
Claudio Manuel Da Costa
* Ribeirão do Carmo, (Mariana) MG. – 1789 d.C.
+ Vila Rica (Ouro Preto), MG. – 4 de Julho de 1789 d.C.
Ai Nise Amada…
Ai Nise amada! se este meu tormento,
se estes meus sentidíssimos gemidos
lá no teu peito, lá nos teus ouvidos
achar pudessem brando acolhimento;
como alegre em servir-te, como atento
meus votos tributara agradecidos!
Por séculos de males bem sofridos
trocara todo o meu contentamento.
Mas se na incontrastável pedra dura
de rigor há correspondência
para os doces afetos de ternura,
cesse de meus suspiros a veemência;
que é fazer mais soberba a formosura
adorar o rigor da resistência
Cláudio Manuel da Costa, advogado, magistrado e poeta.
É Patrono da Academia Brasileira de Letras - Cadeira nº8, por escolha do fundador Alberto de Oliveira – Glauceste Saturnino (ou Glauceste Satúrnio), pseudônimo do autor, faz parte da transição do Barroco para o Arcadismo. Seus sonetos herdaram a tradição de Camões.
Era filho de João Gonçalves da Costa, lavrador e minerador, no sítio da Vargem do Itacolomi , e de Teresa Ribeiro de Alvarenga. Fez os primeiros estudos em Vila Rica; passou depois ao Rio de Janeiro, onde cursou Filosofia no Colégio dos Jesuítas. Em 1749, aos vinte anos de idade, seguiu para Lisboa e daí para Coimbra, em cuja Universidade se formou em Cânones, em 1753. Ali publicou, em opúsculos, pelo menos três poemas, Munúsculo métrico, Labirinto de amor e o Epicédio consagrado à memória de Frei Gaspar da Encarnação.
Vista de Ouro Preto
Pintura de Alberto da Veiga Guignard
Óleo s/ tela
Entre 1753 e 54 recolheu ao Brasil, dando-se à advocacia em Vila Rica (hoje Ouro Preto), jurista culto e renomado da época, ali exerceu o cargo de procurador da Coroa, desembargador, também exerceu por duas vezes o importante cargo de secretário do Governo. Por incumbência da Câmara de Ouro Preto elaborou “carta topográfica de Vila Rica e seu têrmo” em 1758.
Tornou-se conhecido principalmente pela sua obra poética e pelo seu envolvimento na Inconfidência Mineira. Contudo, foi também advogado de prestígio, fazendeiro abastado, cidadão ilustre, pensador de mente aberta e mecenas do Aleijadinho. Estudou cânones em Coimbra e há quem acredite que ele tenha traduzido a obra de Adam Smith para o português, mas isso nunca foi muito bem fundamentado.
Vida
Por sua idade, boa lição clássica, fama de douto e crédito de autor publicado, exerceu Cláudio da Costa ali uma espécie de magistério entre os seus confrades em

