Sophia Andresen – Poetisa

Sophia de Mello Breyner Andresen
* Porto, Portugal – 6 de Novembro de 1919 d.C
+ Lisboa, Portugal – 2 de Julho de 2004 d.C

Um dos maiores nomes da poesia portuguesa contemporânea – um nome que se transformou, em sinônimo de Poesia e de musa da própria poesia.
Sophia nasceu no Porto no seio de uma família aristocrática. A sua infância e adolescência decorrem entre o Porto e Lisboa, onde cursou Filologia Clássica.

Após o casamento com o advogado e jornalista Francisco Sousa Tavares, fixa-se em Lisboa, passando a dividir a sua atividade entre a poesia e a atividade cívica, tendo sido notória ativista contra o regime de Salazar. A sua poesia ergue-se como a voz da liberdade, especialmente em “O Livro Sexto”.
Foi sócia fundadora da “Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos”e a sua intervenção cívica foi uma constante, mesmo após a Revolução de Abril de 1974, tendo sido Deputada à Assembléia Constituinte pelo Partido Socialista.

Profundamente mediterrânica na sua tonalidade, a linguagem poética de Sophia de Mello Breyner denota, para além da sólida cultura clássica da autora e da sua paixão pela cultura grega, a pureza e a transparência da palavra na sua relação da linguagem com as coisas, a luminosidade de um mundo onde intelecto e ritmo se harmonizam na forma melódica, perfeita, do poema.

A obra de Sophia Andresen por Clara Rocha

“Data de 1944 o primeiro volume poético de Sophia, intitulado Poesia. Editado no ano em que autora completou vinte e cinco anos, mas incluindo alguns poemas escritos ainda no final da adolescência, Poesia é um livro inaugural a vários títulos. Antes de mais, pelas marcas de intenso e juvenil entusiasmo vital que nele encontramos (coexistindo, todavia, com um lado noturno e deceptivo). Logo o poema de abertura nos fala desse entusiasmo, situando-o no plano dos sonhos e da sua força performativa:

“E nunca as minhas mãos ficam vazias”.

Algumas páginas adiante, o poema “Pudesse eu” é igualmente a expressão duma apetência pela vida e dum desejo de disponibilidade total para a viver, expressão tanto mais intensa quanto se resume numa síntese de quatro versos:

Que de tudo renasce a exaltação

“Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Pra poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes”.

A força dos meus sonhos é tão forte,

Poesia é também um livro de estréia pela forma auto-reflexiva como registra a procura dum caminho poético. Se nos primeiros versos do poema “Tudo” esse caminho é ainda um tanto indefinido, nos últimos de “O jardim e a casa” ele é vislumbrado com mais nitidez:

Onde sempre acabou cada ilusão,
“Trago o terror e trago a claridade,
E através de todas as presenças
Caminho para a única unidade”.

“Apesar das ruínas e da morte,

Mas no poema “As fontes”, sem dúvida um dos mais inteiros e exatos deste volume, encontramos já um rumo poético bem vincado. Há nele uma promessa de claridade e de plenitude, e, de forma projetiva, esboça-se uma concepção essencialista da poesia como desocultação ou desvelamento, como regresso a uma verdade antiga do ser, que se tornará um dos grandes eixos da obra poética de Sophia.

A noite é uma presença muito forte neste primeiro livro de versos e será um motivo constante em toda a obra, inclusivamente nos contos para crianças. São reveladores títulos como “Noite”, “Luar”, “O jardim e a noite”, “Noite das coisas”, “Noites sem nome”,

Gordon Parks – Fotógrafo

Gordon Roger Alexander Buchannan Parks – 1963
* Fort Scott, Kansas, Usa – 30 de Novembro de 1912 d.C
+ Nova Iorque, Usa – 7 de Março de 2006 d.C

Fotógrafo Norte Americano, músico, jornalista, escritor, poeta, ativista político e diretor de cinema. Produziu inúmeros ensaios fotográficos pata a revista Life e dirigiu, em 1971, o filme Shaft.

Capa da Revista Life 1945 – Foto de Gordon Parks

Gordon Parks era filho de um jornaleiro, sendo o mais novo de 15 filhos.
Cresceu em casa da irmã, em Minneapolis, até o cunhado o pôr fora aos 16 anos. Foi empregado de mesa e músico até, ao ver fotografias da Farm Security Administration e um jornal semanal com o fotógrafo Norma Alley, comprar uma máquina fotográfica usada e começar a tirar fotografias.

Capa da Revista Life 1968 – Foto Gordon Parks

Começou pela fotografia de moda e, a partir de 1942, trabalhou também para a Farm Security Administration. Entre 1949 e 1970, trabalhou como foto jornalista para a revista Life. Retratou a vida das pessoas no sul dos Estados Unidos e nas favelas brasileiras, bem como a de gente rica e elegantemente vestida em Nova Iorque e Washington.
Retratou artistas e produziu uma reportagem comovente sobre o líder negro Malcolm X.

Foto Gordon Parks – Malcolm X Addressing Black Muslim Rally in Chicago – 1963
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As suas reportagens pictóricas dos bairros pobres de Harlem, a que teve acesso por ele próprio ser negro, abriram os olhos dos americanos brancos para o país dividido em que viviam. Tornou-se muito popular graças aos seus filmes, em particular “The Learning Tree”, de 1969, e às suas histórias misteriosas que tiveram pela primeira vez um negro como herói. Ao longo da sua carreira exemplar, Parks, que não pôde ser contratado por Alexei Brodovitch devido à cor da sua pele, contribuiu enormemente para o reconhecimento dos negros na vida americana.

Foto Gordon Parks – Department Store, Birmingham, Alabama – 1956
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