Dercy Gonçalves – Atriz

Foto de Dercy Gonçalves aos 100 anos

Dercy Gonçalves – Atriz – Comediante
* Santa Maria Madalena – RJ, Brasil – 23 de Junho de 1907 d.C
+ Rio de Janeiro, Capital – Brasil – 19 de Julho de 2008 (101 anos) d.C

Dolores Costa Gonçalves (Santa Maria Madalena RJ 1907). Atriz. Dercy Gonçalves pertence a uma categoria especial de ator, dos grandes comediantes populares puramente intuitivos. Atriz do teatro de revista e posteriormente dedicada a shows solitários, é o maior expoente do teatro de improviso no Brasil.


Dercy Gonçalves – Trecho do Filme “Entrei de Gaiato”

Estréia em 1929, na cidade de Leopoldina na Companhia Maria Castro, fazendo dueto com Eugênio Pascoal. No ano seguinte, viaja pelo interior dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, apresentando-se em dupla com Eugênio Pascoal, como Os Pascoalinos. No Rio de Janeiro, faz carreira no teatro de revista na década de 30 e, nos anos 40, trabalha para a empresa de Walter Pinto em espetáculos como Rumo a Berlim, de Freire Jr. e Walter Pinto; Passo de Ganso, de Freire Jr., em 1942; Rei Momo na Guerra, de Freire Jr. e Assis Valente, 1943; Momo na Fila, de Geysa Bôscoli e Luiz Peixoto, 1944; e Canta Brasil, de Luiz Peixoto, Geysa Bôscoli e Paulo Orlando, 1945; todos com direção de Otávio Rangel. Nos anos 50, quando a revista já não atrai o mesmo público, dedica-se à comédia.

Nos espetáculos em que atua, Dercy se sobrepõe ao texto, nunca representando a personagem, mas fazendo com que esta se amolde a ela. O restante do elenco se converte em apoio aos improvisos da diva popular, reduzindo-se ao papel de coro. Este procedimento é alvo de críticas, que, no entanto, não abalam o direcionamento da atriz.

A partir do final dos anos 60, Dercy abandona a dramaturgia, para recorrer a um formato mais próximo ao show, em que ela tem papel solo. Inicialmente, alguns autores são chamados a escrever sob encomenda. Depois, a própria atriz assina roteiro e direção. O nome dos espetáculos muda, mas seu conteúdo e sua forma são sempre idênticos: solos de Dercy Gonçalves com sua comicidade bufa em diálogo direto com o espectador, sem personagem, feito de uma seqüência de piadas e tiradas cômicas. O palavrão tem uso recorrente, o que faz o crítico Sábato Magaldi observar que, nos espetáculos da atriz, o palavrão aplaudido tem função de ária de ópera.

Em cinema, atua em Samba em Berlim, direção de Luís de Barros, 1943; Abacaxi Azul, direção de J. Ruy (Ruy Costa), 1944; Caídos do Céu, direção de Luís de Barros, 1946; Uma Certa Lucrécia, direção de Fernando de Barros, 1957; A Baronesa Transviada, direção de Watson Macedo, 1957; A Grande Vedete, direção de Eurides Ramos, 1958; Cala Boca Etelvina, direção de Eurides Ramos, 1959; Só Naquela Base, direção de Ronaldo Lupo, 1960; Com Minha Sogra em Paquetá, direção de Saul Lachtermacher, 1961.

Em 1985, a atriz recebe o Troféu Mambembe como melhor personagem de teatro, uma categoria criada especialmente para ela que, em setenta anos de carreira, não conquistou nenhum prêmio por seu desempenho de atriz. Os críticos vêem dois lados de abordagem de seu trabalho: o lado do sucesso fácil e o da autenticidade. Yan Michalski, quando a atriz anuncia seu afastamento dos palcos, em 1971, escreve:

“Não é este, por certo, o teatro popular que eu gostaria de ver florescer no Brasil: a obstinação de Dercy em ver o público das chamadas camadas menos privilegiadas como algo de irremediavelmente primário; a sua recusa em contribuir para que esse público fosse levado sequer um passo na direção da conscientização; a sua ojeriza a qualquer idéia de renovação – tudo isso caracteriza uma posição revoltantemente reacionária”.1

Já o crítico Sábato Magaldi aborda o estilo da atriz pelo lado da assumida marginalidade:

“Imperceptivelmente, começa-se a sentir por que Dercy sintoniza tanto com o público. Ela assume a própria marginalidade, erigindo-a como um troféu. O povo brasileiro também, por circunstâncias históricas, políticas e econômicas, acabou sendo marginalizado, ainda que ostente o emblema da completa soberania. Dercy perseguida, incompreendida, marginalizada, mas dando a volta por cima, no deboche e no sarcasmo, confunde-se com a efígie não expressa que parcela ponderável da população tem a seu próprio respeito. O riso provoca a catarse. (…) rindo, se aprende com ela uma profunda lição de brasilidade”.2

Notas

1. MICHALSKI, Yan. Despedida demagógica. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 27 abr. 1971.
2. MAGALDI, Sábato. A marginalidade erigida em troféu. Jornal da Tarde, São Paulo, 26 mar. 1983. Divirta-se.

Filmografia

* 1943 – Samba em Berlim
* 1944 – Abacaxi Azul
* 1944 – Romance Proibido (Dercy)
* 1946 – Caídos do Céu (Rita Naftalina)
* 1948 – Folias Cariocas
* 1956 – Depois Eu Conto
* 1957 – A Baronesa Transviada (Gonçalina / Baronesa)
* 1957 – Absolutamente Certo (Bela)
* 1957 – Feitiço do Amazonas
* 1958 – Uma certa Lucrécia (Lucrécia)
* 1958 – A Grande Vedete (Janete)
* 1959 – Cala a Boca, Etelvina (Etelvina)
* 1959 – Entrei de gaiato(Anastácia da Emancipação)
* 1959 – Minervina Vem Aí (Minervina)
* 1960 – A Viúva Valentina (Valentina)
* 1960 – Dona Violante Miranda (Violante Miranda)
* 1960 – Com Minha Sogra em Paquetá
* 1960 – Só Naquela Base
* 1963 – Sonhando com Milhões
* 1970 – Se Meu Dólar Falasse
* 1980 – Bububu no Bobobó
* 1983 – O Menino Arco-Íris
* 1993 – Oceano Atlantis
* 2000 – Célia & Rosita (curtametragem)

Televisão

* 1966: Dercy Espetacular – programa de variedades (Globo)
* 1968: Dercy de Verdade – programa de variedades (Globo)
* 1971: Dercy em Famlia – programa de variedades (Record)
* 1971: Família Trapo – participação como a namorada de Bronco (Record)
* 1980: Cavalo Amarelo – Dulcinéa (Rede Bandeirantes – Troféu Imprensa de Melhor Atriz, empate com Dina Sfat)
* 1980: Dulcinéa vai à guerra – Dulcinéa (Rede Bandeirantes)
* 1984: Humor Livre (Globo)
* 1989: Que Rei Sou Eu? – Baronesa Eknésia (participação especial) (Globo)
* 1990: La Mamma – Mamma (Globo)
* 1992: Deus nos Acuda – Celestina (Globo)
* 1994: Brasil Especial (Globo)
* 1996: Caça Talentos – Miss Dayse (Globo)
* 1996: Sai de Baixo – Mãe de Vavá e Cassandra (participação especial) (Globo)
* 2000: Fala Dercy (SBT)
* 2001: A Praça é Nossa – participações como ela mesma (SBT)

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração, Tecnologia da Informação e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, USA. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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