David Hume – Filósofo

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David Hume
* Edimburgo, Escócia – 18 Janeiro 1711 d.C
+ Edimburgo, Escócia – 10 Fevereiro 1776 d.C

David Hume, retratado por Allan Ramsay (1713-1784) em 1766
Edimburgo Scottish National Portrait Gallery

Historiador, economista e filósofo escocês, nascido nas proximidades de Edimburgo, um dos maiores expoentes da filosofia moderna, com pensamento baseado no ceticismo positivo, considerado o fundador da escola cética ou agnóstica de filosofia, o Empirismo, cujo princípio básico é evitar toda hipótese não comprovável experimentalmente.

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Estátua de Davi Hume – Royal Mile – Edimburgo

Filho de pequenos agricultores, Joseph Hume e Katherine Falconer, de acordo com o sistema de primogenitura o filho mais velho herdou as propriedades da família e ele, de acordo com as expectativas de sua família, deveria seguir a tradicional carreira de advogado.

Freqüentou a Universidade Edimburgo (1724-1726) e por achar advocacia muito chata, dedicou-se entusiasticamente ao estudo de literatura e filosofia, enquanto trabalhava como comerciante.

Em busca de aprofundar esses conhecimentos, estudou na França (1734-1737) e lá escreveu seu primeiro livro, A Treatise of Human Nature, que publicou após voltar para seu país (1739) e que o decepcionou com a fraca recepção.

Com esse trabalho tentou, sem êxito, obter a cátedra de ética em Edimburgo. Porém seu novo livro foi sucesso imediato. Essays, Moral and Political (1741-1742) deu-lhe crescente prestígio e no final daquela década trabalhou como secretário do General James St. Clair em missões militares na Britânia, Viena e Turim.

Ainda em Edimburgo (1751) foi nomeado guardião da biblioteca da Faculty of Advocates in Edinburgh. Com a publicação de Political Discourses (1752), começou a ser internacionalmente conhecido.

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Placa afixada na Old Calton Buryng Ground

Serviu por alguns anos como secretário de governo e então entrou para o serviço diplomático (1763) quando foi nomeado embaixador em Paris (1763-1766).

Fez várias viagens ao interior da França, aos Países Baixos, a Alemanha e a Itália, países em que entrou em contato com os principais intelectuais europeus, entre eles o filósofo francês Jean-Jacques Rousseau.

De volta a Inglaterra, ainda esteve em Londres trabalhando por um tempo como secretário de estado (1766-1769) e, então, aposentou-se (1769), retirando-se definitivamente para Edimburgo, para ir viver com a irmã.

Durante os últimos anos de vida entregou-se a revisão de sua obra e a redação de vários textos que apareceriam postumamente, entre eles uma autobiografia (1777).

Solteiro convicto morreu em Edimburgo vitima de um incurável câncer de estômago, sem deixar filhos.

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Túmulo de Hume em Edimburgo

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Túmulo de Hume em Edimburgo – Detalhe

Sua obra foi fundamentalmente influente para Immanuel Kant e os positivistas, e também para o desenvolvimento do pensamento liberal clássico.

Outras portentosas obras de sua autoria foram Philosophical Essays Concerning Human Understanding (1748), Enquiry Concerning the Principles of Morals (1751) e o espetacular sucesso The History of England (1754-1762, quatro volumes), obra que durante décadas foi usada como padrão nas escolas britânicas.

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Foi, juntamente com Adam Smith e George Berkeley, entre outros, uma das figuras mais importantes do chamado iluminismo escocês. É visto por vezes como o terceiro e o mais radical dos chamados empiristas britânicos, depois de John Locke e George Berkeley.

O destaque dado ao trio Hume, Locke, e Berkeley, apesar de tradicional, desvaloriza a influência de vários escritores francófonos tais como Pierre Bayle e Nicolas Malebranche e de outras figuras intelectuais de língua inglesa como Isaac Newton, Samuel Clarke, Francis Hutcheson, e Joseph Butler.

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A influente filosofia de Hume é famosa pelo seu profundo ceticismo, apesar de muitos especialistas preferirem destacar a sua componente naturalista. O estudo da sua obra tem oscilado entre aqueles que colocam ênfase no lado ceticista (tais como Reid, Greene, e os positivistas lógicos) e aqueles que enfatizam o lado naturalista (como Kemp Smith, Stroud, e Galen Strawson).
Mas independente disso um dos maiores filósofos ingleses do século XX, Bertrand Russell ainda pode dizer de Hume que ele foi o maior filósofo britânico que já existiu, o que demonstra claramente a importância da obra do escritor escocês.

Não se sabe, se David Hume possuía alguma crença, para alguns ele era ateu, e para outros agnóstico.

Politicamente era um liberal do partido Whig, favorável à união entre a Escócia e a Inglaterra de 1707. Sua língua materna era o escocês (scots), falava inglês com um forte sotaque, contudo, escrevia exemplarmente nesta. Foi um dos ilustres membros da Select Society de Edimburgo.
Seguindo atentamente os acontecimentos nas colônias americanas, tomou partido pela independência americana.
Em 1775 ele disse a Benjamin Franklin: “eu sou um americano nos meus princípios”.

Cronologia

* Nasceu na Escócia dia 7 de maio de 1711.
* 1714 David Hume perdeu seu pai.
* 1722, com 11 anos, entrou na Universidade de Edimburgo.
* 1726, por volta dos 15 anos, decidiu aprimorar, lendo livros clássicos, seus conhecimentos por conta própria.
* 1729 e 1734 sofreu um sério esgotamento nervoso
* 1734, viajou para o interior da França para complementar sua educação.
* 1737, Hume retornou a Escócia para juntar-se à mãe e ao irmão na antiga propriedade rural da família.
* 1739 – 1740 publicou em duas etapas o “Tratado da Natureza Humana”.
* 1741 – 1742 publicou em Edimburgo seus dois volumes do “Ensaios Morais, Políticos e Literários”
* 1744, Hume tornou-se candidato à cátedra de Filosofia Moral na Universidade de Edimburgo, mas não conseguiu.
* 1746, recebeu um convite do General James St. Clair para assessorá-lo como secretário em uma expedição contra o Canadá. Hume aceitou.
* 1748 – publicou “Investigação sobre o Entendimento Humano”
* 1748 – 1749 Hume vestiu o uniforme de oficial, assessorado o general em sua embaixada militar as cortes de Viena e Turim.
* 1749 – Hume retornou a Escócia e morou dois anos na casa de seu irmão (sua mãe havia falecido)
* 1751 – publicou “Investigação sobre os Princípios da Moral”

* 1752 – Hume foi feito conservador da biblioteca dos Advogados de Edimburgo
* 1754 – 1795 publicou em seis volumes “A história de Inglaterra”
* 1757 – publicou “História Natural da Religião”
* 1761 – Roma colocou todos os seus escritos no Índex, a lista dos livros proibidos na Igreja Católica Romana
* 1763 – recebeu convite do conde de Hertford, como secretário da Embaixada. Hume tornou-se amigo do conde de Hertford e de seu irmão o General ConWay
* 1765 – atuou como encarregado de negócios da embaixada de Paris por quatro meses.
* 1766 – Hume ofereceu a Jean-Jacques Rousseau (filósofo francês) refúgio na Inglaterra
* 1766 – Rousseau, com suas alucinações, suspeitou de conspiração, e retornou a França, espalhando um relatório de má fé de Hume.
* 1767 – recebeu de Mr. Conway, irmão de Lord Hertfor, o convite para importante cargo público. Deixou novamente Edimburgo
* 1767 – 1768 – serviu em Londres como Subsecretário de Estado para a região Norte.
* 1769 – retornou a Escócia dizendo cansado da vida pública e também da Inglaterra. Estabeleceu-se novamente em Edimburgo.
* 1776 – escreveu sua autobiografia, data de 18 de abril de 1776, mas já se encontrava doente desde o ano anterior.
* 1776 – David Hume morreu em Edimburgo em 25 de agosto, com 65 anos, e foi enterrado em Waterloo Place.
* 1777 – foi lançada sua autobiografia, “Vida de David Hume escrita por ele mesmo”, cujo título original é My Own Life (Minha Própria Vida).

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Da Origem Das Idéias

Cada um admitirá prontamente que há uma diferença considerável entre as percepções do espírito, quando uma pessoa sente a dor do calor excessivo ou o prazer do calor moderado, e quando depois recorda em sua memória esta sensação ou a antecipa por meio de sua imaginação. Estas faculdades podem imitar ou copiar as percepções dos sentidos, porém nunca podem alcançar integralmente a força e a vivacidade da sensação original. O máximo que podemos dizer delas, mesmo quando atuam com seu maior vigor, é que representam seu objeto de um modo tão vivo que quase podemos dizer que o vemos ou que o sentimos. Mas, a menos que o espírito esteja perturbado por doença ou loucura, nunca chegam a tal grau de vivacidade que não seja possível discernir as percepções dos objetos. Todas as cores da poesia, apesar de esplêndidas, nunca podem pintar os objetos naturais de tal modo que se tome a descrição pela paisagem real. O pensamento mais vivo é sempre inferior à sensação mais embaçada.Podemos observar uma distinção semelhante em todas as outras percepções do espírito.

* Da imortalidade da alma e outros textos póstumos, Ijuí: Editora da Unijuí, 2006.

Um homem à mercê dum ataque de cólera é estimulado de maneira muito diferente da de outro que apenas pensa nessa emoção. Se vós me dizeis que certa pessoa está amando, compreendo facilmente o que quereis dizer-me e formo uma concepção precisa de sua situação, porém nunca posso confundir esta idéia com as desordens e as agitações reais da paixão. Quando refletimos sobre nossas sensações e impressões passadas, nosso pensamento é um reflexo fiel e copia seus objetos com veracidade, porém as cores que emprega são fracas e embaçadas em comparação com aquelas que revestiam nossas percepções originais. Não é necessário possuir discernimento sutil nem predisposição metafísica para assinalar a diferença que há entre elas.

Podemos, por conseguinte, dividir todas as percepções do espírito em duas classes ou espécies, que se distinguem por seus diferentes graus de força e de vivacidade. As menos fortes e menos vivas são geralmente denominadas pensamentos ou idéias. A outra espécie não possui um nome em nosso idioma e na maioria dos outros, porque, suponho, somente com fins filosóficos era necessário compreendê-las sob um termo ou nomenclatura geral. Deixe-nos, portanto, usar um pouco de liberdade e denominá-las impressões, empregando esta palavra num sentido de algum modo diferente do usual. Pelo termo impressão entendo, pois, todas as nossas percepções mais vivas, quando ouvimos, vemos, sentimos, amamos, odiamos, desejamos ou queremos. E as impressões diferenciam-se das idéias, que são as percepções menos vivas, das quais temos consciência, quando refletimos sobre quaisquer das sensações ou dos movimentos acima mencionados.

A primeira vista, nada pode parecer mais ilimitado do que o pensamento humano, que não apenas escapa a toda autoridade e a todo poder do homem, mas também nem sempre é reprimido dentro dos limites da natureza e da realidade. Formar monstros e juntar formas e aparências incongruentes não causam à imaginação mais embaraço do que conceber os objetos mais naturais e mais familiares. Apesar de o corpo confinar-se num só planeta, sobre o qual se arrasta com sofrimento e dificuldade, o pensamento pode transportar-nos num instante às regiões mais distantes do Universo, ou mesmo, além do Universo, para o caos indeterminado, onde se supõe que a Natureza se encontra em total confusão. Pode-se conceber o que ainda não foi visto ou ouvido, porque não há nada que esteja fora do poder do pensamento, exceto o que implica absoluta contradição.

Entretanto, embora nosso pensamento pareça possuir esta liberdade ilimitada, verificaremos, através de um exame mais minucioso, que ele está realmente confinado dentro de limites muito reduzidos e que todo poder criador do espírito não ultrapassa a faculdade de combinar, de transpor, aumentar ou de diminuir os materiais que nos foram fornecidos pelos sentidos e pela experiência. Quando pensamos numa montanha de ouro, apenas unimos duas idéias compatíveis, ouro e montanha, que outrora conhecêramos. Podemos conceber um cavalo virtuoso, pois o sentimento que temos de nós mesmos nos permite conceber a virtude e podemos uni-la à figura e forma de um cavalo, que é um animal bem conhecido. Em resumo, todos os materiais do pensamento derivam de nossas sensações externas ou internas; mas a mistura e composição deles dependem do espírito e da vontade. Ou melhor, para expressar-me em linguagem filosófica: todas as nossas idéias ou percepções mais fracas são cópias de nossas impressões ou percepções mais vivas.

Para prová-lo, espero que seja suficientes os dois argumentos seguintes. Primeiro, se analisamos nossos pensamentos ou idéias, por mais compostos ou sublimes que sejam, sempre verificamos que se reduzem a idéias tão simples como eram as cópias de sensações precedentes. Mesmo as idéias que, à primeira vista, parecem mais distantes desta origem mostram-se, sob um escrutínio minucioso, derivadas dela.

A idéia de Deus, significando o Ser infinitamente inteligente, sábio e bom, nasce da reflexão sobre as operações de nosso próprio espírito, quando aumentamos indefinidamente as qualidades de bondade e de sabedoria. Podemos continuar esta investigação até a extensão que quisermos, e acharemos sempre que cada idéia que examinamos é cópia de uma impressão semelhante. Aqueles que dizem que esta afirmação não é universalmente verdadeira, nem sem exceção, têm apenas um método, e em verdade fácil, para refutá-la: mostrar uma idéia que, em sua opinião, não deriva desta fonte. Incumbir-nos-ia então, se quiséssemos preservar nossa doutrina, de mostrar a impressão ou percepção mais viva que lhe corresponde.

Segundo, se ocorre que o defeito de um órgão prive uma pessoa de uma classe de sensação, notamos que ela tem a mesma incapacidade para formar idéias correspondentes. Assim, um cego não pode ter noção das cores nem um surdo dos sons. Restaurai a um deles um dos sentidos de que carecem: ao abrirdes as portas às sensações, possibilitais também a entrada das idéias, e a pessoa não terá mais dificuldade para conceber aqueles objetos. O mesmo fenômeno ocorre quando o objeto apropriado para estimular qualquer sensação nunca foi aplicado ao órgão do sentido. Um lapão ou um negro, por exemplo, não têm nenhuma noção do sabor do vinho.

Apesar de haver poucos ou nenhum caso de semelhante deficiência no espírito, em que uma pessoa nunca sentiu ou que é completamente incapaz de um sentimento ou paixão próprios de sua espécie, constatamos, todavia, que a mesma observação ocorre em menor grau. Um homem de modos brandos não pode formar uma idéia de vingança ou de crueldade obstinada, nem um coração egoísta pode conceber facilmente os ápices da amizade e da generosidade. Em verdade, admitimos que outros seres podem possuir muitos sentidos dos quais não temos noção, porque as idéias destes sentidos nunca nos foram apresentadas pela única maneira por que uma idéia pode ter acesso ao espírito, isto é, mediante o sentimento e a sensação reais.

Há, no entanto, um fenômeno contraditório que pode provar que não é absolutamente impossível que as idéias nasçam independentes de suas impressões correspondentes. Acredito que se concordaria facilmente que as várias idéias de cores diferentes que penetram pelos olhos, ou aquelas de sons conduzidas pelo ouvido, são realmente diferentes umas das outras, embora, ao mesmo tempo, parecidas. Ora, se isto é verdadeiro a respeito das diferentes cores, deve sê-lo igualmente para os diversos matizes da mesma cor; e cada matiz produz uma idéia diversa, independente das outras.

Pois, se se negasse isto, seria possível, por contínua gradação dos matizes, passar insensivelmente de uma cor a outra completamente distante de série; se vós não admitis a distinção entre os intermediários, não podeis, sem absurdo, negar a identidade dos extremos. Suponde, então, uma pessoa que gozou do uso de sua visão durante trinta anos e se tornou perfeitamente familiarizada com cores de todos os gêneros, exceto com um matiz particular do azul, por exemplo, que nunca teve a sorte de ver. Colocai todos os diferentes matizes daquela cor, exceto aquele único, defronte daquela pessoa, decrescendo gradualmente do mais escuro ao mais claro.

Certamente, ela perceberá um vazio onde falta este matiz, terá o sentimento de que há uma grande distância naquele lugar, entre as cores contíguas, mais do que em qualquer outro.

Ora, pergunto se lhe seria possível, através de sua imaginação, preencher este vazio e dar nascimento à idéia deste matiz particular que, todavia, seus sentidos nunca lhe forneceram? Poucos leitores creio eu, serão de opinião que ela não pode; e isto pode servir de prova que as idéias simples nem sempre derivam das impressões correspondentes, mas esse caso tão singular é apenas digno de observação e não merece que, unicamente por ele, modifiquemos nossa máxima geral.

Eis, portanto, uma proposição que não apenas parece simples e inteligível em si mesma, mas que, se se fizer dela o uso apropriado, pode tornar toda discussão igualmente inteligível e eliminar todo jargão, que há muito tempo se apossou dos raciocínios metafísicos e os desacreditou. Todas as idéias, especialmente as abstratas, são naturalmente fracas e obscuras; o espírito tem sobre elas um escasso controle; elas são apropriadas para serem confundidas com outras idéias semelhantes, e somos levados a imaginar que uma idéia determinada está aí anexada se, o que ocorre com freqüência, empregamos qualquer termo sem lhe dar significado exato. Pelo contrário, todas as impressões, isto é, todas as sensações, externas ou internas, são fortes e vivas; seus limites são determinados com mais exatidão e não é tão fácil confundi-las e equivocar-nos.

Portanto, quando suspeitamos que um termo filosófico está sendo empregado sem nenhum significado ou idéia – o que é muito freqüente – devemos apenas perguntar: de que impressão é derivada aquela suposta idéia?3 E, se for, impossível designar urna, isto servirá para confirmar nossa suspeita. E razoável, portanto, esperar que, ao trazer as idéias a uma luz tão clara, removeremos toda discussão que pode surgir sobre sua natureza e realidade

O legado de Hume
O pensamento de Hume possui ainda relevância extraordinária na filosofia atual, com imensa influência. Eis algumas das suas principais contribuições para a filosofia:

O problema da causalidade
Quando um evento provoca outro evento, a maioria das pessoas pensa que estamos conscientes de uma conexão entre os dois que faz com que o segundo siga o primeiro.

Hume questionou esta crença, notando que se é óbvio que nos apercebemos de dois eventos, não temos necessariamente de aperceber uma conexão entre os dois. E como havemos nós de nos aperceber desta misteriosa conexão senão através da nossa percepção ?

Hume negou que possamos fazer qualquer idéia de causalidade que não através do seguinte: Quando vemos que dois eventos sempre ocorrem conjuntamente, tendemos a criar uma expectativa de que quando o primeiro ocorre, o segundo seguirá.

Esta conjunção constante e a expectativa dela são tudo o que podemos saber da causalidade, e tudo o que a nossa idéia de causalidade pode inferir. Tal conceitualização rouba à causalidade a sua força e alguns Humanistas posteriores, como Bertrand Russell, desmentiram a noção de causalidade no geral como algo de parecido com a superstição.

Mas isto é uma violação do senso-comum. O problema da causalidade: O que justifica a nossa crença numa conexão causal? Que tipo de conexão podemos perceber? É um problema que não tem solução unânime. A perspectiva de Hume parece ser que nós temos uma crença na causalidade semelhante a um instinto, que se baseia no desenvolvimento dos hábitos na nossa mente. Uma crença que não pode ser eliminada mas que também não pode ser provada verdadeira por nenhum argumento, dedutivo ou indutivo, tal como na questão da nossa crença na realidade do mundo exterior.

O problema da indução
Todos nós cremos que o passado é um guia confiável para o futuro. Por exemplo: as leis da física descrevem como as órbitas celestes funcionam para a descrição do comportamento planetário até aos dias de hoje. Desse modo presumimos que vão funcionar para a descrição no futuro também. Mas como podemos justificar esta presunção, o princípio da indução?

Hume sugeriu duas justificações possíveis e rejeitou ambas. O problema permaneceria em aberto, até que Karl Popper o solucionou. A primeira justificativa avançada por Hume é que por razões de necessidade lógica, o futuro tem de ser semelhante ao passado. Porém, Hume nota que podemos conceber um mundo errático e caótico onde o futuro não tem nada que ver com o passado ou então, mais submissamente, um mundo tal como o nosso até ao presente, até que certo ponto as coisas mudam completamente.

A segunda justificação, mais modestamente, apela apenas para a segurança passada da indução: sempre funcionou assim, por isso é provável que continue a funcionar. No entanto, como Hume lembrou, esta justificação apenas usa um raciocínio circular, justificando a indução por um apelo que requer a indução para ter efeito.

O problema da indução ainda permanece. Karl Popper, como se disse, apresenta uma solução elegante e convincente, que exclui qualquer solução definitiva ou dogmática. A visão de Hume parece ser que nós (como outros animais) temos uma crença instintiva que o nosso futuro será semelhante ao passado, com base no desenvolvimento de hábitos do nosso sistema nervoso. Uma crença que não podemos eliminar mas que não podemos provar ser verdadeira por qualquer tipo de argumento, dedutivo ou indutivo, tal como é o caso com respeito à nossa crença na realidade do mundo exterior.

A Teoria Empacotada do Eu
Costumamos pensar que somos a mesma pessoa que éramos 5 anos atrás. Apesar de termos mudado em muitos aspectos, a mesma pessoa está presente tal como estava presente no passado. Podemos começar a pensar sobre os aspectos que se podem alterar sem que o próprio (indivíduo) subjacente mude. Hume, no entanto, nega que exista uma distinção entre os vários aspectos de uma pessoa e o indivíduo misterioso que supostamente transporta todas estas características.

Porque no fundo, como Hume afirma, quando se começa a introspecção, notamos um grupo de pensamentos e sentimentos e percepções e tudo isso, mas nunca nos apercebemos de uma substância à qual possamos chamar “o Eu”. Por isso, tanto quanto podemos dizer, conclui Hume, não há nada relativamente ao Eu que esteja acima de um grande pacote de percepções transitórias. De notar que, na perspectiva de Hume, não há nada ao qual estas percepções pertencem. Pelo contrário, Hume compara a alma ao povo de uma nação (commonwealth), que retém a sua identidade não em virtude de uma substância básica permanente, mas que é composto de muitos elementos relacionados mas em permanente mutação. A questão da identidade pessoal torna-se assim uma questão de caracterizar a coesão frouxa da experiência pessoal vivida. (Notar que no Appendix do tratado, Hume diz misteriosamente que ele estava insatisfeito com o seu julgamento do Eu, sem no entanto ter regressado a esta questão.

A razão prática: Instrumentalismo e Niilismo
A maioria de nós pensa que certos comportamentos são mais razoáveis do que outros. Parece haver qualquer coisa de abstruso em, por exemplo, comer uma folha de alumínio. Mas Hume negou que a razão tivesse algum papel importante em motivar ou desencorajar o comportamento. No fundo, a razão é apenas uma espécie de calculador de conceitos e experiência. O que no fundo importa, diz Hume, é como nos sentimos em relação a esse comportamento. O seu trabalho gerou a doutrina do instrumentalismo, que declara que uma ação é razoável se e somente se ela serve os objetivos e desejos do agente, quaisquer que estes sejam. A razão pode entrar neste esquema apenas como um servo, informando o agente de fatos úteis relativos às ações que servem aos seus objetivos e desejos, mas nunca condescendendo a dizer ao agente quais objetivos e desejos ele deverá ter.

Assim, se você quiser comer uma folha de alumínio, a razão lhe dirá onde encontrar uma folha de alumínio, e não haverá nada de irracional em a comer ou em o desejar. O instrumentalismo passará a ser uma visão ortodoxa da razão prática em economia, teoria das escolhas racionais e algumas outras ciências sociais. Mas alguns comentadores argumentam que Hume foi mais além do niilismo, e disse que não há nada de irracional em deliberadamente frustrar os seus próprios objetivos e desejos (”eu quero comer folha de alumínio, por isso deixa-me selar a minha boca”). Tal comportamento seria altamente irregular, tirando qualquer papel à razão, mas não seria contrário à razão, que é impotente em fazer julgamentos neste domínio.

Anti-realismo moral e motivação
No seu ataque ao papel da razão no julgamento do comportamento, Hume argumentou que o comportamento imoral não é imoral por ser contra a razão. Ele primeiro defendeu que as crenças morais estão intrinsecamente motivantes: se você acredita que matar é errado, você estará motivado “ipso facto” a não matar e em criticar a matança (internalismo moral). Ele lembra-nos de seguida que a razão por si só não motiva ninguém: a razão descobre os fatos e a lógica, mas ela depende dos nossos desejos e preferências quanto à percepção daquelas verdades e se isso nos motiva. Conseqüentemente, a razão por si não produz crenças morais. Hume propôs que a moralidade depende ultimamente do sentimento, sendo o papel da razão apenas o de preparar o caminho para os nossos sensíveis julgamentos por análise da matéria moral em questão.

Este argumento contra os fundamentos da moralidade na razão é hoje um dos argumentos pertencentes ao arsenal do anti-realismo moral; o filósofo Humeano John Mackie argumentou que para os fatos morais serem fatos reais sobre o mundo e ao mesmo tempo, intrinsecamente motivantes, eles teriam de ser fatos muito estranhos. Temos pois todos os motivos para desacreditá-los.

Livre-arbítrio vs. indeterminismo
Todos nós já notamos o aparente conflito entre o livre-arbítrio e o determinismo: se as nossas ações foram determinadas há milhões de anos, como poderá ser que elas dependem de nós? Mas Hume notou outro conflito, que torna o problema da livre vontade num denso dilema: a livre-vontade é incompatível com o indeterminismo. Imagine que as suas ações não são determinadas pelos eventos precedentes. Nesse caso, as suas ações serão completamente aleatórias. Em adição, e muito importante para Hume, as ações não são determinadas pelo seu caráter, as suas preferências, os seus valores, etc. Como é que alguém pode ser tido por responsável pelo seu caráter? A livre-vontade parece requerer o determinismo, porque senão o agente e a ação não estariam conectados do modo necessário por ações livremente escolhidas.

Sendo assim, quase todos nós acreditamos no livre-arbítrio, a livre vontade parece inconsistente com o determinismo, mas a livre-vontade parece requerer o determinismo.

Na visão de Hume, o comportamento humano, como tudo o mais, é causado (causal). Por isso mesmo, se tomamos as pessoas como responsáveis pelas seus atos, devemos focar a recompensa ou a punição de forma a que eles façam aquilo que é moralmente desejável e evitem aquilo que é moralmente repreensível.

Razão e sentimento
Segundo Hume, a razão não é antagônica aos sentimentos do qual as duas são intimamente ligadas por associações.De tal maneira que a primeira ligados por associações de causa e efeito só se tomam sentido quanto estes é ligado pelas paixões.

O problema do ser – dever ser
Hume notou que muitos escritores falam do que deve ser, na base de enunciados acerca do que é. Mas parece haver uma grande diferença entre enunciados descritivos (o que é) e enunciados prescritivos (o que deveria ser). Hume apela aos escritores que tomem muito cuidado na mudança do enunciado de um estado para o outro. Nunca sem se dar uma explicação de como o enunciado- “deve ser” é suposto seguir ao enunciado- “é”. Mas como exatamente é que se pode derivar o “deve” de um “é” ? Essa questão, colocada num pequeno parágrafo de Hume, tornou-se uma das questões centrais da teoria da ética e costuma ser atribuída a Hume a opinião de que tal derivação é impossível. (Outros interpretam Hume como dizendo que não se pode ir de uma constatação factual a um enunciado ético, mas que se o pode fazer sem atender à natureza humana, isto é, sem prestar atenção aos sentimentos humanos).

G.E: Moore defendeu uma posição similar com a seu “argumento da questão aberta”, que pretendia refutar qualquer identificação de propriedades morais com propriedades naturais: a chamada “falácia naturalista”. Qualquer teórico ético que pretender dar à moralidade um fundamento objetivo em aspectos mais mundanos da vida real está a lutar por uma causa controversa, no mínimo.

Utilitarismo
Foi provavelmente Hume quem, juntamente com os seus colegas do Iluminismo escocês, avançou pela primeira vez a idéia de que a explicação dos princípios morais deverá ser procurada na utilidade que eles tendem a promover. O papel de Hume não deverá ser descrito com exagero, claro; foi o seu compatriota Francis Hutcheson que cunhou o slogan utilitarista “a maior felicidade para o maior número”. Mas foi através da leitura do “Tratado” de Hume que Jeremy Bentham sentiu pela primeira vez a força do sistema utilitário: ele “sentiu como se escamas tivessem caído dos seus olhos”. No entanto, o “proto-utilitarismo” de Hume é muito peculiar, da nossa perspectiva. Ele não pensa que a agregação de unidades cardinais de utilidade será a fórmula para atingir a verdade moral.

Pelo contrário, Hume era um sentimentalista moral e, como tal, achava que princípios morais não podem ser justificados intelectualmente. Alguns princípios simplesmente são-nos apelativos e outros não o são. E a razão porque princípios utilitaristas da moral são apelativos é que eles promovem os nossos interesses e os dos nossos companheiros com os quais simpatizamos.

Os humanos são pouco flexíveis a aprovar coisas que ajudam a sociedade-utilidade pública. Hume usou este dado para explicar como ele avaliava um vasto campo de fenômenos, desde instituições sociais e políticas governamentais até traços de caráter e talentos.

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O problema dos milagres
Uma forma de apoiar a religião é por apelo a milagres. Mas Hume argumentou que no mínimo, os milagres não poderiam conferir muito apoio à religião. Há vários argumentos sugeridos pelo ensaio de Hume, todos eles à volta do seu conceito de milagre: nomeadamente a violação por Deus das leis da Natureza.

Um argumento é o de que é impossível violar as leis da Natureza. Outro argumento afirma que o testemunho humano nunca poderia ser suficientemente fiável para contra-ordenar a evidência que temos das leis da Natureza.

Outro argumento, menos irredutível, mais defensável, é que devido à forte evidência que temos das leis da natureza, qualquer pretensão de milagre está sobre pressão desde o início e precisa de provas fortes para derrotar as nossas expectativas iniciais.

Este ponto tem sido aplicado sobretudo na questão da ressurreição de Jesus, onde Hume sem dúvida perguntaria:
“o que é que é mais provável ? que um homem se erga dos mortos ou que este testemunho esteja incorreto de uma forma ou de outra ?”.

Ou mais suavemente, “o que é mais provável ? que o Uri Geller pode realmente fazer dobrar colheres com a sua mente ou que isso seja algum tipo de truque ?”.

Este argumento é a base do movimento céptico e um assunto fundamental aos históricos da religião.

O argumento teleológico
Um dos argumentos mais antigos e populares para a existência de Deus é o argumento teleológico – que toda a ordem e “objetivo” do mundo evidencia uma origem divina. Hume usou o criticismo clássico do argumento teleológico, e apesar do assunto estar longe de estar esgotado, muitos estão convencidos de que Hume resolveu a questão definitivamente. Um século antes de Darwin! Aqui alguns dos seus pontos:

1. Para o argumento teleológico funcionar, seria necessário que só nos pudéssemos aperceber de ordem quando essa ordem resulta do desígnio (criação). Mas nós vemos “ordem” constantemente, resultante de processos presumivelmente sem consciência, como a geração e a vegetação. O desígnio (criação) diz apenas respeito a uma pequena parte da nossa experiência de “ordem” e “objetivo”.
2. O argumento do desígnio, mesmo que funcionasse, não poderia suportar uma robusta fé em Deus. Tudo o que se pode esperar é a conclusão de que a configuração do universo é o resultado de algum agente (ou agentes) moralmente ambíguo, possivelmente não inteligente, cujos métodos possuam alguma semelhança com a criação humana.
3. Pelos próprios princípios do argumento teleológico, a ordem mental de Deus e a funcionalidade necessitam de explicação. Senão, podemos considerar a ordem do universo, etc., inesplicada.
4. Muitas vezes, o que parece ser objetivo, onde parece que o objeto X tem o aspecto A por forma a assegurar o fim F, é mais bem explicado pelo processo da filtragem: ou seja, o objeto X não existiria se não possuísse o aspecto A, e o fim F é apenas interessante para nós. Uma projeção humana de objetivos na natureza. Esta explicação mecânica da teleologia antecipou a seleção natural.

Sociologia da Religião de Hume
David Hume ficou conhecido, sobretudo pelas suas contribuições na filosofia. Mas não menos dignas de destaque são as suas observações na análise da religião. Pode falar-se de idéias pioneiras para a sociologia da religião, que ficam patentes na obra de 1757, The Natural History of Religion.

Teoria da Oscilação
Hume rejeita a idéia de uma evolução linear desde o politeísmo para o monoteísmo como um sumário da evolução histórica dos últimos 2.000 anos.

Na verdade, Hume acredita que o que a história mostra é antes um oscilar irracional entre politeísmo e monoteísmo. Chama-lhe um “flux and reflux” (oscilar) entre as duas opções. Nas palavras de Hume: “a mente humana mostra uma tendência maravilhosa para oscilar entre diferentes tipos de religião: eleva-se do politeísmo para o monoteísmo para voltar a afundar-se na idolatria”

Como Gellner afirma, esta oscilação não é o resultado de qualquer racionalidade, mas sim com os “mecanismos do medo, incerteza, da superioridade e inferioridade”.

Do politeísmo para o monoteísmo
Os povos que adoram vários deuses com poderes limitados podem facilmente conceber um Deus com um poder mais extenso, ainda mais digno de veneração do que os outros. “Neste processo, os homens chegam ao estágio de um só Deus como ser infinito, a partir do qual nenhum progresso é possível”.

Do monoteísmo para o politeísmo
Esse Deus único, todo poderoso, é porém igualmente um Deus distante e de difícil acesso para o comum dos mortais (sobretudo se estes são analfabetos – e na Europa da Idade Média, a esmagadora maioria da população era analfabeta). O contacto decreto com as escrituras sagradas na Idade Média permanecia um privilégio de uma casta limitada – o clero. A maioria do povo comum, analfabeto, sente-se impossibilitado de aceder a Deus por via “direta”. Neste momento, torna-se visível um princípio psicológico que caminha numa direção contrária.

Esse princípio psicológico é a idéia de que os homens vivem em busca da proteção, do apoio. Torna-se necessária a figura de intermediários perante o comum dos mortais e o Deus todo poderoso. Uma função para os santos, relíquias, … “Estes semideuses e intermediários, que são vistos pelos homens como parentes e lhes parecem menos distantes, são objeto da adoração e assim, a idolatria está de volta…”

Novamente de regresso ao monoteísmo
Mas mais uma vez, o pêndulo tem de retornar. Como Gellner afirma, em breve, “o Panteão torna a encher-se”. Hume: “À medida que estas diferentes formas de idolatria dia por dia descem às formas cada vez mais baixas e ordinárias, acabam por se autodestruir e as horríveis formas de idolatria vão acabar por provocar um retorno e um desejo de regresso ao monoteísmo… Por isso (entre os judeus e os muçulmanos) é que há proibição de figuras humanas na pintura e mesmo na escultura, porque eles receiam que a carne seja fraca e que acabe por se deixar levar para a idolatria”.

Hume mostra exemplos desta evolução: É a luta de Jeová contra os Bealim de Canaã, da Reforma contra o Papado, e do Islã contra as suas tendências pluralistas (ver sufismo).

Influência de Hume na constituição estadunidense
Como Douglass Adair sugeriu, o livro de David Hume, “Essays, Moral, Political and Literary” terá influenciado diretamente James Madison na formulação da Constituição Americana. No ensaio ali contido “Idea of a Perfect Commonwealth” Hume refuta a idéia de Montesquieu de que uma grande nação está condenada a ser corrupta e ingovernável. Pelo contrário, afirma Hume, uma nação extensa pode ser, devido à sua diversidade geográfica e socioeconômica, bem mais estável do que nações pequenas.

Hume escreve: “Apesar de as pessoas como um órgão serem incapazes de governar, caso elas se dispersarem em pequenas unidades (tais como colônias individuais ou estados) elas são mais susceptíveis de se submeter à razão e à ordem; a força das correntes populares (populismo) e marés são, em grande medida, quebrada”.

A elite conspiradora necessitará de passar mais tempo a coordenar os movimentos das várias partes do todo, do que a planear o derrube. “Ao mesmo tempo, as partes estão tão distantes e remotas que é muito difícil, seja por intriga ou paixão, levá-las a tomar medidas contra o interesse público.”

James Madison, que estudara em Princeton, e ali tinha tomado contacto com a obra de Hume, incorporou esta visão no seu “Notes on the Confederacy”, publicado em Abril de 1787, 8 meses antes de ele ter escrito o ensaio defendendo a Constituição, como parte dos “Federalist Papers”.

Obra

* Tratado da Natureza Humana, (1739-1740).

* Investigação sobre o Entendimento Humano (1748)

Tradução portuguesa: “Investigação sobre o Entendimento Humano” in Tratados Filosóficos I, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2002. Tradução brasileira: Investigações sobre o Entendimento Humano e sobre os Princípios da Moral, São Paulo, Editora UNESP, 2001.

Contém uma revisão dos pontos principais do tratado, livro 1, com a adição de material sobre a livre vontade, milagres e o argumento teleológico.

* Investigação sobre os Princípios da Moral (1751)

Tradução portuguesa: “Investigação sobre os Princípios da Moral” in Tratados Filosóficos II, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2005. Tradução brasileira: Investigações sobre o Entendimento Humano e sobre os Princípios da Moral, São Paulo, Editora UNESP, 2001.

Outra revisão do material do tratado para apelar mais ao gosto popular. Hume considerou esta como a melhor das suas obras filosóficas, quer quanto às idéias filosóficas como no seu estilo literário.

* Diálogos sobre a Religião Natural (póstumo)

Tradução portuguesa: Diálogos Sobre a Religião Natural, Lisboa, Edições 70, 2005.

Uma discussão entre três personagens ficcionais – Cleantes, Fílon, e Demea – acerca do argumento teleológico, o argumento cosmológico, o problema do mal e as relações entre a religião e a moral. A obra é um forte ataque à tentativa de estabelecer a existência de Deus por processos racionais e tem servido de inspiração a muitos críticos modernos da religião. Apesar de haver alguma controvérsia, a maioria dos acadêmicos acredita que Fílon é a personagem que melhor reflete as idéias de Hume.

* Ensaios: Morais, Políticos e Literários (editados pela primeira vez em (1741-1742)

Tradução portuguesa: Ensaios Morais, Políticos e Literários, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2002.

Uma série de ensaios, revistos várias vezes ao longo da sua vida. A história relativa a que ensaios foram adicionados ou removidos parece menos relevante. “Sobre a estação média da vida”, “Que a política possa ser reduzida a uma ciência”, “Da origem do governo”, “Da liberdade civil”, “Do comércio”, “Da densidade populacional de nações antigas”, e “Sobre o suicídio”, para nomear apenas alguns.

* A História da Grã-Bretanha (1754-1762)

Esta é mais uma categoria de livros do que uma única obra. Uma história monumental, “desde a invasão de Júlio César até à Revolução Gloriosa de 1688″. Foi também a obra melhor conhecida de Hume durante a sua vida, tendo tido mais de 100 edições. Foi considerada por muitos como a referência essencial da História da Inglaterra até à publicação da monumental “História de Inglaterra” de Thomas Macaulay.

* História Natural da Religião (1757)

Online aqui! Este livro é considerado por alguns como a primeira obra científica a debruçar-se sobre a sociologia da religião. Ernest Gellner diz que este livro permanece um dos melhores tratados deste tipo, talvez mesmo o melhor.

Tradução portuguesa: “História Natural da Religião” in Obras sobre Religião, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2005.

Tradução brasileira: “História Natural da Religião”, São Paulo: Editora da Unesp, 2005, tradução de Jaimir Conte.

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração, Tecnologia da Informação e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, USA. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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Posted in Filósofos
24 comments on “David Hume – Filósofo
  1. nara disse:

    olha muito interessante eu gostei muito eu estava fazendo um trabalho sobre john locke e gostei do que eu acabei de ler………..
    parabensssssssssssss!!!!!!!!!!!!!!

  2. bruna caroline moraes azevedo disse:

    eu gostei muito de fazer uma pesquisa sobre david muito interessante parabensssssssssssssssss´´

  3. gleicimone ferreira da silva disse:

    gostei muito de estudar sobre daid hume..

  4. Carla Patricia de Souza disse:

    Muito obrigado, vcs sabem mesmo como ajudar uma pessoa em duvida. Estava fazendo um trabalho sobre David Hume e encontrei td que eu precisava aqui.
    Valeu!!

  5. patricia disse:

    valeu!!!!!!!!!!!!

  6. miriam michele disse:

    muito obrigado ,vcs sabem msmo como ajudar uma pessoa em duvida.e encontrei tudo sobre david hume ,tudo que eu precisava …..
    valewww….
    bjksss…

  7. Kenya disse:

    O texto é claro e de fácil entendimento ! Me ajudou muito no trabalho que estou fazendo sobre David Hume .

  8. reinaldo disse:

    gostei muito do texo, mais senti falta de um resumo, falando do conteudo……mais foi e melhor texto sobre David Hume que encontrei.facil entendimento.valeu…

  9. Ederson disse:

    sou estudante de filosofia da FCRS, e gostei muito do texto tenho certeza que e um dos filosofos que pretendo cita na minha monografia, pois foi um dos melhores texto que encontrei com uma facil compreenção e entendimento não precisa nem estudar filosofia pra a compreender.
    veleu espero contar com vcs embreve.

  10. Robim disse:

    aii galera ñ queroo me gabarr ñ mais é q essa materia David foi muito bomm pra mim graças a ele tirei nota 1.000.000 pra falar a verdade só for comparar por nota vai ser muito dificil pq os numeros sao infinito ñ é verdade
    muitoo obrigadooooooooooo

  11. Daniele disse:

    muito boom . vai ser ” O trabalho de filosofia ” . espero tirar nota boa . maais vai dar tanto trabalhoo :S

  12. layane disse:

    muito bom era oque eu estava presisando para minha pesquisa realmente david hume foi uma pessoa extremamente interessante e que tinha muito bom senço.

  13. myara disse:

    nossa a vida de David é imprecionante eu gostei muito parabéns você é um suceso…

  14. Amanda de Oliveira disse:

    Muitoo legal a historia de vida e as obras de Hume… amei

  15. Natalia Rezende disse:

    Parabéns o modo em q este homem viveu um dos exemplos dos filosofos q podemos degustar as suas artes….Maravilhoso!!!

  16. Mine disse:

    Eu gostei…
    Espero que meu professor goste.
    =)

  17. Alberto de Oliveira disse:

    Ando a procura de material filosófico para um trabalho sobre o ceticismo, encontrei aqui, algum e muito útil. Obrigado.
    AO

  18. Mari disse:

    Muito bom mesmo, foi o site mais útil que eu achei o que precisava!
    (:

  19. natali disse:

    ai foi bom o site mais nau achei o que eu queria afff

  20. lukiiinha disse:

    adorei me ajudo mto qndo precisei

  21. juliana disse:

    Em uma viagem que fiz para Edimburgo encontrei um pequeno e velho cemitério. Atraída pela beleza do lugar entrei e comecei a caminhar entre as lápides, até que tive uma grande surpresa: a sepultura de Hume!!!
    Fiquei paralisada alguns minutos só contemplando meu achado.

  22. Charles Pichler disse:

    Fundador da escola cética? PORRA! Vão estudar bando de desinformados.. puta que pariu, ter que ler um negócios desses é foda.

  23. bruno disse:

    Parabéns, melhor matéria sobre david hume na internet haha

  24. parabens valeu me ajudou muito

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