Aloísio Lorscheider – Religiosos

Personalidades,Brasil,Religiosos, Dom Aloisio LorscheiderDom Aloísio Leo Arlindo Lorscheider
* Estrela, RGS. – 8 de Outubro de 1924 d.C
+ Porto Alegre, RGS. – 23 de Dezembro de 2007 d.C

Sacerdote, frade franciscano e cardeal brasileiro. Ex-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB.
Foi Bispo de Santo Ângelo de 1962 a 1973 – Sucedido por Dom Estanislau Amadeu Kreutz
Arcebispo de Fortaleza de 1973 a 1995 – Precedido por Dom José de Medeiros Delgado e Sucedido por Dom Frei Cláudio Hummes
Arcebispo de Aparecida de 1995 a 2004 – Precedido por Dom Geraldo Maria de Morais Penido e Sucedido por Dom Raymundo Damasceno Assis

Vida
Dom Frei Aloísio Lorscheider ou Cardeal Lorscheider, como ficou conhecido, era filho de José Aloysio Lorscheider e o da mãe Verônica Gerhardt Lorscheider.
Fez o curso primário em Picada Winck, em Lajeado, e em Palanque e Venâncio Aires. Ingressou em 1934, no Seminário dos padres franciscanos, em Taquari, onde fez os cursos Ginasial e Colegial.

Em 1942, fez o Noviciado e o primeiro ano de Filosofia no Convento São Boaventura, em Daltro Filho e Garibaldi. Em 1944, foi transferido para o Convento Santo Antônio, em Divinópolis, Minas Gerais, onde terminou o curso de Filosofia e fez o curso de Teologia. Passou a adotar o nome religioso de Frei Aloísio, nome que conservou até o final de sua vida.

Sacerdócio
Foi ordenado sacerdote a 22 de agosto de 1948, em Divinópolis.
Como sacerdote, lecionou latim, alemão e matemática no Seminário Seráfico, em Taquari. No final do mesmo ano, foi enviado a Roma, ao Pontifício Ateneo Antoniano, para especializar-se em Teologia Dogmática. No mês de junho de 1952, defendeu sua tese doutoral, sendo promovido com nota máxima: summa cum laude.

Regressando de Roma, tornou a lecionar no Seminário Seráfico, em Taquari, até que, em 1953, foi nomeado professor de Teologia Dogmática no Convento Santo Antonio, em Divinópolis.

Durante 6 anos, lecionou Teologia e ocupou sucessivamente os cargos de Comissário Provincial da Ordem Franciscana Secular, Conselheiro Provincial e Mestre dos Estudantes de Teologia e dos Candidatos ao estado de Irmão Franciscano. Além de Teologia Dogmática, lecionou Liturgia, Espiritualidade e Ação Católica, e foi assistente do Círculo Operário Divinopolitano.

Em 1958, tomou parte no Congresso Mariológico Internacional, em Lourdes, França. No mesmo ano, foi chamado a Roma para lecionar Teologia Dogmática no Pontifício Ateneo Antoniano.
Em 1959, foi nomeado Visitador Geral para a Província Franciscana em Portugal. No mesmo ano, de volta da visita canônica, recebeu o encargo de Mestre dos Padres Franciscanos, estudantes nas várias Universidades de Roma.

Episcopado
No dia 3 de fevereiro de 1962, foi nomeado pelo Papa João XXIII, bispo da recém-criada Diocese de Santo Ângelo. No dia 20 de maio de 1962, recebeu a ordenação episcopal na Catedral Metropolitana de Porto Alegre. Adotou como lema de seu episcopado IN CRUCE SALUS ET VITA (Na Cruz, a Salvação e a Vida). No dia 12 de junho, tomou posse na Diocese e por durante 11 anos, foi seu bispo diocesano.

Em novembro de 1963, foi eleito pela Assembléia do Concílio Vaticano II, membro das Comissões Conciliares, nomeadamente para a Secretaria de União dos Cristãos. Tomou parte como “padre conciliar” de todas as sessões do Concílio Vaticano II, de 1962 a 1965.

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Pertenceu ao quadro dos dirigentes da CNBB, a partir de 1968, como Secretário Geral, e como Presidente duas vezes consecutivas de 1971 a 1975 e 1975 a 1978.

Em 1972, foi eleito primeiro Vice-Presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano CELAM e reeleito em 1975. Em 1976, assumiu a presidência do mesmo organismo, em virtude da transferência do titular Dom Eduardo Peronio, Bispo de Mar del Plata, nomeado Cardeal, para a Prefeitura da Congregação dos Religiosos, com sede no Vaticano.

Foi eleito Vice-Presidente da Cáritas Internacional e reeleito em 1972, assumindo a Presidência em fevereiro de 1974, em razão do estado de saúde do Monsenhor Vath, o Presidente, falecido em 1976.
No dia 4 de abril de 1973, o papa Paulo VI nomeou-o Arcebispo de Fortaleza. No dia 5 de agosto do mesmo ano, tomou posse naquela Arquidiocese.

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Cardinalato
No dia 24 de abril de 1976, Paulo VI nomeou-o Cardeal e em 24 de maio recebeu a investidura do Cardinalato, com o título de São Pedro “in Montorio”. Tomou parte nos dois conclaves em 1978, que elegeram os papas João Paulo I e João Paulo II.
Em 1995, com problemas cardíacos, ele solicitou ao papa João Paulo 2º sua transferência para uma diocese menor.

Foi atendido e transferido de Fortaleza para a Arquidiocese de Aparecida, tomando posse no dia 18 de agosto do mesmo ano.
Em maio de 1996, em Guadalajara, no México, participou do II Encontro de Presidentes da CED (Comissão Episcopal de Doutrina).

Em 1997 recebeu o Pálio das mãos do papa João Paulo II. No mesmo ano, fez parte do Sínodo dos Bispos para a América.
Dedicou particular atenção ao clero, no qual procurou desenvolver um profundo sentido de comunhão eclesial e um singular impulso apostólico. A sua atividade junto aos organismos da Santa Sé foi intensa. Participou de todas as assembléias ordinárias do Sínodo dos Bispos, distinguindo-se nas suas intervenções devido à solidez da doutrina e à prudência pastoral. Sagrou dez bispos e ordenou inúmeros sacerdotes.

Em 2000, com 76 anos, anunciou sua renúncia, já que pelas regras da Igreja Católica era obrigado a renunciar ao cargo por ter passado dos 75 anos. Afirmou, na ocasião, que se fosse por vontade própria continuaria em Aparecida.

Em 28 de janeiro de 2004, recebeu a notícia da aceitação de sua renúncia e em 25 de março do mesmo ano entregou a arquidiocese para d. Raymundo Damasceno Assis, tornando-se, assim, arcebispo emérito de Aparecida.

Em seguida, retornou para o Convento dos Franciscanos, em Porto Alegre, onde passou seus últimos dias. Faleceu às 5h30min, do dia 23 de dezembro de 2007, no Hospital São Francisco, em Porto Alegre, onde estava internado há quase um mês.

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Curiosidades
Foi o único cardeal brasileiro até hoje a receber votos em um dos conclaves (primeiro conclave de 1978), tanto é que o cardeal Albino Luciani (que foi eleito papa), votou várias vezes nele.

No filme The Godfather: Part III O Poderoso Chefão parte 3, é citado durante a votação para eleição do novo papa, em 1978, em que foi eleito o papa João Paulo I.

Perguntado, na sua posse como Arcebispo de Aparecida, sobre quais medidas tomaria para conter a saída dos fiéis da Igreja Católica, D. Aloísio retrucou dizendo que havia um engano nessa informação, porque quem saiu da Igreja Católica não foram os fiéis e sim os infiéis, recebendo o aplauso de todos.

Foi passageiro do vôo 169 da VASP e, segundo um relato “ufológico” não teria confirmado a observação ocular de um OVNI. Na ocasião, quando questionado sobre o porquê de não ir até a janela do avião ver o objeto, respondeu que “não queria saber dessas coisas”.

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“Em 15 de março de 1994, um motim no IPPS resultou no sequestro de dom Aloísio Lorscheider e mais outros 12 reféns. Na época, 637 presos eram distribuídos em 400 celas. Hoje, estão no local 1.165 presos para uma capacidade de 940.
Por Yanna Guimarães – Jornal O Povo

O que aparentemente seria apenas mais uma das várias visitas de dom Aloísio Lorscheider, então cardeal arcebispo de Fortaleza, a um dos presídios do Ceará se tornou um dos fatos mais marcantes na história do País. O caso que chocou milhares de pessoas aconteceu há exatos 15 anos. Era 15 de março de 1994.

Além de dom Aloísio, os então bispos auxiliares dom Edmilson Cruz, dom Geraldo Nascimento e o padre Aldo Pagotto foram ao encontro dos presos no auditório do Instituto Penal Paulo Sarasate (IPSS). Dom Aloísio estava falando quando os presentes perceberam o detento Antônio Carlos Souza Barbosa, o Carioca, subindo ao palco do local. Muitos acreditaram que ele fosse prestar algum tipo de homenagem. Mas, de repente, o presidiário segurou dm Aloísio e o levou com uma faca em seu pescoço.

“Aí começou o tiroteio. Uma guerra. A gente só enxergava a fumaça de pólvora e ouvia as balas passando. Eu podia ter tentado me defender e escapado. Mas por instinto, pela união entre nós, a gente seguiu junto com dom Aloísio”, relembra dom Edmilson Cruz, hoje com 84 anos. Muitos detalhes ainda estão na sua memória.

E ele não guarda ressentimento de nada. “Foi chegando gente, o governador Ciro Gomes, o Tasso Jereissati. Começou um diálogo de surdos. Eles armados de um lado e do outro as autoridades e a polícia”. Conforme as notícias da época, eram 13 reféns e 13 detentos numa sala de 25m2. Os presidiários exigiam um carro-forte e armamentos para a fuga.

Mário Mamede, que na época era deputado estadual e hoje é presidente do Instituto de Previdência do Município (IPM), também foi feito refém.

“Foi um momento muito marcante. Tivemos um gesto de extrema solidariedade entre nós. Sabíamos que um dependia do outro e por isso, nos protegíamos. Isso tá muito vivo na minha memória, como deve estar na dos outros”. Foram quase 20 horas de sofrimento. O caso teve início por volta de 10 horas da manhã. Somente à noite, os detentos receberam o carro-forte e saíram do presídio.

“Eles diziam aos policiais que se as exigências não fossem atendidas, ninguém sairia vivo. Ao mesmo tempo, falavam pra gente que não ia acontecer nada. Uma ameaça constante”, destaca dom Edmilson.

Quando o carro-forte chegou, as 26 pessoas ficaram “espremidas” no veículo. À frente, dom Edmilson conta, foram o Carioca, o dom Aloísio e o Fazendeiro, um dos detentos.

“Um rapaz bonito, parecia com nosso Jesus Cristo”, detalha. “O resto foi nesse aperto. A luz estava desligada e a sede aumentando”. Até que uma das reféns começou a passar mal e eles decidiram libertar quatro pessoas. Maria Rejane Gomes e seu marido, o então vereador Severino Pires, o fotógrafo do O POVO João Carlos Moura e mais uma refém.

“Não tivemos um sentimento de raiva. Eram pessoas que estavam lutando desesperadamente para ter liberdade. Um deles disse que se passasse 24 horas fora do presídio e visse o céu, estaria feliz”, lembra Mário Mamede.

Por volta das 4 horas da madrugada seguinte, o carro-forte chegou à casa do Fazendeiro, em Quixadá. “Ele tratou uma criança com ternura e se despediu da mãe. Nós bebemos água e retornamos à estrada”. Pouco tempo depois, quase às 6 horas, a polícia conseguiu alcançar os sequestradores. “Foi um momento muito difícil. Teve tiroteio e, num momento de trégua, a gente conseguiu fugir para um mato”.

Para Mário Mamede, depois de tantos anos, o maior sentimento é de frustração. “Perdemos uma grande oportunidade. Esse episódio poderia ter sido o começo de um novo capítulo, mas pouco mudou. Será que vai ser preciso um episódio mais grave ainda para que as autoridades comecem a tomar uma providência?”.

Dom Aloísio Lorscheider tinha 70 anos na época. Logo que foi libertado, disse que perdoava os presidiários. “Eu rezarei por eles”, declarou.

O motim dos detentos foi liderado por Antônio Carlos Souza Barbosa, o “Carioca”, que pertence ao Comando Vermelho. Ele foi transferido para o Rio de Janeiro, onde cumpre pena.

Ordenações episcopais
Dom Aloísio foi o principal celebrante das ordenações episcopais de:
• Dom Estanislau Amadeu Kreutz
• Dom Frei Cláudio Cardeal Hummes
• Dom Patrício José Hanrahan
• Dom Frei Geraldo Nascimento
• Dom Benedito Francisco de Albuquerque
• Dom Francisco Javier Hernández Arnedo
• Dom Carmo João Rhoden
• Dom Frei Luís Flávio Cappio
• Dom Frei Irineu Silvio Wilges
• Dom Joércio Gonçalves Pereira
Dom Aloísio foi concelebrante nas ordenações episcopais de:
• Dom José Ivo Lorscheiter
• Dom Frei Adalberto Paulo da Silva
• Dom Marcelo Pinto Carvalheiro

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração, Tecnologia da Informação e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, USA. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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