode(2), em honra de Dionisos, um grupo de personagens, com máscaras representativas de Pans, Sátiros e Silenos – o cortejo do deus – dançava ao redor do altar do sacrifício entoando o ditirambo – espécie de poesia coral cuja criação se atribue a Arionte e que celebrava qualquer episódio da vida de Dionisos.

A partir de certa altura, introduziu-se uma inovação que, insignificante na aparência, foi o primeiro passo para o nascimento do drama: destacou-se um personagem do coro para desempenhar o papel de Dionisos, o qual recitava o ditirambo, no vestíbulo do templo, exortando, em breves frases, os dançarinos do coro, agrupados em volta do altar do sacrifício, a iniciarem o canto. Nos tempos primitivos era o próprio poeta quem recitava as suas composições, cabendo ao coro o papel mais importante. O monólogo passou depois a ser independente do coro, até que, no tempo de Sólon, cerca de 540 anos antes da nossa era, Tespis entremeou o coro com a representação da lenda de Dionisos dando-lhe a forma dialogada que permitia intervalos de descanso aos personagens que dançavam ao derredor do altar, sem interromper a cerimônia.

Os seus discípulos, Quérilo, Prátinas de Flionte e, sobretudo, Frínico(3) introduziram alguns aperfeiçoamentos na técnica teatral. Frínico distribuiu o coro em grupos, para lhe dar maior mobilidade, fez aparecer mulheres em cena, pela primeira vez, e teve a audácia de tratar um acontecimento contemporâneo na tragédia Tomada de Mileto. Esta peça, representada em 494, comoveu tão profundamente o povo de Atenas que o seu autor foi condenado a pagar uma multa de mil dracmas por ter recordado o desastre. Apenas se conhecem pouquíssimos fragmentos das suas tragédias, Fenícias(4), Alcestes, Tântalo e Danaides.

Foi pouco a pouco que a forma dramática triunfou da forma lírica do ditirambo. A princípio, como era natural, o mito de Dionisos servia exclusivamente de assunto às composições ditirâmbicas, mas, a breve trecho, os poetas litúrgicos, tendo esgotado já todos os recursos da lenda, que assim se tornava monótona, deixaram derivar a fantasia para outras regiões inexploradas, em busca de novos motivos. Entraram então em cena os reis e os heróis lendários cujos perfis dolorosos ou severos, angustiados ou ferozes, haviam já sido modelados na imaginação popular pela voz melodiosa dos aedos aqueus que inspiraram, na Jônia, a epopéia heróica e dos cantores sagrados do divino Helicon que fizeram surgir, na Beócia, a epopéia religiosa.

Este enriquecimento extraordinário de conteúdo trágico levou Ésquilo a introduzir na tragédia um novo personagem (deuteragonista) que dialogava com o primeiro (protagonista), passando o coro a ter uma importância secundária. Com Sófocles aparece um terceiro ator (tritagonista), que desempenhava diversos papéis; e Eurípedes torna o coro independente da ação que se desenvolve, exercendo a sua função apenas nos entreatos.

Assim a técnica teatral atingiu com Ésquilo, a sua forma definitiva, passando as representações a efetuar-se em lugares apropriados – os primeiros teatros – hemiciclos descobertos e em anfiteatro no meio dos quais se erguia um altar em honra de Dionisos (a quem as festas continuavam a ser consagradas) e uma barraca donde saíam os atores e onde se recolhiam, consoante as exigências da ação. Ao sacerdote de Dionisos era concedido um lugar especial no teatro.

Os atores usavam máscaras enormes para que todo o anfiteatro pudesse contemplar a sua expressão; e um calçado especial, de grande altura – o coturno – para assim lhes aumentar as proporções do corpo, tornando-os capazes de exprimir, simbolicamente, a estatura moral dos deuses ou dos heróis que representavam. O uso de máscaras não permitia, evidentemente, que os atores se servissem da expressão fisionômica para acompanhar, na sua mobilidade, o desenvolver da ação; e assim o teatro antigo tem apenas um valor literário e simbólico.

As máscaras da tragédia apresentavam traços que serviam para caracterizar o gênero trágico e as distinguiam das máscaras da comédia. As primeiras eram impessoais e procuravam suscitar o temor, a admiração, a piedade, ao passo que estas pretendiam apenas provocar o riso ou a indignação, quer reproduzissem caricaturalmente a fisionomia da pessoa visada, quer representassem um tipo social ou fossem simples alegorias.

O epônimo, que dirigia as dionísias, punha a concurso as peças de três poetas trágicos e de três poetas cômicos, depois de excluir aquelas que lhe não pareciam dignas de ser representadas; e o corégio, escolhido entre os cidadãos mais ricos das tribos, fazia as despesas da representação. O autor ensaiava os coros (corodidáscalo), reservava geralmente para si um dos papéis, instruía os atores e dirigia a representação. Como se tratava duma função pública, o Estado pagava aos atores e poetas o salário estabelecido, até que Agírrio fez aprovar um decreto que suprimiu este encargo.

Na própria tragédia havia uma parte reservada à Musa cômica. Os poetas trágicos, admitidos a concurso, enviavam ao epônimo um grupo de quatro peças (tetralogia), constituindo as três primeiras (trilogia) a parte trágica e a outra a parte cômica, na qual entrava um coro de Sátiros. Não chegou até nós nenhuma tetralogia completa; apenas se conhece uma trilogia de Ésquilo – Oréstia – e um drama satírico de Eurípedes – O Cíclope.

As obras dos poetas trágicos eram submetidas a um júri composto de dez cidadãos escolhidos pelo epônimo, entre os que já tivessem completado o serviço militar. “Se receais que os espectadores, por ignorância, não percebam as vossas sutilezas, tranqüilizai-vos: não é assim, todos eles fizeram a guerra”, diz o coro da comédia Rãs a Eurípedes e Ésquilo que discutem seus méritos. As representações duravam todo o dia; e à noite procedia-se à votação para classificar os concorrentes. O poeta que alcançava o primeiro prêmio imolava um boi a Dionisos.

As idéias dominantes na tragédia grega são a liberdade moral e a fatalidade. Moira, o destino, era para os gregos uma divindade implacável: o solo era pouco fértil, convulsionado por tremores de terra, eriçado de montanhas de encostas íngremes, rasgado por vales fundos e apertados, talado por sucessivas invasões que os peitos dos heróis não podiam conter nem o auxílio dos deuses evitar. Por isso o Destino é superior aos homens, aos heróis e aos próprios deuses.

A tragédia grega decaiu rapidamente a partir de Eurípedes. Embora os nomes de Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, se destaquem acima de todos os outros e sejam os únicos dos quais possuímos peças completas, são dignos de menção os trágicos:

Íone, amigo íntimo de Ésquilo, cuja primeira tragédia foi representada em 452 a.J.C.;
Aqueu, autor das tragédias Cicno, Edipo, Filoteto e Onfale;
Agatone que, bastante novo ainda (416 a.J.C.), alcançou o prêmio da tragédia, festejando esse triunfo com um banquete que Platão nos descreve;
Neófrone, que, segundo Suidas, escreveu 20 tragédias, entre elas uma Medéa que Eurípedes parece ter imitado;
Fílocles, sobrinho de Ésquilo, que obteve o 1.° prêmio da tragédia numa competição com Sófocles;
Astídamas, neto de Fílocles, que alcançou quinze vezes o prêmio da tragédia;
Carcino, que introduziu, nas suas peças, deuses que se lamentavam;
Xénocles, filho de Carcino, que venceu Eurípedes numa competição dramática e fazia freqüente emprego de máquinas.
L. V.

Fonte: http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/coeforas.html

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração, Tecnologia da Informação e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, USA. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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Posted in Dramaturgos
One comment on “Ésquilo – Dramaturgo
  1. alessandro gutierrez disse:

    me gusta su vida de esquilopppppppppz pq me obligan estoy secuestrado porfavor ayudenme mi telefono :436 ai bienen pf ayudenme no puedo escribir mi telefono ayudenme pf chau

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